quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Senador do PSOL declara voto em Dilma

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Por Altamiro Borges

Sem aparentar pressa, o PSOL começa a definir amanhã (14) a sua posição para o segundo turno das eleições presidenciais. O partido, que obteve 0,87% dos votos no primeiro turno (o veterano Plínio Arruda Sampaio ficou em quarto lugar na disputa, com 886.816 votos), está dividido. Um setor defende liberar sua militância, outro prega voto nulo e um terceiro propõe o apoio a Dilma Rousseff para evitar o pior – a vitória do demotucano José Serra.

Sem esperar pela decisão, porém, um dos dois senadores eleitos pelo PSOL, Randolfe Rodrigues, do Amapá, já explicitou seu apoio a Dilma Rousseff. “Tenho divergências com o projeto do PT, mas tenho antagonismos com DEM e PSDB. Entre os dois, o melhor candidato é a Dilma”, antecipou à Folha. Ele também passou a integrar o comando de campanha de Lucas Barreto (PTB), candidato ao governo estadual que apóia a presidenciável petista.

Líder dos “caras-pintadas”

Randolfe Rodrigues, o mais jovem senador do país, com 36 anos de idade, foi eleito no vácuo criado pela prisão de vários políticos do Amapá, em decorrência da Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investiga a cobrança de propinas no governo. Ele ficou em primeiro lugar na disputa, com 203.259 votos. Mas o jovem tem longa história de militância. Ele foi um dos líderes estudantis do movimento “cara-pintada”, que exigiu nas ruas o impeachment de Collor de Mello.

Nascido em Garanhuns, terra natal do presidente Lula, mudou-se com a família para o Amapá aos oito anos de idade. Ainda criança, acompanhou o pai Januário Martins, líder sindical e um dos fundadores do PT, nas primeiras reuniões políticas. Tão logo atingiu a maioridade, Randolfe filiou-se ao PT e, em 1998, candidatou-se a deputado estadual e foi eleito, tendo sido reeleito em 2002. Em 2005, ingressou no PSOL por discordar dos rumos do PT. Em 2009, liderou no estado o movimento “Fora Sarney”. Randolfe é professor universitário e mestre em políticas públicas.

O saldo das eleições

A decisão do jovem senador deve impactar o PSOL. Após seis anos de fundação, o partido elegeu dois senadores (Randolfe Rodrigues e Marinor Brito, no Pará, que ainda depende do julgamento de Jader Barbalho no processo da “ficha limpa”). A legenda ainda manteve a bancada de três deputados federais e elegeu quatro estaduais – reelegeu Carlos Giannazi (SP) e Marcelo Freixo (RJ) e conquistou duas cadeiras no Pará, Edmilson Rodrigues e Janira Rocha.

Sua maior vitória se deu no Rio de Janeiro, onde o deputado Chico Alencar foi o segundo mais votado no estado, com 240.724, e conseguiu garantir mais uma vaga para Jean Wyllys, ex-BBB da TV Globo, que obteve apenas 13.018 votos. O PSOL também conseguiu expressiva vitória em São Paulo, com a reeleição de Ivan Valente, com 189.014 votos.

Mudanças internas no partido

As correntes internas que resistiram à candidatura de Plínio Arruda Sampaio foram as maiores derrotadas no pleito. Luciana Genro não se reelegeu no Rio Grande Sul, e Heloisa Helena, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial de 2006 (obteve 6,5 milhões de votos, 6,85% da votação nacional), não reconquistou a cadeira de senadora em Alagoas. O resultado indica uma mudança na correlação de forças interna e talvez interfira na decisão do partido sobre o segundo turno das eleições presidenciais.

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