domingo, 24 de junho de 2018

O Facebook e a extrema direita..por Mirela Filgueiras Brasil 247



Temos nos salvado, mesmo com colete salva  vidas , ainda precários, em pleno mar de tubarões da elite e midiias, qual  dinossauros atualizados, ressuscitados pelo  Capital Internacional.Sim quero com isto dizer -do colete como as novas mídias alternativas, a exemplo do Brasil 247 e outros, diante da selvageria da política no mundo atual e, claro do Brasi, manipulada pelas mídias e seus conglomerados pútridos.

Há muito desdenho do que se chama Redes Sociais, pois na verdade são redes de  sociedade duvidosa.O Facebook é um desses tubarões associados aos dinossauros.
O artigo de Mirela espelha esse tissuname  em que vivemos no mundo e especial no BRASIL.A tecnologia do ciberespaço sempre me cheirou ao serviço do  capital  dominador e uma espécie de espião travestido.Os indivíduos que entram nessas redes as vezes ingenuamente , ou de propósito espelham a perversão deste homem que se afoga  nesse marasmo.

Baudrillard,Phillipe Breton já antevira esse simulacro perverso, esse culto ou uma ameaça ao laços sociais. Eses ja faziam a critica do Culto às redes na obra do leviano Pierre Levy. Este ultimo acreditava na ágora democrática  das redes, a fazer com isto  barbarismo de uma verdadeira ideologia de direita a serviço  dos americanos, da escola de Palo Alto. Nasciam ali as utopias invernizadas de Weiner.
O português J. Paulo Serra já procedia a criticas  da Internet:


"Aplicada à Internet, esta observação pode ser lida de duas formas: uma, no sentido em que a Internet – ou, para sermos mais rigorosos, a sua antepassada Arpanet –, pensada para ser um instrumento políticomilitar ao serviço da guerra fria, se veio a transformar num meio de comunicação ao serviço da partilha da informação e da comunicação interpessoal, e, pelo menos em princípio, como um instrumento ao serviço da paz e da cooperação entre os homens; outra, no sentido em que a Internet parece ter vindo a tornar-se, nos últimos tempos, em mais um instrumento ao serviço das estratégias de concentração do capitalismo mediático, limitando ou mesmo anulando as suas potencialidades iluministas e libertadoras enquanto meio de comunicação.7 Que tenhamos esperado tão pouco ou que esperemos demasiado da Internet como meio de comunicação deve-se, talvez, ao facto de a nossa ingenuidade em relação aos meios de comunicação ser, ainda, praticamente do tamanho da do deus Toth;" https://bit.ly/2t9xSjn

O Facebook e a extrema direita

https://bit.ly/2lh4cMU

18 de Junho de 2018





O Facebook é a maior rede social do mundo e a mais utilizada entre os brasileiros. De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, “Entre as redes sociais e os programas de trocas de mensagens instantâneas mais usadas (1º + 2º + 3º lugares), estão o Facebook (83%), o Whatsapp (58%), o Youtube (17%), (...).” (SECOM, 2014).
A maioria desses usuários está em busca de noticias. “76% das pessoas acessam a internet todos os dias, (...). Eles estão em busca, principalmente, de informações (67%) – sejam elas notícias sobre temas diversos ou informações de um modo geral.” (SECOM, 2014). O problema é que o conteúdo dessas notícias é muitas vezes falso. 
“As notícias falsas tornaram-se a erva daninha que ganhou terreno fértil na era digital. Imitam o estilo jornalístico, mas sem o menor compromisso com a realidade. Ao contrário. São criadas a partir de personagens conhecidos mas com suas falas distorcidas, ou inventadas, para confundir leitores, e amplificar sentimentos de rejeição ao alvo escolhido. Assim, as fake news têm colaborado para piorar a qualidade da política e das relações sociais mundo afora.” (EL PAÍS, 2017).
Muitas fake news, além do conteúdo mentiroso, também propagam discurso de ódio e preconceitos. Este vínculo já está sendo reconhecido e combatido na Alemanha. 
“O gabinete de governo alemão aprovou (...) um projeto de lei que prevê multas de até € 50 milhões contra os gigantes da indústria online que não removerem em uma semana discurso de ódio e as chamadas "fake news" (notícias falsas) divulgadas por usuários em suas plataformas. (...) O governo alemão disse que foi forçado a tomar tal ação porque ‘atualmente há uma mudança enorme no debate online’. ‘A cultura do debate online é muitas vezes agressiva, nociva e cheia de ódio’, afirmou Berlim. ‘Por meio de crimes de ódio, qualquer pessoa pode ser difamada por causa de sua opinião, cor da peleou origem, religião, gênero ou orientação sexual.’." (WELLE, 2017)
Esse ódio, compartilhado através de notícias falsas, já é motivo de preocupação acadêmica. A Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), em conjunto com o jornal EL PAÍS, promoveu, em maio deste ano (2017), o debate Fake News: Os riscos e o impacto das notícias falsas na era digital, a fim de discutir “como notícias falsas distorcem a realidade” e como a “disseminação de informações inventadas fomenta o ódio mundo afora” (EL PAÍS, 2017).
Discursos de ódio, banalizados em frequentes mensagens de mídia, podem ser incorporados na formação ideológica dos receptores. Thompson considerou quatro aspectos negativos que o desenvolvimento da mídia trouxe para o self, para a personalidade das pessoas, dentre eles, a intrusão mediada de mensagens ideológicas “nos contextos práticos da vida diária” ajuda a explicar como mensagens da mídia “podem assumir um papel ideológico bastante poderoso”.
Thompson expandiu o conceito de ideologia acrescentando que as formas simbólicas, “em circunstâncias particulares”, podem servir como ideologia “para estabelecer e sustentar sistematicamente relações assimétricas de poder” depende “de como serão recebidas pelo indivíduo e incorporadas reflexivamente em sua vida” (THOMPSON, 1998, p. 186).  
A palavra ideologia sofreu uma ressignificaçao que a distanciou do seu significado epistemológico do saber científico e a aproximou do senso comum do que seria a “atitude natural” na sociedade.
"Quando Karl Marx escreveu A ideologia alemã, ajudado pelo amigo Friedrich Engels, mudou o significado de “ideologia” de maneira bem fundamental: a “ideologia” do título referia-se ao que faziam os autoproclamados    “ideólogos”,   ou melhor, ao que pretendiam ou supunham estar fazendo — isto é, o próprio projeto de estimular as ações humanas adequadas pelo manejo das idéias dos autores. " (BAUMAN, 2000, p. 96).
Estes “ideólogos” de hoje são jornalistas, blogueiro e colunistas que têm como trabalho direcionar a opinião popular a fim de apoiar a retomada do poder político pela direita. Outros são jovens ou “outsiders”que buscam seguir carreira como políticos a partir da fama gerada por postagens em paginas de direita no Facebook. Além de políticos já eleitos. 
Qual o impacto de tanto ódio na volta de ideologias nazifascistas ao cenário contemporâneo brasileiro? Afinal, as fake news com viés de extrema direita são propaganda nazifascista para atingir os jovens eleitores?
Como conquistar corações e mentes
Para responder essa questão levemos em consideração que O MBL (Movimento Brasil Livre), por exemplo, não é formado por jovens à toa. São os jovens, ávidos usuários da Internet, o público alvo das fake news. “Os dados mostram que 65% dos jovens com até 25 anos acessam internet todos os dias.” (SECOM, 2014). 
“A internet desempenhou um papel muito importante para o crescimento da                direita no País”, diz a cientista política Camila Rocha, uma das precursoras no estudo do tema. “Com a internet, vários grupos de jovens, que se sentiram órfãos de uma explicação para a crise e decepcionados com a corrupção nos governos do PT, passaram a acessar um conteúdo liberal, que antes era de alcance restrito.” (FUCS, 2017). 
Erik Erikson, na obra Teoria do Desenvolvimento Humano, afirma que é justamente na adolescência (dos 12 até os 18 anos) que ocorre o estágio da Identidade x Confusão da Identidadecaracterizado pela formação da própria identidade e, dentre outras coisas, pela busca ideológica a se seguir.
Ainda segundo Erikson, é neste período, de formação de uma identidade psicossocial, que o adolescente desenvolve valores como a fidelidade, despertando sentimentos de continuidade com a integração ideológica. A perversão da ritualização da ideologia é o totalitarismo, o fanatismo e o risco de adolescentes se integrarem em grupos nazistas e fascistas.
Também para Vigotski a adolescência é o período de desenvolvimento de conceitos científicos, pensamentos abstratos, lógicos, de estruturação do comportamento do jovem, sendo a personalidade “o conjunto de relações sociais.” O autor dá grande importância às interações sociais: “As funções psíquicas superiores criam-se no coletivo.” (VIGOTSKI, p.15).
Aberastury e Knobel ressaltam o momento delicado da adolescência “O adolescente apresenta uma vulnerabilidade especial para assimilar os impactos projetivos de pais, irmãos, amigos e de toda a sociedade. Ou seja, é um receptáculo propício para encarregar-se dos conflitos dos outros e assumir os aspectos mais doentios do meio em que vive” (ABERASTURY e KNOBEL, 1981, p. 10). A ideologia nazifascista exalta muitos desses “aspectos mais doentios” da nossa sociedade.
#Bolsonaro2018       
Existe um político brasileiro, cuja “especialidade é matar”, que serve como prova de que a ascenção dessa nova direita brasileira, que flerta com ideais nazifascistas, encontra maior propagação entre os mais jovens.
De acordo com a matéria de Leandro Machado para a BBC Brasil:  “Por que 60% dos eleitores de Bolsonaro são jovens? “60% dos eleitores de Bolsonaro têm entre 16 e 34 anos. Desses, 30% têm menos de 24 anos.” Bolsonaro, político de um partido inexpressivo (PSC-RJ) e de carreira política insignificante (em 26 anos no Congresso Nacional aprovou apenas dois projetos de lei), só figura entre os presidenciáveis porque “é um dos principais atores políticos nas redes sociais - e que parte de sua força entre jovens pode derivar desse fato” pois, ainda de acordo com a matéria, uma pesquisa do Ibope revelou que 90% dos eleitores de Bolsonaro têm acesso à Internet. (MACHADO, 2017)
O alvo é a esquerda 
Conclui-se que há uma elaborada campanha antidemocrática e de extrema direita que procura condicionar os jovens a odiarem a esquerda, negarem o devido processo legal e democrático e escolherem o fascismo, o ódio e a intolerância, com o objetivo de retomar o poder e a agenda neoliberal na política brasileira. “Levantamento realizado por pesquisadores do Instituto da Internet da Universidade de Oxford mostra que grupos conservadores de extrema direita são os maiores responsáveis pela disseminação de notícias falsas ("fake news") nas redes sociais.” (RAM e BLOOD, 2018).
O alvo das fake news é a esquerda, seus políticos e até familiares.  Como exemplo, temos um dos maiores boatos do Brasil nos últimos anos: Lulinha é o dono da Friboi. A repercussão e crendice foi tanta que até o  “procurador que interrogava o empresário Joesley Batista, da JBS, que firmou delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, utilizou o boato espalhado nas redes sociais e correntes de Whatsapp para saber se isso era verdade.” (BRASIL247, 2017).
A origem da fake news sobre Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, ainda é incerta. De acordo com a matéria de Gilberto Nascimento  veiculada no Brasil Econômico: “O coordenador do departamento Administrativo, Financeiro e de Recursos Humanos do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), Daniel Graziano” está sendo investigado. Ele já foi intimado quatro vezes e não compareceu a nenhuma. “O investigado é filho de Xico Graziano, assessor da Presidência do iFHC, instituto criado pelo próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando deixou o Palácio do Planalto. Homem de confiança de FHC, Xico comanda a área de Internet da pré-campanha do presidenciável Aécio Neves (PSDB).” (NASCIMENTO, 2014).                   
Percebe-se também que as fake news e o Facebook trabalham em uma harmonia muito suspeita. Atualmente a rede social está enfrentando problemas na justiça, “autoridades americanas e europeias cobram explicações dos donos da firma sobre o desvio de dados de 50 milhões de pessoas” (MARTÍ, 2018). O roubo de informações teve por objetivo favorecer a campanha presidencial do candidato da extrema direita estadunidense, Donald Trump. “a consultoria política Cambridge Analytica, (...) teve acesso a informações pessoais de clientes do Facebook para manipular a eleição presidencial americana de 2016 a favor de Donald Trump” (MARTÍ, 2018).


Mirela Filgueiras

    MIRELA FILGUEIRAS
    JORNALISTA, COM ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIAS DA COMUNICAÇÃO E DA IMAGEM. TEM EXPERIÊNCIA NAS ÁREAS DE WEBJORNALISMO, ASSESSORIA, RÁDIO E TELEVISÃO. ESTUDA AS RELAÇÕES ENTRE CIBERCULTURA E JORNALISMO
    BIBLIOGRAFIA
    ABERASTURY, Arminda e KNOBEL, M. Adolescência Normal – um enfoque psicanalítico, Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.
    BAUMAN, Zygmunt. Em busca da política, Zahar, 2000.
    BRASIL247. PGR quis saber se lulinha era sócio na Friboi. Disponível em: < https://www.brasil247.com/pt/247/poder/297448/PGR-quis-saber-se-Lulinha-era-s%C3%B3cio-na-Friboi.htm: 29 ago.2017.
    FUCS, José. Estado de São Paulo. A ‘máquina’ barulhenta da direita na internet. Disponível em: < http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,a-maquina-barulhenta-da-direita-na-internet,70001714254>. Acesso em: 21 ago.2017.
    MACHADO, Leandro. Por que 60% dos eleitores de Bolsonaro são jovens?. Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41936761>. Acesso em: 02 mar.2017.
    MARTÍ, Silas. Facebook vira alvo de processos nos EUA. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/facebook-vira-alvo-de-processos-nos-eua.shtml>. Acesso em: 17 abr.2018.
    NASCIMENTO, Gilberto. Filho de assessor de FHC é convocado para explicar boatos contra Lulinha. Disponível em: < http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-04-24/filho-de-assessor-de-fhc-e-convocado-para-explicar-boatos-contra-lulinha.html>. Acesso em: 29 ago.2017.
    PAÍS, EL. O mundo governado por mentiras das ‘fake news’ abre ciclo de debates FAAP-EL PAÍS.  Disponível em: <  https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/30/politica/1493559929_642710.html>. Acesso em: 23 ago.2017.
    RAM, Aliya e BLOOD, David. Ultradireita lidera 'fake news' nas redes. Disponível em: <http://www.valor.com.br/internacional/5311355/ultradireita-lidera-fake-news-nas-redes>. Acesso em: 16 mar. 2017.
    SECOM, Secretaria de Comunicação Social. Presidência da República. Pesquisa brasileira de mídia 2015 : hábitos de consumo de mídia pela população brasileira. Brasília: Secom, 2014.  Disponível em: <  http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2015.pdf>. Acesso em: 21 ago.2017.
    THOMPSON, Jonh B. A Mídia e a Modernidade: uma teoria social da mídia. Rio de Janeiro: Vozes Editora, 1998.
    VIGOTSKI, Lev S. Manuscrito de 1929. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v21n71/a02v2171.pdf>. Acesso em: 29 ago.2017.  
    WELLE, Deutsche. Folha de São Paulo. Avança na Alemanha proposta contra discurso de ódio na internet. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1872829-avanca-na-alemanha-proposta-contra-discurso-de-odio-na-internet.shtml>. Acesso em: 20 ago.2017. 

    Nenhum comentário: