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segunda-feira, 29 de abril de 2019

A CULTURA EM DEMOLIÇÃO -SOS-




CELIO TURINO por encurtador.com.br/jzD89





Quem sabe , sabe, conhece bem, diz o famoso ditado popular. Celio Turino *conhece da matéria e destrincha a atual situação crítica da Cultura , através seus agente e produtores. 
Outras palavras convidou- o e teve uma matéria lúcida. 

encurtador.com.br/lquDE

Lei Rouanet e a cultura em demolição

Mexida nos incentivos culturais é tosca. Governo inviabiliza produções artísticas — entre elas, grupos experimentais e orquestras — e ameaça milhares de empregos, a pretexto de “combater marxismo cultural”


Por Célio Turino | Imagem: Cia Os Barulhentos, no espetáculo Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar (Matéi Visniec)
Não é algo atabalhoado, é projeto. Projeto de desmonte da cultura e das artes, é ataque à alma de um povo. Não me refiro especificamente à lei, que tem falhas e pontos a serem mudados e aperfeiçoados, mas ao sentido de demolição de todo um sistema de financiamento da Cultura. Percebendo que não tinha condições de acabar com a lei, pura e simplesmente, por medo e incapacidade para enfrentar o debate, o governo Bolsonaro toma as seguintes medidas:
a) Mudança no nome da lei, tirando a referência ao seu idealizador, Sérgio Rouanet, diplomata e intelectual refinado, ministro da Cultura durante o governo Collor, que agora passará a ser chamada de Lei de Incentivo à Cultura;
b) Definição de um teto de R$ 1 milhão para projetos e R$ 10 milhões para um único proponente. Excluindo restauração de patrimônio histórico, construção de equipamentos culturais em pequenos municípios e e programação continuada de Museus e Instituições Culturais, incluindo orquestras; também estabelece um patamar de R$ 6 milhões para Festas Populares e eventos regionais, não deixando claro se aí incluem festivais (cinema, teatro…) de quaisquer natureza ou unidade da federação.
Basicamente são essas mudanças e a partir delas o governo promete uma maior democratização no acesso aos recursos, beneficiando novos artistas. Será?
Aos argumentos e aos fatos.
Primeiro, sobre o contexto na mudança da lei, que acontece a partir de um deliberado processo de difamação e insulto aos artistas e fazedores de cultura, como se fossem um bando de aproveitadores a desviarem recursos públicos. Esse é um crime que vem sendo ardilosamente cometido contra a alma e a criatividade brasileira. Dos povos e civilizações, o que sobra como herança são exatamente a cultura, o pensamento e as artes. Ao nos referenciarmos ao Egito somos remetidos às pirâmides; à Grécia antiga, à filosofia, às esculturas, à literatura e o teatro; ao Renascimento, às obras de Da Vinci, Michelangelo, Rafael… . Cultura é o que pereniza as civilizações, por isso remete à alma, ao profundo, ao sensível. Atacando a cultura, os artistas e pensadores, o que se corrói é a alma, a sensibilidade e a capacidade de criação do povo. É nesse contexto que se inserem os ataques e difamações.
Já houve duas CPI sobre a lei Rouanet. Em nenhuma das situações foram encontrados desvios cometidos por artistas e produtores de referência, os chamados artistas de esquerda ou liberais, contra os quais se fomenta a insultos e ódio. Ao contrário, quando foram apurados desvios, esses aconteceram em situações isoladas e estavam circunscritos a poucos empresários corruptos, em conluio com patrocinadores, cometidos por desconhecidos do grande público e mesmo do campo da cultura, sem envolvimento de artistas. Há distorções na lei? Sem dúvida, sobretudo na concentração da captação, mas isso se deve à própria natureza do mercado patrocinador. É possível aperfeiçoar a lei, tornando-a mais democrática? Sim. Há proposta para isso? O Pró-Cultura, que tramita há anos no congresso, e que foi resultado de um profundo processo de consulta pública junto à sociedade.
Que mudanças positivas seriam essas? A desburocratização na análise de propostas, definição de parâmetros, peso maior para propostas fora do eixo mais atraente para o mercado de patrocínio, incentivando captação para projetos de menor apelo comercial, inovadores, ou realizados nas periferias das grandes cidades, pequenos municípios, ou regiões que recebem menos investimentos, como norte e nordeste. Houvesse boa intenção para melhorar a lei de financiamento à cultura, a proposta se daria pelo aperfeiçoamento no Pró-Cultura e na sua agilização no Congresso. As alterações ora apresentadas contemplam esse aperfeiçoamento? Não. Ao contrário, desestruturam todo o sistema de financiamento à cultura no Brasil.
A lei Rouanet, em que pesem falhas e críticas, é um fato no Sistema de Financiamento da Cultura, quando única fonte de financiamento público, gera distorções, mas quando combinada com outros mecanismos, como fortalecimento de Fundos Públicos e financiamento direto para além do Mercado, ela cumpre um papel necessário e que não pode ser desmontado. Antes de demonstrar os motivos pelo qual acontecerá a desestruturação, vamos aos dados relativos ao “mundo” da cultura e das artes no Brasil. Rapidamente, e, para além dos benefícios intangíveis, por civilizatórios e humanistas, da cultura e da arte, concentremo-nos em dados econômicos e objetivos:
Participação da Cultura e das Artes no PIB nacional: 2,64% (aproximadamente R$ 80 Bilhões);
Empregos Diretos: 1 milhão:
Empresas: 250 mil (a maioria micro e pequenas);
Impostos Diretos: R$ 10,5 bilhões;
Captação anual, via renúncia fiscal da lei Rouanet: R$ 1,2 bilhão (menos de 10% dos impostos arrecadados pela cultura; 0,3% do total de incentivos e renúncias fiscais no Brasil – em torno de R$ 400 bilhões);
Retorno à economia para cada real investido na cultura por meio da lei Rouanet: R$ 1,59 (ganho de 59% sobre a renúncia fiscal).
Fonte: FGV (Fundação Getúlio Vargas, em pesquisa encomendada pelo Ministério da Cultura, 2018).
É esse ambiente de negócios (para nem entrar na questão subjetiva, da importância das artes, da cultura e do pensamento para o desenvolvimento de um povo) que a proposta de mudança na lei Rouanet está desestruturando. A renúncia fiscal é um dos pilares do Sistema de Financiamento da Cultura. Quando o Ministério da Cidadania define um teto indiscriminado, ele praticamente inviabiliza uma série de produções artísticas. Um milhão é mais que suficiente para bancar um monólogo ou comédia em teatro, ou edição de um livro ou gravação de álbum musical. Isso já acontece, tanto que 66,3% dos patrocínios efetivamente captados, são para projetos com valores inferiores a R$ 25 mil, ou seja, para esses, a mudança na regulamentação da lei é inócua. Mas, e para uma grande produção teatral, um musical, com dezenas de pessoas em palco, orquestra, figurinos, cenotecnia? Um grande espetáculo de teatro emprega dezenas, por vezes uma centena de pessoas. Neste caso, um milhão, por óbvio, é insuficiente. O mesmo para uma turnê nacional, com uma grande banda ou orquestra. Um grupo de pesquisa e experimentação artística, que passa meses em preparação e ensaio, sem possibilidade de bilheteria. Também com cinema, agravado com a crise gerada pela paralisação do Fundo Setorial do Audiovisual.
Há outro agravante na desestruturação provocada pela mudança na regulamentação da lei Rouanet: a exigência de que projetos beneficiados ofereçam entre 20% a 40% em ingressos gratuitos. O equilíbrio financeiro de um espetáculo artístico acontece na combinação entre bilheteria e patrocínio. Por certo, ao aumentar a gratuidade, o valor dos ingressos pagos irá aumentar, afastando público e onerando ainda mais os que se dispuserem a pagar pelo ingresso. Interessante que esta proposta parte de um governo que se ufana liberal na economia. Por analogia, todos os demais setores da economia beneficiados por incentivos fiscais também deveriam oferecer produtos gratuitos e nessa dimensão? Já há determinação de 10% em gratuidades na cultura, exigir um esforço além disso irá arrebentar com o equilíbrio financeiro das produções artísticas. Seria o mesmo que exigir da indústria automobilística, beneficiada com muito mais incentivos fiscais e gerando muito menos empregos, que entregasse de graça entre 20% a 40% dos automóveis que produz. Por que essa exigência acontece com a Cultura? Cacilda Becker, grande atriz no teatro nacional, quando instada a se apresentar de graça, respondia: “-Não peça para que eu entregue de graça o único bem que tenho para vender”. Artista também come, tem que morar, pagar despesas escolares dos filhos. Uma exigência destas, em norma de Estado, é, no mínimo, uma provocação, um desrespeito.
Juntemos a essas medidas os seguintes fatos: 
a) extinção do Ministério da Cultura; 
b) desde janeiro de 2019 o extinto MinC não analisa um único projeto para a lei de Incentivo à Cultura; 
c) a decisão do TCU e ANCINE em paralisar todos os novos convênios de audiovisual, enquanto as prestações de contas de processos anteriores não forem concluídas; 
d) decisão da Petrobras, e demais estatais, em não mais realizar patrocínios para a cultura, ou mantendo cortes significativos; 
e) pressão do Ministério da Economia para redução de recursos para o Sistema S (no caso de São Paulo, o SESC é o maior financiador da cultura, com projetos de refinada qualidade artística e baixo custo para o púbico); 
f) redução orçamentária para a cultura, não somente no governo federal, mas com cortes orçamentários também nos estados e municípios (vide cortes no estado de São Paulo);
g) praticamente paralisia, que já vem de anos, no lançamento de editais para financiamento direto, via recursos orçamentários, para projetos culturais e artísticos de cunho não comercial.
Assim vão concretizando os ataques de esmagamento, por meio da Guerra Cultural artificialmente criada pelos grupos instalados no poder de Estado. Mas as artes, a cultura e o pensamento vão resistir e hão de vencer! Isso porque diante da Cultura estão abertos todos os caminhos do mundo, e do futuro, pois “…chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!” (Mário Quintana). E iremos mais longe, com ousadia, com invenção e coragem!
*

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Lula: "O golpe não se concluiria com o Lula em liberdade"





A fala de um brasileiro que demonstra  lucidez, a humanidade frente ao PERVERSO JUDICIAL.Um golpe contra um líder mundial que no momento  contínua equilibrado e de extrema coerência mesmo diante de um cárcere orquestrado por pelegos vendidos ao neoliberalismo, destacadamente advindo das ordens e comandos norte-americanos.

Vendo e revendo os vídeos da entrevista de à FSP e El País é impossível não sentir a coragem desse homem, que pensa, age e vive os anseios do povo. A altivez, que não é orgulho; a força, que não é empáfia. Não há outra expressão que o classifique tão bem: estadista.

Abaixo texto El País

encurtador.com.br/arXY2


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se emocionou, em entrevista nesta sexta-feira  ao EL PAÍS e à Folha de S.Paulo, ao falar sobre o luto pelas mortes do irmão, Vavá, e do neto, Arthur.  "Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver", afirmou, ao refletir sobre os momentos mais tristes desde a sua prisão, em abril de 2018.

Ao longo de duas horas de conversa na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ele cumpre pena de 8 anos e 10 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá, Lula disse também ter "obsessão" em provar sua inocência. "A única coisa que eu quero é que julguem em função dos autos do processo. Eu não peço favor de ninguém, eu não quero o favor de ninguém. Eu só peço, pelo amor de Deus, julguem em função das provas. Porque eu tenho certeza, o Moro tem certeza, que eu sou inocente", afirmou.
VÍDEO POR EL PAIS YOUTUBE

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Matou a mãe e foi à TV Justiça- Marcelo Veras capturas do FACE



O Psicanalista e pensador Marcelo Veras, carioca radicado em Salvador, sempre se exprime no Face  com rajadas certeiras, sempre envolvendo o  campo da psicanálise mas atraindo outros temas do cotidiano nacional....degustem .Ah! também  fotografa compondo flash interessantes. Degustem o texto capturado do seu Face Paulo Vasconcelos







por BahiaJá



Marcelo Veras
Matou a mãe e foi à TV Justiça
Uma de minhas melhores referências sobre o comportamento humano não vem da psicanálise, mas do escritor premiado com um Nobel William Golding. O Senhor das moscas, seu livro maior, trata do destino de crianças refugiadas dos bombardeios sobre a Inglaterra cujo avião de evacuação cai em uma ilha deserta. Os pilotos morrem, sobrevivem apenas as crianças perdidas em uma ilha e que, para sobreviver, aos poucos reproduzem as leis dos homens, das guerras, mas também as leis da natureza.
Não creio que Golding tenha querido nos despertar para o lado animal que está em todos nós, mas de forma inquietante ele nos mostra como no limite de nossas relações entre humanos está a aniquilação do próximo e a prevalência das estruturas de poder.
A sanha que presenciamos atualmente entre os poderes em Brasília me fez lembrar O senhor das moscas. Os três poderes previstos na constituição deveriam perfazer um nó, tal como o nó borromeano de Lacan que une real, simbólico e imaginário. Esse nó não existe. Nenhuma harmonia é possível quando se abre mão do nome do pai sem que uma suplência volte a enodar os três registros.
Quem é o pai nessa história? Na verdade ele é uma mãe: a Constituição. Nada foi tão relegado à segundo plano do que a Constituição. Lhe é recusada a suposição de ser um dos Nomes-do-Pai que garanta a paz e a ordem. Isso não faz dos psicanalistas lacanianos um time de profetas do passado, que esclarecem perfeitamente o que deu errado, mas tarde demais. Me pergunto porque a Constituição fracassa em ser o nome do pai. Ela não ocupa a posição do pai da horda de Totem e Tabu. Na verdade, ela tem sido cuspida, estuprada, banalizada e rebaixada. Ou seja, descobrimos que a Constituição não é um Nome-do-Pai, mas uma mulher em um mundo que insiste em ser falocêntrico.
O final do livro de Golding mostra uma guerra encarniçada pelo poder, como se o projeto da humanidade fosse seu extermínio pela guerra entre os filhos. Lembrei-me também do filme Mãe, de Darren Aronofsky. Hoje conheci um STF de crianças canibais, que matam a mãe e começam a comer seu fígado. Essa constatação me faz pensar novamente no texto de Freud "Psicologia das massas", o líder é aquele que vai mais além da lei, mas ele é a exceção que garante a lei. A leitura cínica dessa frase é que o líder pode tudo, ele sabe driblar os desejos da mãe. Mas esse líder nada tem a ver com o que a população brasileira espera dele no momento atual. Ele encarna o esperto que nunca erra. Mas os não tolos do STF erram, como dizia Lacan.

sábado, 20 de abril de 2019

"Sexta-Feira Santa" ?

Há lucidez entre os cristãos e seus pregadores, há salvação entre muitos pastores e fiéis. Difícil talvez encontrá-los mas existem, estão por aí e Jornalistas Livres encontrou ,um deles. O site  traz um texto curto, mas severo em assertivas de JOSÉ BARBOSA JUNIOR, teólogo e pastor em BH,  vamos ao texto.





Bandido bom é bandido crucificado

por  jornalistas livres -encurtador.com.br/xBCGT






Escrevo este texto na "sexta-feira santa", dia em que 

toda tradição cristã rememora 

a crucificação de Jesus, o pobre de Nazaré.




Por José Barbosa Junior
Relembrar esta data traz consigo significados para além da espiritualidade, transpondo a barreira religiosa do fato. Jesus foi morto por desafiar um sistema perverso, que aliou um Império cruel e genocida a uma religião vendida e ameaçada pela mensagem de libertação do profeta galileu.
Reforçando a ideia defendida por Marx, de que a história acontece “primeiro como tragédia, depois como farsa”, não tenho dúvidas em denunciar que vivemos uma farsa terrível, fantasiada de moralismo e que insiste em fazer alusão à fé cristã.
Nada mais mentiroso! Nada mais falso! Nada mais perverso.
Vivemos hoje, no Brasil, a grande farsa evangélica messiânica, que atribui a Jair Bolsonaro todos os requisitos para classificá-lo como um Anticristo, apoiado por uma igreja corrompida e conivente, que em nada faz lembrar o crucificado.
Jesus subverteu sistemas e dogmas religiosos. É a antítese do que se esperava como Messias. É pobre, periférico, não branco, agitador… Desafia poderes imperiais e religiosos com palavras de amor e chamando a humanidade à comunidade, a repartir riquezas, a não oprimir ninguém, e à experiência de novos céus e nova terra como um “paraíso de igualdade”.
Percebam bem: é fácil falar de nova terra, mas precisamos resgatar o sentido de “novo céu”… É preciso uma outra espiritualidade, uma nova percepção do transcendente. Basta da religião que oprime e segrega. Que venha a espiritualidade que une, iguala e expõe as opressões e horrores dos poderosos.
Isso tudo para dizer que quem defende isso, tanto lá quanto cá, será visto como ameaça e perigo: um bandido. O bandido é o que subverte a Lei estabelecida. Jesus foi um deles. E foi tratado como tal. Preso, torturado e morto.
Para a religião que domina, bandido bom é bandido crucificado.
Mas… Como diz um outro barbudo que a gente conhece bem: “podem até me prender ou tentarem me matar. Mas não matarão e nem prenderão as minhas idéias. Elas já estão por aí…”
É por isso que a história não termina na sexta-feira, mas no domingo.
Porque cremos em ressurreições!
*José Barbosa Junior – Teólogo e Pastor da Comunidade Batista do Caminho em Belo Horizonte

domingo, 14 de abril de 2019

Literatura paraguaya superstar y realidad política ROA BASTOS

Interessante obra sobre Roa Bastos, vale a pena ler   e se possível ter o livro da professora  Elvira Narvaja de Arnoux Doctora en Lingüística. Profesora Titular de Lingüística Interdisciplinaria y Sociología del Lenguaje (FFyL, UBA). Directora de la Maestría en Análisis del Discurso Carla Daniela Benisz es Profesora y Licenciada en Letras por la UBA


Elvira Narvaja de Arnoux por encurtador.com.br/aiyAB






https://bit.ly/2UbTl5Y

POR ALFREDO GRIECO Y BAVIO 

Literatura paraguaya superstar y realidad política

A partir de La literatura ausente: Augusto Roa Bastos y las polémicas del Paraguay post-stronista, crucial ensayo de Carla Benisz, el autor de esta nota propone una narración crítica y una crítica historiográfica de la novela histórica paraguaya más allá de la Guerra del Chaco y de la autoconsciencia literaria nacional más allá de la caída de Stroessner.




    ​Para quienes rutinaria aunque pausadamente añadimos libros en el mismo estante donde hicimos lugar para la Historia Crítica de la Literatura Paraguaya en el fin del Siglo XX que nos ha propuesto Carla Daniela Benisz, las virtudes que distinguen de sus vecinos a La literatura ausente: Augusto Roa Bastos y las polémicas del Paraguay post-stronista (2018) saltan a la vista aun para los más distraídos a la hora de mirar. Los de este compendioso volumen se daban por sentados en un horizonte retrospectivo más y más distante a medida que corremos en veloces líneas de fuga hacia delante: rasgos antes comunes, hoy singulares. La precisión en el foco, una argumentación progresiva, dialéctica, una narrativa histórica dinámica antes que una descripción más teórica y ‘modelizadora’ –más estática-, un conocimiento, laboriosamente obtenido, de los temas y problemas que han elegido tratarse -más acá y más allá, por encima y por debajo de lo que de ellos exponen las páginas en un orden que es construcción suya propia-, fértil acoplamiento múltiple de historia, teoría, crítica literarias. A lo que convendría adicionar una intimidad con la literatura paraguaya, y con la literatura a secas, que jamás finge ser familiaridad.

   “Es imprevisto, pero es moral”, es el estribillo que entonan al final de la ópera La gran duquesa de Gérolstein: es muy imprevisto pero es muy bueno cuando la primera obra que se publica sobre un espinoso plexo de cuestiones nacionales imbricadas de historia y de literatura, lejos de merecer la indulgencia y el aliento reservado a las primerizas, nos arranca el pasmo ante la maduración sin precipitaciones de sus resultados y la riqueza de sus materiales y puntos de vista.

   Hay una virtud del libro que ni iba ni va de suyo, ni se contaba ‘por default’ entre aquellos esfuerzos ejemplares de antaño. Es que Benisz cumple con una tarea política urgente, tal vez ancilar o metodológica y por eso poco elogiada y menos practicada. Sin pedagogías inelegantes o didactismos extenuantes, La ‘literatura ausente´’: Augusto Roa Bastos y las polémicas del Paraguay post-stronista es una obra perfectamente inteligible para quien quiera leerla fuera del Paraguay. Repone con nitidez y apretada justeza los contextos de cada instancia de las polémicas de las que su autora se ha vuelto historiadora, y lo hace con profundidad de campo. Distinguimos, en cada giro, protagonistas (el novelista ‘histórico’ Augusto Roa Bastos), deuteroagonistas (el novelista ‘histórico’ Guido Rodríquez Alcalá) y antagonistas (los poetas y narradores, más ‘ahistóricos’, Rubén Bareiro Saguier y Carlos Villagra Marsal). Advertimos, inferimos qué posiciones son axiales o dicen serlo, cuáles laterales o paralelas, cuáles marginales, cuáles, o ningunas, son excéntricas.

     Con una abundancia que hasta ahora se había preferido dejar de lado, Benisz construye una narrativa consistente de la actividad de Roa Bastos, menos desganada o esporádica de lo que se le atribuía, en el ámbito público de las ‘instituciones’ literarias. A lo largo de este período, a la larga muy largo, el exiliado superestrella había abandonado su domicilio extranjero pero en su residencia patria ni se había desprendido ni tenía por qué hacer el ademán de despojarse de la estelaridad y pleitesía exteriores de las que gozaba a gusto. Que las publicaciones del autor, en este período, y en esta función, hayan sido ante todo ensayísticas no la vuelve ni menos obra ni menos literaria. 

De una manera intricada, la dignidad literaria del ensayo como ‘género mayor’ –en especial, aquí, en el canon paraguayo- nutre una línea argumentativa favorita de Benisz, que despliega en variados planos y sobre telones contrastantes.

   La necesidad de ser probatoria –por detrás del libro de Benisz hay una lograda Tesis doctoral en Letras en la argentina Universidad de Rosario- pone un límite (no un freno) a la digresión y la hipótesis alternativa: la Tesis doma a las tesis. Pero sin embargo las sugiere, y acicatea. Somos nosotros los que damos un paso más, o de más, de puro invertidos. Porque la elevación o promoción de rango estatutario del ensayo en la biobliografía del novelista no es una ampliación del campo de batalla, sino el dibujo de una nueva cartografía: otros mapas, otros territorios. Tanto es así, que, en vez de que una propiedad transitiva fluyera, en su sistema de vasos comunicantes, de las novelas canónicas a los ensayos reciénvenidos, es la ficción de Roa Bastos la que se vuelve tanto más  literaria a fuerza de ser en definitiva bastante poco narrativa. Pasan muy pocas cosas en Yo el supremo (1974), fascinante reflexión ensayística, de ‘filosofía de la historia’ antes que ficción, obsesivos días circulares del príncipe-dictador en su palacio de hierro, encerrado con un solo juguete amanuense, prosa cuyo tema inagotable son las inagotables posibilidades de la prosa, habla de una lengua que hizo del estilo el código de barras de la escritura. O, puestos en perspectiva,  pasan menos cosas en Hijo de hombre (1960), por no hablar de El fiscal (1993), que en La babosa (1952) o en Los exiliados (1966) de Gabriel Casaccia o en Diagonal de sangre (1986) de Juan Bautista Rivarola Matto. ¿Será un rasgo fatal o destino manifiesto de la novela en el Paraguay? ¿Que la Historia sea lo único que pase, el único acontecimiento, en las historias? Pasan pocas cosas en La querida (2008) de Renée Ferrer, en El invierno de Gunter (1987) de Juan Manuel Marcos; pasan pocas cosas en Caballero (1986), en Caballero Rey (1988), pasan muchas más en El rector (1991) –se me dirá que esta gran novela eclesiástica disfraza, o camufla, adrede, al Paraguay.

   Pero, ¿tienen que pasar cosas, en una narrativa, en una literatura de ficción nacional en su conjunto? A esta pregunta se han dado en el siglo XXI paraguayo contundentes respuestas afirmativas y elusivas o enfáticas respuestas negativas (y muchas otras, desde luego: pero no le pueden reprochar a mi simplificación el hecho de que sea simplificadora).

  Una respuesta afirmativa hay en la ‘tarantinización’ de cierta novela y cine paraguayo: todas las vísceras son color escarlata vivo, el corazón potente bombea una sangre sin coágulo ni sueño ni trombosis. Pasan muchas cosas, pasan rápido, una detrás de la otra, sin morosidad de comentario ni pudor de cámara elíptica ni ahorro en fluidos corporales restallantes y estallados. Un karaoke que canta, sin precisar de subtítulos ni acentos, versiones crudas pero prestigiadas de la representación de la violencia: lo que prometía ser una escuela de narrar-narrar, de realismo sucio, de plurales historias insólitas o inexploradas en lugar de la sólita Historia acabó por astucia de la sinrazón, en sentimental, nunca ingenua, metanarrativa posmoderna.

  Una respuesta negativa, de una ingenuidad sin gusto por el sentimentalismo, encontramos en el enamoramiento (muy poco contemplativo, más bien hiperactivo) con las posibilidades de la situación lingüística única del enclave mediterráneo del Paraguay, con su castellano de la Cuenca del Plata o del Chaco, su guaraní paraguayo, sus otras lenguas amerindias en profundidad de campo, su portugués de televisión brasileña, sus civilizados, cultos, eruditos portuñoles salvajes, su canchero jopara. El efecto es sublime antes que bello; terrible, aterrador, terrorífico y a veces terrorista. De la belleza conceptual y musical, de sonido y sentido, de la poesía de un Joaquín Morales a las composiciones sin dudas no menos bellas ni relevantes, pero que se reservan una zona de excepción, un fuero de exclusión de jurisdicción, que no admite retaceos, porque cada palabra ha de entenderse como Damián Cabrera en Ciudad del Este o Douglas Diegues en Pedro Juan Caballero o Cristino Bogado en Lambaré o en la Recoleta en tiempos del stronato o el seudónimo Edgar Pou en todas partes… Y, falto de estas competencias, que un kurepa, por definición, jamás llegará a dominar a la altura de los nativos, ¿quién puede, sabiéndose deficiente, deficitario, ser inhospitalario en esta tierra baldía?

Los asuntos de los que La literatura ausente hace su carne y su eje son de una importancia, en el contexto paraguayo y sudamericano, que no puede hacerse a un lado: todo lo que conjeturemos (o desconozcamos) en un aquí y ahora al menos tres décadas posterior sólo puede decirse (y será inexorablemente interpretado) atendiendo a ellos y adoptando una posición política activa o pasiva (pero jamás invisible) en respuesta y contestación. Después del libro de Benisz, será menos fácil afectar desenvoltura en la opción de sacudirse de los hombros los años acaso desperdiciados pero en absoluto huecos que siguieron la noche bífida del 2 al 3 de febrero de 1989, –aquella fiesta de la Virgen de la Candelaria cuando el general colorado Alfredo Stroessner, ocho veces reelecto presidente de Paraguay desde 1954, fue derrocado por su consuegro el general colorado Andrés Rodríguez. Más difícil despertar de la pesadilla de la historia (política, social, pero también cultural y literaria) como si nunca la hubiéramos soñado, y cantar el peán de la victoria identitaria y diferencial de la patria querida del Chaco Boreal y la Triple Frontera, el vencer sin morir guarañol, portuñol, políglotas, heteroglósico, glosolálico de una literatura que hoy canta presente con aviso aun cuando no pasan lista.

  Tradicionalmente –y, hay que decirlo: razonablemente-, desde el final catastrófico y genocida de la Guerra Guasu (1864-1870), el futuro país de Itaipú y Yacyretá oscilaba pendularmente en alianzas con sus victimarios brasileños o argentinos. Hoy las ciudades de Asunción (de donde llegó en 1580 Juan de Garay, el fundador de Buenos y Aires) y Ciudad del Este (ex Puerto Stroessner) conocen un florecer de sus clases medias urbanas sin precedente previo comparable en este último país rural hispanoamericano (en otro extremo continental, salvo la prosperidad, es la encrucijada de Honduras). La literatura paraguaya de los últimos diez años, en este siglo XXI –otro tanto podría afirmarse de la boliviana- ha aportado un caudal de renovación formal que la destaca por encima de la media continental: esta constatación, sin embargo, dista de ser la expresión de un consenso internacional, y ni siquiera existe este en cada nación, por fuera de cuyas respectivas fronteras la difusión es irregular, despareja, y escasa. Ante esta situación, sobre la cual sí existe un consenso sin disidencia o retaceo, la literatura paraguaya y sus adalides oscilan sin cansancio ni declarado salto categorial –hay que decir que razonablemente para sus objetivos- de la demanda de reconocimiento institucional de una excelencia y valías superiores y únicas al activismo okupa que exige el pago minucioso y desglosado de un cupo, una cuota y un hándicap de representación proporcionales como integrantes de pleno derecho del Mercosur y otros conciertos. Hay que decir también que nadie parece haber sido tan reticente como para prescindir, en este movimiento pendular pero integrador, de la apelación al recurso extraordinario sin haber sufrido derrota en la instancia ordinario. Como prueba de la excelencia, el uso del guaraní en una literatura heteroglósica jopara que resulta en la creación en perpetuo curso de una lengua literaria siempre nueva, de un poder proteico inigualado (un jaspeado rutilante de castellano y guaraní que no es ni lo uno ni lo otro ni mucho menos un a + b sobre sobre 2) a la vez erige a los usuarios en los únicos jueces válidos: porque a la crítica foránea de los que no sean hablantes nativos siempre se le puede decir (y seguramente sin exageración ni jactancia) que no ha entendido lo suficiente, por no ser un hablante nativo. Como exigencia de cuota o cupo, se suele añadir la situación especial (pero paradójica) atribuida al arte en Paraguay de víctima y militante en una transición democrática perpetuamente postergada, traicionada, neutralizada e inviabilizada, que sirve a la vez para invocar estándares críticos especiales y para incluir un coeficiente multiplicador del sentido y significación de la obra: un certificado universal de la relevancia del arte nacional.

   En todo lo anterior, y en mucho más, nos hace pensar el libro de Benisz. El libro que es a la vez balance de un cuarto de siglo de historia intelectual, literaria, cultural, social, política del Paraguay. Pero es, también, programa de crítica por venir. Carla Benisz sabe cómo hacerlo. Esperamos, deseamos, que pueda hacerlo. El mundo es ancho y ajeno.


Una versión reducida y diferente de este texto fue leída en la Casa de la Literatura “Augusto Roa Bastos” (Asunción, Paraguay) el 6 de septiembre de 2018.