quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Vinnicius de Morais


Acabou-se nosso carnaval, ninguém mais ouve cantar canções, ninguem canta mais !!!!!!!!Acabou o nosso carnaval,
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar
Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.





BEM A TEMPO SAI UMA CRÔNICA QUE CHEGA A CALHAR COM NOSSA REALIDADE NO JORNAL DO BRASIL -RIORasgando a fantasia
13/02/2010 - 12:36 | Enviado por: Migliaccio

Peço um minuto de silêncio pelo Carnaval


Assim como o futebol, o Carnaval virou um negócio milionário. Basta passar ao largo do Sambódromo para ver os gigantescos painéis de publicidade. Todas as vezes em que trabalhei como jornalista na avenida achei aquilo tudo o maior baixo astral. É, parece loucura achar deprimente uma festa com 60 mil pessoas, fantasias coloridas e batucada, mas foi exatamente isso que eu senti.

Os desfiles hoje são feitos para a televisão. Carnavalescos escolhem cores e texturas pensando mais nas câmeras e refletores do que no enredo. E que enredos! A prefeitura de Pindamonhangaba patrocina, então o enredo da escola é Pindamonhagaba. Isso é cultura popular? Já foi o tempo. Podem me chamar de saudosista, anacrônico, velho gagá, não me importo, mas Carnaval de verdade era no tempo da Avenida Presidente Vargas, época que não vivi, mas da qual tenho uma inexplicável saudade.

Hoje não se desfila, se exibe, se mostra, se vende. Aquelas mulheres saradas e seminuas podem até ser lindas, mas não são mulheres, são mercadorias expostas em cima de carros alegóricos. Ainda é necessário que saibam sambar, mas daqui a alguns anos, também esse requisito vai cair por terra. Bastará que tenham o silicone e o botox em dia, porque o Carnaval de verdade será uma lembrança cada vez mais pálida e distante.

Das escolas de samba e da Liga, pouco se sabe. Os bicheiros saíram de cena, a grana agorá é outra, vem da prefeitura, da emissora que detém os direitos de transmissão (assim como os do futebol, do Réveillon de Copacabana etc). Com tantos patrões mandando, não é de se espantar que a festa na Marquês de Sapucaí tenha se desvirtuado. Teve um ano aí que barraram a velha guarda porque sua entrada estouraria o tempo de desfile. Se a velha guarda é barrada, o Carnaval está morto.

O público que vai ao Sambódromo também não é mais aquele. Há uma agressividade no ar, como se todo mundo ali tivesse enchido a pança de carne vermelha antes de sair de casa. O álcool, que rola em corredeiras, em vez de relaxar, torna todo mundo mais tenso, carnal, animal. O calor que emana do cimento quente parece deixar todos ainda mais incomodados, irascíveis.

Quem tem dinheiro, consome, gasta; quem não tem, fica do lado de fora, vendendo cerveja em lata num isopor imundo ou perambulando à espera do descuido de algum paulista desavisado... Bailes populares no Terreirão? Experimente se for capaz...

A festa foi contaminada pela violência. Blocos se transformaram em arenas onde caça e caçador se engalfinham em busca do prazer efêmero. O flerte agora é agressivo; o beijo, arrancado à força. E o pior é que as garotas parecem preferir a truculência ao romantismo. São mulheres masculinizadas, bombadas, de voz grossa. Há quantos anos não nasce uma Audrey Hapburn, uma Marcia de Windsor, uma Penélope Charmosa? Hoje, todas as mulheres do mundo sonham ser Ivete Sangalo, sempre regendo aquela turba movida a cerveja e energético em sua alegria falsa com data marcada.

Estou fora disso. Felizmente, na terça-feira estará tudo acabado. Todos serão obrigados a voltar para suas vidas, pelo menos até o próximo sábado, quando o Rei Momo lhes concederá mais alguns momentos em que poderão fingir para si mesmos que não são aquilo que se tornaram

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