segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS", BIOGRAFIA DE HUMBERTO TEIXEIRA.



Sérgio Gusmão
A PROPÓSITO DO FILME "O Jornal Folha de São Paulo, como sabem muitos de vocês, tem uma Revista chamada "SERAFINA". Na edição de setembro de 2008 pode-se ver uma entrevista com a filha de Humberto Teixeira, que foi produtora do Filme dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira, Denise Dummont, atriz que ficou famosa nos anos 80. Ainda não assisti ao filme, mas devo dizer que já o considero uma justa homenagem ao grande compositor e parceiro de Luiz Gonzaga., o Doutor do Baião. Antes que se possam levantar questões sobre esta famosa parceria, permitam-me transcrever aqui trecho do depoimento que HT deu ao comunicador e pesquisador cearense, Nirez.
É assim:
pergunta: Como foi esse contato com Luiz Gonzaga?

HT - É a história: O Luiz Gonzaga, tal como eu, como Lauro Maia estava fazendo os primeiros sucessos dele com a Mula Preta, com Xamego, com as músicas que ele fazia com Miguel Lima. Mas a vontade de Luiz era lançar a música do norte, como ele chamava. Ele não dizia do nordeste. Era a música do norte. Ele procurou o Lauro Maia e o Lauro disse:"olha rapaz, esse negócio de campanha, isso me apavora. Eu sou um homem indisciplinado, eu não guardo coisas nem compromisso de uma dia pro outro e tudo isso. De maneira que eu acho mais interessane você procurar meu cunhado Humberto Teixeira. ele também é compositor e faz músicas do norte... Ele é mais organizado". Um belo dia, eu estou no meu escritório de advogado lá no Rio, na Av. Calógeras, quando me procurou o Luiz Gonzaga. Se apresentou, eu o conhecia de nome e tal, mas foi a primeira vez que eu vi o Luiz Gonzaga pessoalmente. Ele me contou que tinha estado com Lauro Maia, o Lauro tinha me indicado... Aí falou da idéia dele de deflagrar a música do norte nos grandes centros, que ele tinha muitas idéias...Bem, nós ficamos, Nirez, naquela tarde, de quatro e meia até quase meia noite, nesse primeiro encontro. Eu fechei praticamente o escritório, como fazia sempre que vinha negócio de música e nós relembramos, retrospectamos em torno dos ritmos nordestinos, do Ceará, de Pernambuco, a terra dele... Naquele dia nós chegamos a duas conclusões muito interessantes. Uma delas é que a música ou o ritmo que iria servir de lastro para a nossa campanha de lançamento da música do norte, a música nordestina no sul, seria o baião. Nós achamos que era o que tinha características mais fáceis, mais uniformes para se lançar essa música. E outra coisa: naquele mesmo dia nós fizemos os primeiros versos, discutimos as primeiras idéias em torno de Asa Branca, não só a letra, como também melodicamente, essa coisa formidável que só dois anos depois, foi gravada, e que no dia em que gravamos, com o conjunto de Canhoto, ele disse assim: "mas puxa, vocês depois de um negócio desses, de sucessos, vêem cantar moda de igreja, de cego, aqui? Que troço horrível!!"...Mal sabiam eles que que nós estávamos gravando alí uma das páginas mais maravilhosas da música brasileira...
...Muita gente diz que eu sou o letrista das músicas de Luiz Gonzaga. Não existe isso.Muitas delas são integralmente minhas. Letra, música e tudo. Como outras são do Luiz. A nossa parceria, eu costumo dizer que não sei onde começa o poeta e termina o músico, é uma parceira indestrutível, muito amiga, muito fraterna. De maneira que o que não foi feito por ele, eu considero feito e vice-versa, a recíproca é absolutamente verdadeira. Nós temos um entendimento perfeito..."
trecho do depoimento "Eu sou Apenas Humberto Teixeira"
Equatorial Produções- 11/12/1977

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