quarta-feira, 23 de agosto de 2017

..o diabo, ah, o diabo mora nos detalhes..Micheliny Verunschk.(capturas do Facebook)


para dizer sobre ela, copio seu estilo....admiro esta criatura, não só como pessoa ,onça, leoa, como grande escritora e poetisa.Agora flagro-a no facebook, em que suas palavras são as minhas; assim além de tudo pensamos próximos, aqui vai...
paulo vasconcelos

Micheliny Verunschk -onça verunschk

por que é importante a demarcação de territórios da literatura escrita por pessoas que vêm das fileiras de alguma minoria, se não é o fato de ser minoria que lhes garante qualidade (qualidade literária, essa categoria móvel segundo os interesses da crítica)? porque é justamente o fato de pertencerem a alguma minoria que, de partida, as invisibilizam. a qualidade literária do livro escrito por uma mulher ou negro ou índio ou homossexual só interessa se conseguem driblar o "crivo do cânone". o livro escrito por um homem, branco, ocidental, de partida não precisa desse jogo de corpo.
anos atrás eu dizia "não existe literatura feminina, negra, indígena, gay, dos anjos. existe literatura". isso no mundo ideal. no mundo real é preciso etiquetar para excluir. a literatura feita por pessoas vindas de minorias precisa, no mundo real, estar sempre justificando sua existência, precisa sempre pedir licença para estar onde quiser estar. para que eu escreva bem é preciso que eu escreva apesar de. apesar de ser mulher, por exemplo. ou que o autor X esconda sua cor, sua identidade.
quando Manuel da Costa Pinto fala, por exemplo, que os autores convidados por essa Flip atendem a expectativas extraliterárias o que ele quer dizer, sem rodeios, é que aquele lugar não deveria ser ocupado daquela forma ou "o que eles estão fazendo ali?". uma questão como essa nunca seria colocada para autores homens, brancos ou que correspondam às expectativas do "crivo do cânone".
o diabo, ah, o diabo mora nos detalhes.


*Micheliny Verunschk (RecifePernambuco1972) é uma poetisa, romancista e historiadora brasileira.

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