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domingo, 30 de maio de 2010

No Recife, colombianos festejam eleições

No Recife, colombianos festejam eleições
Publicado em 30.05.2010, às 13h47

Do JC Online

Como não podem votar, colombianos no Recife provovem festa para celebrar eleições
Foto: Priscila Muniz/JC Online
Estar longe do seu país num momento importante de decisões políticas é angustiante para muitos. Na Colômbia, a população está indo ás urnas neste domingo para participar de uma das eleições mais disputadas e comentadas da história. Já que a comunidade colombiana que vive no Recife não pode participar do pleito, alguns de seus integrantes resolveram promover uma festa neste sábado (29), para demonstrar seu apoio ao candidato da oposição, Antanas Mockus, e comemorar o que eles acreditam que será uma mudança positiva na política do país latinoamericano.

No salão onde foi realizada a festa, num edifício no bairro de Casa Forte, uma bandeira em amarelo, azul e vermelho e os ritmos latinos anunciavam a origem dos anfitriões. Alguns já adotaram o Brasil como novo lar, outros estão de passagem, estudando em cursos de pós-graduação. "A gente gostaria de participar das decisões do País, mesmo estando longe", disse a estudante Ciomara García, de 32 anos, que há cinco mora no Brasil. Ela conta que a distância de sua pátria não a impede de acompanhar a política colombiana. "Nós todos estamos sempre lendo as notícias sobre o que está acontecendo no País", destacou.


Nas eleições pesidenciais as pesquisas apontam um empate ténico entre o governista Juan Manuel Santos e o opositor Antanas Mockus, do Partido Verde. De acordo com uma pesquisa da empresa Ipsos Napoleón Franco, Mockus é o favorito entre a população mais jovem, concentrando 42% das intenções de voto na faixa entre 18 e 24 anos, à frente dos 30% de Santos. No que diz respeito às pessoas entre 25 e 54 anos, os dois estão empatados; mas entre os maiores de 54 anos, Santos é franco favorito, com 43% contra 24% de Mockus.

Mockus é unanimidade entre os colombianos que participaram da reunião no Recife. Eles lembram que, durante o período em que o presidenciável foi prefeito de Bogotá, capital colombiana, ocorreram transformações importantes na cidade. "A política dele não era só de repressão. A ideia era que um cidadão policiasse o outro cidadão", afirmou a professora Carolina Vejarano, de 31 anos, 16 deles vividos no Brasil. Uma situação diferente é a do estudante Alejandro Losano, de 29 anos, que está no Brasil há apenas três meses, cursando o mestrado. Alejandro acredita que o fato de Mockus estar fora dos partidos políticos tradicionais é um dos motivos do amplo apoio da população mais jovem, que quer uma mudança de ares. "Em Bogotá ele criou uma cultura de cidadania. é isso que a colombia precisa: uma mudança na cabeça das pessoas", defendeu.

Se entre os jovens colombianos que vivem no Recife não faltam elogios à Mockus, também não faltam críticas ao atual presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, que possui 74% de aprovação no seu País. "Ele gastou muito dinheiro na briga contra a guerrilha. Esse dinheiro poderia ir para educação, pesquisa, desenvolvimento tecnologico", opinou Juan Diego García, estudante de mestrado que mora no Brasil há um ano e meio. "O presidente tem uma questão com a guerrilha que é mais pessoal do que política", disse Carolina, acrescentando que o pai de Uribe foi assassinado por Guerrilheiros. "Ele investiu muito nessa luta e esqueceu dos outros aspectos".

Outra grande crítica a Uribe diz respeito às denuncias de corrupção, atentados aos direitos humanos e centralização de poder que vêm aparecendo em seu governo. "Eles investiram muito no exército e conseguiram bater na guerrilha, mas ao mesmo tempo o paramilitarismo cresceu e se infiltrou no governo. Voltou à mesma história: você não pode confiar em ninguém, acredita Alejandro.

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