domingo, 26 de março de 2017

AS CEGUINHAS QUE OLHAVAM O MUNDO CG. PB- MORRE UMA DELAS MARIA DAS NEVES

ARREDA-SE UMA MAS A  FORÇA CONTINUA.SÃO REPRESENTANTES MÁXIMAS DA CANTORIA BRASILEIRA. COM AFINAÇÃO E FORÇA QUE O GIL SOUBE BEM RESGATAR E LANÇAR EM DVD.
POR DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Morreu, neste sábado, em Campina Grande, na Paraíba, a cantora Maria das Neves Barbosa, mais conhecida como Maroca, de 72 anos. Ela era uma das integrantes do grupo ‘Ceguinhas de Campina Grande’. A artista estava internada no Hospital Regional de Trauma da cidade desde o dia 21 deste mês, com sintomas de acidente vascular cerebral (AVC), segundo informações do Portal Correio (PB).

O trio, também conhecido como "Irmãs Cantoras de Campina Grande", era formado ainda por Indaiá, Francisca Conceição Barbosa, nascida em 1950 e Poroca, Regina Barbosa, nascida em 1944. Todas naturais de Campina Grande e cegas de nascença. As irmãs trabalharam na lavoura desde crianças e eram alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, alcoólatra. Quando ele morreu, as três passaram a se apresentar nas ruas da cidade, cantando emboladas e tocando ganzá.

Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes. O repertório do trio aos poucos passou a incluir cantigas, cocos e outras formas do cancioneiro nordestino, que as irmãs reprocessaram com acréscimo de improvisos.

Em 1998, elas foram personagem do documentário A pessoa é para o que nasce, de Roberto Berliner. O filme foi um sucesso e as paraibanas receberam elogios de artistas como Naná Vasconcelos e Otto. O baiano Gilberto Gil compôs uma música em homenagem às ‘ceguinhas’. Em 2004, Berliner lançou a versão em longa-metragem do seu documentário.. No mesmo ano as três irmãs receberam a Ordem do Mérito Cultural.

"As ceguinhas fizeram parte da minha infância e juventude, cantando pelas calçadas de Campina, antes de acontecerem filme, CD, shows", recordou em sua página no Facebook o escritor e pesquisador Braúlio Tavares. " Meio velhinhas, meio ameninadas, pessoas muito frágeis e incrivelmente resistentes. E que encontraram na música uma forma de tornar o mundo mais bonito para si mesmas, e, por tabela, para nós". 

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