quinta-feira, 4 de março de 2010

Mudança de foco na indústria do livro Editoras se preparam para as transformações provocadas pelo mundo digital

Livro de Rubem Fonseca, O seminarista estará disponível para iPhone no mesmo dia do lançamento da versão em papel. Foto: Reproducao da Internet/www.elhablador.com











Mudança de foco na indústria do livro Editoras se preparam para as transformações provocadas pelo mundo digital; Ediouro anunciou parceria com o Google para disponibilizar acervo do selo no site de busca











Uma neblina ainda encobre o futuro da indústria do livro, mas algumas editoras já começam a se movimentar, tateando no escuro na tentativa de viabilizar seus negócios em meio as transformações do mundo digital. Durante o Continuum - Festival de Arte e Tecnologia do Recife este mês, a editora Ediouro anunciou uma parceria com o Google que vai disponibilizar o acervo do selo, que chega a 10.100 obras, no site de busca.


Livro de Rubem Fonseca, O seminarista estará disponível para iPhone no mesmo dia do lançamento da versão em papel. Foto: Reproducao da Internet/www.elhablador.com
"O acesso será parcial, inicialmente em 20%. O objetivo é tornar a informação disponível na internet para depois converter em venda de livros, que antes não eram encontrados", explica Newton Neto, diretor executivo da Singular Digital, responsável pela publicação de livros digitais da Ediouro. O acordo é apenas um sinal da mudança de foco da editora, que, a partir de novembro, passa a investir em livros digitais.

"O livro O seminarista do Rubem Fonseca, estará disponível para iPhone no mesmo dia do lançamento da versão em papel", adianta o diretor executivo. Outra linha de ação do selo é a transferência de recursos de divulgação do meio tradicional para o digital. "Acreditamos em marketing digital. Vamos apostar em links patrocinados, ação em redes sociais, produtos digitais inovadores, entre outros", revela Newton Neto.

Quem também aderiu à ferramenta do Google foi a editora Senac São Paulo, que desde 2005 tem disponibilizado seus títulos. A editora hoje oferece cerca de 750 livros, com acesso a 20% das obras. "A visualização não permite impressão e download. É feito um direcionamento para sites varejistas, onde o livro físico poder ser adquirido", analisa Marcus Vinicius Barili Alves, gerente corporativo da Senac-SP.

Segundo ele, com a adesão, as vendas da editora cresceram em torno de 10%. "A degustação digital é uma boa ferramenta, pois atinge um público potencial maior, que ultrapassa a livraria e os pontos tradicionais de venda, podendo atingir leitores em diversos países", garante Alves.

Outro exemplo de mudança é o da editora virtual Mojo Books, criada em 2007, que vem produzindo conteúdo e publicando e-books, em PDF, de histórias ficcionais inspiradas em discos e músicas. Com um lançamento por semana, o catálogo da Mojo conta com 126 e-books, 220 singles e 7 histórias em quadrinhos, fora as coleções Specials (relacionadas a festivais) e Mojo+, que foca mais nos escritores.

Ao todo, mais 300 autores já contribuíram para a Mojo, incluindo o pernambucano Marcelino Freire inspirado no disco Getz/Gilberto. "Esperamos que tenha alguma ligação com o disco, mas isso é subjetivo. Privilegiamos ideias originais, interessantes literariamente", explica Danilo Corci, um dos criadores do site.

Para ter acesso a esses livros, as pessoas precisam se cadastrar no site e baixa-los de forma gratuita. "O brasileiro não tem o hábito de pagar por conteúdo na internet, por isso, em princípio pretendemos manter os livros gratuitos por algum tempo. Agora, com a chegada dos e-readers, este cenário tende a mudar e vamos nos adequar ao modelo", pondera Corci. (Thiago Corrêa)

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