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segunda-feira, 10 de maio de 2021

Dulce Pereira: A necroengenharia domina a mineração brasileira-VIOMUNDO


Da Redação VIOMUNDO ...https://bit.ly/33fKEhX

Dulce Maria Pereira*, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, é uma das mais renomadas estudantes da mineração e seus impactos no Brasil.

Depois de estudar detalhadamente os métodos aplicados pela indústria em seu próprio estado — inclusive nos desastres de Mariana e Brumadinho, que devastaram os vales dos rios Doce e Paraopeba — ela agora tem se debruçado sobre a Amazônia.

Dulce acredita que chegou o momento de transformar o tema em debate nacional, uma vez que o Brasil está repetindo fora de Minas o mesmo processo de extração mineral baseado na necroengenharia, que basicamente empurra para debaixo do tapete os rejeitos, concentra a riqueza na mão de poucos e corrompe o Poder Judiciário para perpetuar práticas que desconsideram os seres humanos.

LEIA MAIS EM:...Dulce Pereira: Chineses vem ao Brasil em busca de terras raras e a necroengenharia pode acelerar devastação ambiental - Viomundo

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sábado, 8 de maio de 2021

ONU se diz 'perturbada' com chacina na favela do Jacarezinho- por OPERA MUNDI E OUTROS CRÉDITOS CONSIGNADOS

 

Reprodução/Twitter UNE
Protesto contra chacina no Jacarezinho; ONU se disse 'perturbada' com operação policial

https://bit.ly/3b8PDFG

ONU se diz 'perturbada' com chacina na favela do Jacarezinho


Acnudh cobrou abertura de "investigação independente, completa e imparcial, de acordo com padrões internacionais"

REDAÇÃO

ANSA ANSA

São Paulo (Brasil)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (Acnudh) afirmou nesta sexta-feira (07/05) que está "profundamente perturbado" com a chacina que culminou na morte de 25 pessoas, incluindo um policial, na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.

Em conversa com jornalistas em Genebra, o porta-voz do Acnudh, Rupert Colville, lembrou que "o uso da força deve ser aplicado apenas quando for estritamente necessário" e que é preciso "respeitar os princípios da legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade".

"Estamos profundamente perturbados pelas mortes", acrescentou o representante do órgão de direitos humanos da ONU. O Acnudh ainda cobrou a abertura de uma "investigação independente, completa e imparcial, de acordo com padrões internacionais".

Além disso, questionou o modelo brasileiro de policiamento em favelas, "que estão presas em um ciclo vicioso de violência letal com um impacto dramático e adverso sobre populações que já sofrem".

ESCRAVIDÃO E JACAREZINHO - O sistema colonial que se instalou no “novo mundo” depois da invasão das Américas precisava de mão-de-obra para fazer o trabalho andar. Foi assim que os países ricos da época – Inglaterra e Holanda - começaram um comércio até então inédito: o de gente. Levavam os navios para o continente Africano, sequestravam gente, e levavam para a América para trabalhar como escravo. Foram séculos dessa infâmia.

No caso do Brasil, quase dois milhões de pessoas …
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quarta-feira, 5 de maio de 2021

ADEUS PAULO GUSTAVO!! MAIS UMA VIDA SE ESVAI....

 


BRASIL 247 FOTO DIVULGAÇÃO

 MATÉRIA BRASIL 247  ...https://bit.ly/3b2rf8l


247 - O ator Paulo Gustavo morreu aos 42 anos na noite desta terça-feira (4) após complicações resultantes da Covid-19. Ele estava hospitalizado desde o dia 13 de março no Rio de Janeiro e, diante do agravamento da doença, foi levado para uma UTI, mas acabou piorando na segunda-feira, 3.

Nesta terça, novo boletim médico divulgado pela assessoria de imprensa de Paulo Gustavo apontou "irreversibilidade do quadro" do ator.

“Após a constatação da embolia gasosa disseminada ocorrida no último domingo, em decorrência de fístula brônquio-venosa, o estado de saúde do paciente vem se deteriorando de forma importante. Apesar da irreversibilidade do quadro, o paciente ainda se encontra com sinais vitais presentes”, disse o boletim.

A piora de Paulo se deve a uma embolia gasosa, que é um problema grave no sistema circulatório que acontece quando bolhas de ar entram na circulação sanguínea. Isso faz com que haja obstruções na passagem do sangue, que terminam por ocasionar problemas de oxigenação das células.

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

AINDA JOÂO CABRAL E O LIVRO DE KAHÊ Sérgio de Castro Pinto

 

FOTO POETA SÉRGIO DE CASTRO PINTO -PB ARQUIVO PARTICULAR VIA FACE

João Cabral de Melo Neto repetia à exaustão que existem dois grupos distintos de poetas: os que escrevem por excesso de ser e os que escrevem por carência de ser. Os primeiros, conforme o autor de “A Educação pela Pedra”, articulam um discurso caudaloso, torrencial, sempre na primeira pessoa do singular, enquanto os últimos são comedidos, avaros, no que diz respeito às efusões líricas, além de converterem o poema num complemento, num acessório, num ponto de equilíbrio que lhes confere uma certa sensação de completude.
A contrapelo, substantiva, a poesia de João Cabral lembra o atrito de pedra contra pedra, filiando-se ao segundo grupo, embora quando discorresse a respeito do desempenho dos toureiros, dos artistas plásticos e dos poetas, o eu-lírico falasse sobre si mesmo, dado a sua incapacidade de se “outrar”. Em outras palavras, Cabral foi um lírico disfarçado, um lírico que se cumpria por vias transversas, pois, passando a falsa impressão de que falava sobre os outros, falava, na verdade, a respeito dos seus mecanismos de criação, a propósito dele mesmo, conforme ratifica o diálogo que manteve com o psicanalista espanhol López Ibor: “Levei-lhe o volume ‘Duas águas’ que ele leu e comentou dizendo: ‘O que me impressiona é a sua obsessão pela morte! ’ Eu retorqui: A morte de que eu falo não é a rilkeana, é a morte social, do miserável da seca, no mangue, não é a minha. E ele disse-me uma coisa engraçada: ‘Aí é que o senhor se engana: o senhor fala em morte social para exorcizar o seu medo da morte”. E concluiu João Cabral: “Realmente tenho muito medo da morte”.
A professora e ensaísta Selma Vasconcelos, no livro “João Cabral de Melo Neto – Retrato falado do poeta”, acolhe um lúcido depoimento de Ferreira Gullar sobre a relação entre o homem Cabral e a poesia: “A razão da poesia de João Cabral é esta que já falei dele, psicológica inclusive, necessidade de ordem numa pessoa que tem uma fragilidade interior muito grande. Ele então se constrói, porque o mundo é inventado por nós, nós somos invenções nossas, nós nos inventamos, então João Cabral inventou o contrário do que ele era, ele se inventou um poeta racional, objetivo, equilibrado, formal”, conclui o autor de “Poema sujo”.
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“A Hóstia pela metade”- Julguei, num primeiro momento, que o título “A Hóstia pela metade”, de Carlos Kahê, reunia poemas de concepção barroca, pois se parte da hóstia fora extraviada para viver, quem sabe, uma experiência mundana, temporal, profana, a outra metade permanecera cumprindo o ritual sagrado da eucaristia. Equivoquei-me, uma vez que não se trata de um livro de poemas marcantemente barrocos, embora a maioria quase absoluta dos livros – incluindo, aqui, o de Kahê –, independente do gênero e da época em que tenham sido lançados, registrem o conflito, a dialética tensão do homem entre o sagrado e o profano. Claro, não estou aqui sustentando a vetusta tese de um barroco atemporal, de um romantismo atemporal ou de qualquer outra periodização literária atemporal, hipótese já devidamente arquivada pelos estudiosos da literatura.
O título também me sugeriu se tratar de um livro cujos poemas, de fatura hermética, não permitiam uma comunhão efetiva e plena entre o eu-lírico e o receptor. Ledo engano, já que os poemas de Kahê primam pela comunicação imediata, direta, livre da interferência de todo e qualquer ruído que possa comprometer a leitura fluente que eles nos proporcionam. Só posteriormente é que me dei conta: o título do livro, Kahê o extraiu do último verso do último poema: “(...) Ninguém entra numa comunhão pensando em comer a hóstia pela metade”.
Pois bem. Levando-se em conta a distinção estabelecida por Cabral entre os poetas que escrevem por carência de ser e os que escrevem por excesso de ser, creio que Carlos Kahê pertence ao segundo grupo no que esse possui de caudaloso, de transbordamento, mas também – e aqui contrariando a tese cabralina – do propósito de converter a poesia numa espécie de ponto de equilíbrio para neutralizar a sensação de “não estar de todo”, procedimento usual de todos ou quase todos que escrevem, e não só dos que criam por carência de ser, como quer João Cabral de Melo Neto. Inclusive, é bom lembrar que Fernando Pessoa, apesar do discursivo heterônimo Álvaro de Campos, já dizia (cito de memória) que “A arte existe porque a vida por si só não é suficiente”.
Guardadas as devidas proporções, a poesia de Carlos Kahê possui alguma similitude com a dicção loquaz, agônica, de um Augusto Frederico Schmidt, com a dos poetas que se gastam “de dentro para fora” e cuja dicção lírica se perfaz a partir dos “seus desabafos e de suas circunstâncias”.
Enfim, vale a pena a leitura de “A Hóstia pela metade”, lançamento da Kotter Editorial, Curitiba, Paraná, 2020.