terça-feira, 28 de abril de 2015

ENGOLIU-SE A LÍNGUA DO POETA -(Ourinhos, 15 de setembro de 1932 - São Paulo, 28 de abril de 2015)

  "Sou provocado pelo meu país, pelas coisas que acontecem nas ruas, dentro dos ônibus"


                                          fonte TV Cultura SP

 Antônio Abujamra

O poeta Antonio Abujamra foi-se como  o tempo que ele tecia, sob a mais ardida e competente língua/pensante.Ele veio, ficou nos palcos, cinema saiu para a Tv. Alimentou-nos de seu discurso,  de homem liberto de tabus, que não vende farinha por trigo, sabia do valor de um e do outro.

Conhecedor de afinco da Literatura Nacional e Internacional, fez seu locun na Tv, não apenas para entrevistar, mas para dizer o mundo nos versos que o acompanhavam, como coro duro ou espada certeira para atingirmos epifanias. 

Buscou de João Cabral à Patativa do Assaré, passando por Brecht,Shakespeare, Pessoa,o que é  a vida e o homem .Fez conclamações pelo verso duro. Disse certo, Luis Serguila-ja entrevistado por Abujamra: "A poesia é exata e precisamente esse grande teatro, em que, através da voz e do corpo do verbo, o homem busca replicar mimeticamente a essa convocação oracular."(http://bit.ly/1GDoVhm)
Esse teatro Abujamra nos deu na TV, salvou-se por minutos semanalmente com suas doses de um teatropoético, poetando ainda nas perguntas nada convencionais que propunha o impunha ao entrevistado.

Nadaste em pedras mas com sabor de olivas, ou mangas de ourinhos, perpetrastes o incandescente de rosto lambuzado de lírica para nós, tua fala era lírismo puro 

Saltaste para lá poeta num vento incrivelmente desconhecido, e que pior,  enguliu tua língua, o chão -nas tuas cinzas, guarda-la- a, mas nos haveremos de fuçar o solo, para ao menos sentir  o cheiro de tua boca e teu poema maior que realizaste vivendo e sendo um provocador provocado, uma impudência.E parodiando Natalia Correia, portuguesa, que bem conheceste, te relembro:
....
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

....
(  A defesa do Poeta- Natalia Correia)

Vai poeta mas ficaremos mudos e cegos por algum tempo !!!!!!!!!!!!

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