sábado, 24 de abril de 2010

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Cine PE: Pernambucanos em lugar de honra
Publicado em 24.04.2010, às 09h34

Ernesto Barros
ebarros@jc.com.br
Símbolo de uma era em que o cinema reinava absoluto como a melhor diversão, o cine São Luiz volta aos seus dias de glória para abrigar neste fim de semana a IIIª Mostra Pernambuco de Curtas e Longas-metragens, que marca oficialmente a abertura do 14º Cine PE Festival do Audiovisual. Neste sábado e domingo (24 e 25), desfilarão pela tela do São Luiz quinze curtas e três longas da produção audiovisual recente do Estado.

Como a majestosa sala da Rua da Aurora sediou a primeira edição do Cine PE, em março de 1997, os organizadores do festival, o casal Alfredo e Sandra Bertini, estão muito satisfeitos com a volta ao São Luiz. “A gente se emociona muito em ter novamente a oportunidade de retornar a este patrimônio de Pernambuco, para mostrar o que está sendo feito aqui. A competição está a cada dia mais acirrada e a Mostra PE vai exibir filmes tão bons quanto os que estão em competição a partir de segunda no Centro de Convenções”, explicou Sandra.

Nos seus dois primeiros anos, os cineastas pernambucanos não viam com bons olhos a participação na Mostra PE, já que ela era composta pelos filmes que ficaram de fora da competição. Hoje, a relação mudou e quase não há mais protestos. Inclusive, sem ser necessariamente um cala-boca, uma competição com direito a premiação em dinheiro não pode deixar de ser considerada. Para este ano, segundo Alfredo Bertini, a Assembleia Legislativa de Pernambuco confirmou premiações no valor de R$ 10 mil para o melhor longa-metragem e R$ 5 mil e R$ 2 mil para o primeiro e segundo lugares entre os curtas-metragens, respectivamente. O júri da Mostra PE é integrado pelo cineasta carioca Zelito Viana, o programador Marcos César Sampaio de Araújo e a produtora carioca Vera de Paula.

A competição de longas-metragens é composta por três documentários. Em Porta a porta, o cineasta Marcelo Brennand deslocou-se para Gravatá, no Agreste do Estado, para acompanhar os bastidores e a movimentação durante as eleições de 2008, quando os eleitores escolheram vereadores e o prefeito do município. Os outros dois longas são coproduções com o Rio de Janeiro. Nas rodas do choro, de Milena Sá, mapeia o universo do gênero musical a partir de grupos existentes no Recife e na capital fluminense.

Já Travessias, o segundo longa-metragem do jornalista e cineasta carioca Eduardo Souza Lima (o primeiro foi o excelente O Rio de Jano), nasceu de sua experiência em educação na Fundação Roberto Marinho. Durante dois anos, ele acompanhou um projeto educacional desenvolvido entre a FRM e o Governo do Estado, onde se desenrola o cotidiano de uma professora e três alunos na luta por um diploma. “Não é um filme institucional, é um filme sobre a situação da educação em Pernambuco”, explica Eduardo, que desde então se acha meio pernambucano, já que hoje passa mais tempo aqui do que no Rio.

Com quinze filmes em competição, a mostra de curtas traz nove ficções, quatro documentários e uma animação. Entre as ficções, destaques para Tchau e bênção, de Daniel Bandeira, Matriuska, de Pablo Polo e A minha alma é irmã de Deus, de Luci Alcântara, a partir de um história do escritor Raimundo Carrero. “Fiquei muito feliz ao saber que o filme vai passar no São Luiz, que eu amo muito e está lindo”, disse Luci.

Já entre os documentários, vale a pena ficar de olho em Teresa – Cor na primeira pessoa, de Amaro Filho e Marcílio Brandão, e Retratos, de Leo Tabosa e Rafael Negrão, que acaba de ganhar os prêmios de melhor vídeo e melhor direção no Focus Brazil Video Fest, realizado em Fort Lauderdale, na Flórida, sul dos Estados Unidos.

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