quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Enade trouxe de volta a preocupação com o viés ideológico de avaliações e vestibulares


A política do Sr Lula via Inep é de absoluto repúdio face as postulações ideológicas posta nas provas do ENADE no último domingo, é clara a publicidade e marketing a favor do PT e crítica a Imprensa,isto é governo desonesto; não existe mais o PT antigo do qual participei, é sujo e absolutamente onipotente e execrável.PVasconcelos
Data: 12/11/2009
Veículo: GAZETA DO POVO - PR

A prova do Enade trouxe de volta a preocupação com o viés ideológico de avaliações e vestibulares. Questões do exame aplicado no domingo promovem iniciativas de ministérios, e uma em especial insinua que a imprensa internacional teria dado razão ao presidente Lula em sua afirmação irresponsável sobre a "marolinha" que a crise internacional causaria no Brasil.

A falta de tato do Planalto na formulação das questões é sintomática. Dentre os numerosos caminhos pos­­­­síveis para propagar sua ideologia, o governo optou pela fórmula explícita. Seria o caso de pensar que faltou inteligência para uma formulação mais sutil da prova. As questões, de fato, não primam pela qualidade técnica, mas a explicação para isso vai além da incapacidade ou do desleixo. O caso é que, dada a apatia dos brasileiros diante de tantos recentes atropelos éticos, o governo achou-se autorizado a considerar que a ideologização do Enade não seria contestada. Cabe-nos, como sociedade, provar o contrário. A tarefa é de todos os que estão comprometidos com a qualidade do ensino. Afinal, quando usa uma avaliação como peça de propaganda, o governo deixa claro que põe a doutrinação política acima do compromisso com a melhoria do ensino.

É nítida a tentativa de im­­por uma visão de mundo à força, tolhendo o livre pensar dos cidadãos, algo abominável por si só. Pior é constatar que a orquestração destina-se a jovens universitários, o que, em última análise, pode afetar toda uma geração de brasileiros. É pela ameaça ao futuro do país, imposta pela tática insidiosa - e recorrente -, que a sociedade precisa reagir.

A prova do Enade é apenas um entre muitos episódios do gênero. Em 2007, os estudantes que fizeram o Enem foram obrigados a se alinhar com o governo na defesa da diversidade (a própria formulação da redação já excluía a possibilidade de argumentar em sentido contrário). Naquele mesmo ano, a Gazeta do Povo denunciou a ideologização de outros vestibulares e o conteúdo enviesado dos livros didáticos oferecidos pelo governo do Paraná. No volume de Educação Física, por exemplo, havia a omissão deliberada de fatos como o uso sistemático do esporte como propaganda política em países socialistas, enquanto se criticava as ditaduras militares brasileira e argentina por aproveitar politicamente o sucesso de suas seleções de futebol.

Em todos os casos, o roteiro é basicamente o mesmo: exaltar pessoas ou movimentos de esquerda e demonizar seus adversários, como o agronegócio e a imprensa. Não é coincidência que a prova do Enade traga tantas críticas aos veículos de comunicação no momento em que Lula não perde uma chance de atacar jornalistas, após a tentativa frustrada de amordaçar a profissão com um Conselho Federal de Jornalismo.

O efeito cascata é óbvio: escolas de ensino médio e pré-vestibular (no caso do Enem e dos vestibulares) e faculdades (no caso do Enade), interessadas em obter maior proporção de aprovados ou melhor conceito nas avaliações de cursos, passam a preparar seus alunos para dizer aquilo que o examinador espera deles. O resultado é não apenas uma prova ideologizada, mas uma educação ideologizada. E uma nação ameaçada pelo não debate, pelo desapreço à reflexão e aos questionamentos. Um quadro grave e que exige reação.

Diante de tal cenário, é im­­possível não recordar as ideias do comunista italiano Antonio Gramsci. Percebendo que, em sociedades mais desenvolvidas e institucionalmente mais sólidas, a esquerda jamais che­­­garia ao poder pela via da revolução armada, o ideólogo desenvolveu uma estratégia na qual os militantes deveriam promover uma mudança de cultura entre a população. Gramsci identificou a educação como um importante meio formador, e decidiu que era por aí que a infiltração deveria ocorrer. Quando boa parte da população já estivesse doutrinada, o caminho para a tomada (e para a manutenção) do poder pela esquerda estaria pavimentado.

Não deixa de ser irônico que a aplicação das provas do Enade coincida com os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Os povos do Leste Europeu viveram na pele o totalitarismo socialista e o rejeitaram. Ao ideologizar seu sistema educacional, o Brasil abre brechas para um novo totalitarismo, em que só terá sucesso o estudante que se dispuser a cantar as glórias do partido e do governante. Na impossibilidade de impor o partido único, ter-se-á imposto o pensamento único.
by http://bit.ly/VblfB lei mais

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