quinta-feira, 15 de julho de 2010

Alan Pauls na UFSC


Evento: Alan Pauls na UFSC
Festejado pelo mundo afora como um dos mais expressivos e impactantes escritores latino-americanos surgidos na última década, Alan Pauls estará em Florianópolis na segunda-feira dia 14, às 18:30h, no Auditório da Reitoria da UFSC. Autor de "O passado", seu romance mais famoso, levado ao cinema em 2007 por Hector Babenco, o escritor argentino é o próximo convidado do ciclo "O Pensamento no século XXI", promovido pela Secretaria de Cultura e Arte e Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC. Sua palestra na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) este ano é uma das atrações mais aguardadas do evento, devendo ultrapassar o sucesso de público de sua visita ao Brasil em 2007, quando falou ao lado da psicanalista Maria Rita Kehl sobre a provocação O amor é uma doença? Em Florianópolis, Pauls profere a conferência Elogio do Sotaque, no quarto encontro do ciclo O Pensamento do Século XXI deste ano, que já trouxe o italiano Emanuele Coccia, a francesa Liliane Meffre e o norte-americano Christopher Dunn para debater questões emergentes da arte e do pensamento de vanguarda contemporâneos. Ganhador do conceituado prêmio Herralde, de literatura em língua espanhola, com "O passado", Pauls tem também História do Pranto traduzido no Brasil (pela Cosac Naify, em 2008) e uma obra breve, porém muito aclamada pela crítica internacional, com 11 títulos, vários deles traduzidos para o inglês, francês, alemão e outros idiomas. Nascido em Buenos Aires en 1959, Pauls é licenciado em letras, professor universitário, tradutor e colaborador em suplementos culturais, tanto em crítica cinematográfica quanto literária. Mantém uma coluna periodicamente na Folha de S.Paulo. Escreveu ensaios sobre literatura argentina, particularmente sobre a obra de Manuel Puig, Borges e Roberto Arlt. É autor de três novelas: “El pudor del pornógrafo”, publicada em 1984, “El coloquio”, de 1990, e “Wasabi”, 1994, todas traduzidas para o francês e outras línguas. Neste ano, a publicação de História del Pelo (História do cabelo), pela editora Argentina Anagrama, notabilizou-o como um dos mais brilhantes escritores da nova geração e concretizou o segundo volume da anunciada trilogia sobre os anos 70, que incluem o pranto, o cabelo e o dinheiro, designados pelo autor como os grandes fósseis e obsessões da época em questão. Neste último romance, um homem obcecado com o corte perfeito do cabelo e pelas suas reflexões capilares (eurecas epifânicas) serve como metáfora para uma humorada crítica contra a literatura testemunhal que recorre aos métodos mais convencionais, à frivolidade e à política. A despeito da influência da cultura francesa, Paul confessa sentir-se tão endogâmico como todo bom escritor argentino e é sobre a relação entre o universal e o particular em sua literatura que vai abordar na conferência. O passado gira em torno da saga de um casal que luta para se afastar e não se reduzir aos fantasmas do que foram, sobre o que o autor comenta: “Mais que a lembrança, os rastros do passado sempre assombram o presente e o futuro. Quando decretamos novos começos, ilusórios ou não, nem por isso conseguimos apagar nossa história: podemos apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor”. Contardo Calligaris, quando do lançamento da versão cinematográfica do romance, observou que os personagens de Pauls circulam por interiores abarrotados de restos do passado: livros, fotografias, quadros, os inúmeros objetos que, a cada mudança de casa, confirmam que nunca conseguimos deixar para trás os vestígios de nossa vida pregressa. “À primeira vista — diz Calligaris —, isso pode parecer estranho. Afinal, estamos acostumados a pensar que, na modernidade, os indivíduos são definidos por suas potencialidades futuras mais do que pelo passado. Não é assim? Pois é, não exatamente. A modernidade começa quando paramos de deixar que a tradição diga quem somos. Mas se o legado da tradição se torna menos relevante, é justamente porque o que me constitui é minha história - não apenas a intensidade do momento e a audácia de meus planos, mas o conjunto das experiências que vivi”. O escritor, cineasta, dramaturgo, intérprete, tradutor argentino radicado na França Edgardo Cozarinsky é o próximo convidado do Ciclo. Sua conferência está marcada para o dia 1° de julho (quinta-feira), às 18h30min, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH). Matéria de Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte). Contatos: (48) 99110524 - 37219459 www.secarte.ufsc.br

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