terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ORLANDO TEJO




Hoje, visitando o Recife, e revendo o Clube Náutico, no Café Delta, e estando com o genro-(Jornalista Antonio Martins) do grande paraibano, ORLANDO TEJO,lembrei-me da minha adolescência, e da valorização da palavra brasileira no pensamento de Tejo, um homem a frente de seu tempo, e da validação das nossas diferenças, o que nos faz mais ricos.
Um poeta que nos trouxe um outro grande poeta, ZË LIMERIA-vide livro-O poeta do Absurdo-.
Saudades deste homem de fibra que enfrentou o preconceito e desvelou os recônditos da palavra dos poetas, tidos como marginais, e que no entanto, são o sangue de uma nova língua.
Aproprio-me aqui de Ricardo Meira que já o lembrou.






COLADO DE RICARDO MEIRA
No ramo da propaganda e em outras áreas profissionais como: informática e administração, o exagero no uso de estrangeirismos é uma pratica recorrente, principalmente, por aqueles consultores empolados que sempre usam o mesmo tipo de paletó, corte de cabelo e vocabulários repletos de termos em inglês, desnecessários, diga-se de passagem.

Esta prática não é recente, o poeta campinense, Orlando Tejo, autor do famoso livro “Zé Limeira: o poeta do Absurdo”, trabalhou um tempo como redator da Fregapane & Associados, uma agência de publicidade do Recife. Aborrecido e indignado com aqueles que insistem em vilipendiar a língua portuguesa, escreveu, de improviso, um bem humorado poema, que, embora tenha sido escrito em 1979, ainda está bastante atual.

NÃO AGUENTO MAIS.

Eu saí da Paraíba,
Minha terra tão brejeira,
Pra fazer publicidade
Na Veneza Brasileira
Onde a comunicação
É toda em língua estrangeira.

É uma ingrizia só
O jeito de se falar,
O que a gente não compreende,
Passa o tempo a perguntar
E assim como é que eu vou
Poder me comunicar?

É bastante abrir-se a boca
O “inglês” fala no centro,
Nessa Torre de Babel
Eu morro e não me concentro…
Até parece que estamos
De Nova Iorque pra dentro!

Lá naquele fim de mundo
Esse negócio tem vez
Porque quem vive por lá
O jeito é falar inglês,
Mas, se estamos no Brasil
O jeito é falar Português!

Por que complicar a guerra
Em vez de se esclarecer?
E se “folder” é um folheto
Por que assim não dizer?…
Pois quem me pedir um “folder”
Eu vou mandar se folder.

Roteiro é “story board”
Nesse vai e vem estrangeiro,
Parece até palavrão
Que se evita o tempo inteiro...
Porque seus filhos das putas,
A gente não diz roteiro?

Estão todos precisando
Dos cuidados do Pinel
Será feia a nossa língua?
É chato nosso papel?
Por que esse tal de “out door”
Substituir painel?

É desrespeito à memória
De Camões que foi purista
E esse massacre ao vernáculo
Não aguenta o repentista
Pois chamam “lay out-man”
O homem que é desenhista!

Matuto da Paraíba,
Aqui juro que não fico,
Onde até se tem vergonha
De um idioma tão rico...
Por que se chamar de “free-lancer”
Um sujeito que faz bico?

Publicidade de rádio
Apelidaram de “spot”
E tem outras besteiradas
Que não cabem num pacote.
Acho que acabou o tempo
De acabar esse fricote!

Por exemplo: “body type”
“Midia”, ”top”, “merchandising”,
“Checking list”, “past up”
(Que se diga de passagem)
“Briffing”, “Top de Marketing”,
Tudo isso é viadagem!

Já é hora de parar
com esse festival grosso
Para que o nosso idioma
Saia do fundo do poço.
Para isso eu faço esse “raff”,
Isto é –perdão ! – esboço!

Nota: o texto acima foi baseado em informações obtidas do site http://www.luizberto.com, cujo autor é amigo de Orlando Tejo e costuma escrever causos do poeta de Campina Grande.
POSTADO POR RICARDO MEIRA ÀS 22:50
MARCADORES: NORDESTE, POESIA MATUTA

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