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quinta-feira, 3 de julho de 2008

rosa é rosa rosarum em novo disco


Rosa é demias e neste invova, mas mantem sua classe vocal, sua extrema força e potência de dizer cantando.É preciso ouví-la pacv
Rosa Passos se entrega às baladas
Em Romance, seu CD mais jazzístico, a cantora renova clássicos da canção brasileira com o perfeccionismo técnico habitual

Lauro Lisboa Garcia
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Associada à bossa nova, Rosa Passos ganhou imenso prestígio internacional no circuito jazzístico, embora não tenha ficado restrita a ele. No fim de maio, nos shows de lançamento do álbum Romance (Telarc), no Lincoln Center, em Nova York, ela teve na platéia gente do calibre de Madeleine Peyroux, Maria Schneider, Ron Carter e Wynton Marsalis. Este, no camarim, revelou à cantora que prepara um projeto exclusivo para ela. Ontem, Rosa embarcou para Portugal, onde vai se apresentar nos festivais de jazz de verão, depois segue em turnê pela Espanha. Viaja acompanhada de seus fiéis companheiros Paulo Paulelli (contrabaixo), Fábio Torres (piano), Lula Galvão (violão e guitarra), Celso de Almeida (bateria) e Vinicius Dorin (flauta e saxes).

Ouça trecho da faixa Altos e Baixos

Nada mais natural que, em Romance, ela explore com mais liberdade do que nos álbuns anteriores sua porção jazzística, abrindo espaço generoso para que seus músicos brilhem tão intensamente quanto ela. Com o perfeccionismo técnico habitual que a cantora preserva, inspira e exige, eles renovam juntos 12 canções românticas brasileiras, de autores que ela sempre gravou. A maioria é de clássicos consagrados na voz de outros grandes intérpretes como Elis Regina (ídolo maior de Rosa entre as cantoras nacionais), Elizeth Cardoso, João Gilberto (outro de seus ícones), Maysa, Nana Caymmi, Gal Costa, Maria Bethânia. Menos conhecida, Cadê Você (João Donato/Chico Buarque), gravada apenas pelos autores e por Ângela Ro Ro, tem mais ainda sabor de inédita e ganha, definitivamente, sua melhor gravação.

Do repertório de Elis, a faixa pontual é Altos e Baixos (Sueli Costa/Aldir Blanc), que já virou clássico dos shows de Rosa na parte em que ela homenageia seu ídolo. ''Não deixa de ser também uma homenagem a Sueli Costa, que é uma compositora brasileira que respeito muito'', diz Rosa. Com solo de Daniel D''Alcântara (flugelhorn), é uma das melhores faixas do CD. Outra preciosidade, com sete minutos e meio de duração, é Tatuagem (Chico Buarque/Ruy Guerra), que também teve gravação marcante de Elis em 1976.

Em ambos os casos, como em outros - Nem Eu (Dorival Caymmi), Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle), Atrás da Porta (Francis Hime/Chico Buarque), Eu Sei Que Vou te Amar (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes) -, você até esquece as referências anteriores de interpretação, porque Rosa imprime sua personalidade em cada detalhe. Não se trata apenas de desconstruir as canções, nem variar por variar, mas também manter a essência ao se entregar a elas. Álibi (Djavan) é um bom exemplo de como ela saboreia as sílabas dançando pela melodia sinuosa, explorando não apenas o sentido, mas a musicalidade natural das palavras que o arranjo compartilha. Muito diferente do que faz a maioria dos que apelam a regravações.

Como nos trabalhos anteriores (ou talvez mais), Rosa escolheu as canções de Romance de forma a contar uma história - que se encerra com dois antigos sambas-canções, Neste Mesmo Lugar (Armando Cavalcanti/Klecius Caldas) e Nossos Momentos (Luís Reis/Haroldo Barbosa). ''Penso em meus discos como livros musicais, que sejam bons de ser lidos sempre'', diz. Neste, ela aborda diversas situações amorosas e, mesmo que haja dor e saudade, determinou que a história tinha de ter final feliz, ''sempre com sentimento de carinho, sem perder a delicadeza''.

Rosa lembra que usa muito a intuição para cantar, mas sempre preocupada com a dicção, a dinâmica e a respiração, com a beleza do que canta. Além de, naturalmente, explorar algo diverso do que fizeram outros cantores com essas canções. ''Sempre procuro me surpreender. Sou muito cuidadosa com minha música, levo muito a sério meu trabalho, sou muito estudiosa'', reafirma. ''Então, sempre procuro uma maneira de encontrar um caminho diferente, onde mostro o lado da intérprete, da estudiosa.''

Para isso, ela conta com a ''colaboração maravilhosa'' de seus músicos, que são ''talentosos, virtuosos''. O resultado é de uma obra em conjunto e para melhor chegar a ele Rosa - que desta vez não toca violão nem canta músicas próprias - faz questão de gravar as bases e a voz (que fizeram em três dias em Romance) ao vivo em estúdio. ''Gravarmos todos juntos para mim é muito importante, porque a gente está se olhando o tempo todo, não perde a emoção.''

Ela tem mais do que isso a ensinar nesse aspecto de responsabilidade com a música. Laureada recentemente com o título doutor honoris causa do rigoroso Berklee College of Music, de Boston, ela toma como ponto de partida de suas oficinas para cantoras a seguinte questão: ''Pra que gritar?'' Pois é, parece que cada vez a maioria acha que cantar é isso. Romance é, mais do que nunca, a melhor prova em contrário.
by Estadao http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080703/not_imp199653,0.php

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