terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Pernambucana vence disputa nacional de poesia e vai para etapa mundial em Paris

Interessante matéria do Diário de Pernambuco. A poesia como crítica social....vale a pena...
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Isabella Puente versou sobre racismo, machismo e a 'identidade nordestina', destacando os preconceitos http://bit.ly/2kKA6AU
Da última quinta-feira (14) até domingo (17), Isabella e poetas de diversos lugares do Brasil se apresentaram no Sesc Pinheiros. A competição consiste na performance de textos autorais de até três minutos, que podem discorrer sobre temas variados, com inspiração na prática batizada de slam poetry que surgiu na década de 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, em um movimento encabeçado por Marc Smith. Dentre temas como machismo, racismo, a ideia de depredação do patrimônio público e o adoecimento psicológico de jovens em decorrência da pressão da sociedade capitalistas, a pernambucana versou a respeito do e a identidade nordestina, com destaque para o próprio estado. 

"Nordeste tem nove estados, nem vem dizer que não sabia. Sul e Sudeste têm IDH foda, mas não tem aula de geografia. De onde eu venho, nós 'fala' 'oxe, eita carai, misericórdia, minha fia'. Ataque. Ator de novela quando imita nosso sotaque. É que pra vocês, nós somos caricatura. Não importa de onde eu venho, me chamam de "paraíba". Me respeita, boy. Sou da terra de Capiba! Mestre Vitalino, Paulo Freire, Manoel Bandeira, brega, frevo, coco de roda, maracatu, cultura popular pulsante!", recita Isabella em uma das apresentações, que, postada pela irmã no Facebook, se tornou viral. 

Ela explica que tem família carioca por parte de mãe e sempre sentiu na pele o preconceito por ser nordestina. "Como boa pernambucana, sou bairrista e comecei a refletir sobre questões que eu não via nos slams, que era essa relação do Nordeste com o Sudeste. Minha família do Rio de Janeiro é pobre e, mesmo sendo classe média no Recife, as pessoas de lá se sentiam melhores do que a gente, nos chamando de 'paraíba'", reflete, citando que, todo o Norte - cerca de 45,25% do território nacional - estava representado por apenas uma pessoa, enquanto cinco paulistas competiam na disputa. 

Com o título nacional, Isabella agora dividirá o tempo entre a dissertação do mestrado e a observação da competição internacional, que ela enfrentará em Paris em maio do ano que vem. Assim como ocorreu para a viagem a São Paulo, deve receber apoio para custear a viagem. "Preciso estudar e ver vídeos do que os artistas de outros países fazem por lá. "É uma felicidade muito grande por todo o compromisso e dedicação, estou muito feliz por ser de Pernambuco e do Nordeste", comemora. 

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