domingo, 30 de novembro de 2008

El catalán Juan Marsé ganó el Premio Cervantes de Literatura


El cataMiembro de la llamada "generación de la década del cincuenta", Marsé es autor de novelas como Si te dicen que caí, censurada por el régimen franquista aún en 1973, y La muchacha de las bragas de oro que obtuvo el Premio Planeta en 1978 y fue llevada con gran éxito al cine. Otra novela de gran repercusión en su trayectoria es Rabos de lagartija que en 2001 recibió el Premio Nacional de la Narrativa española.

"Es un gran escritor que ha marcado a varias generaciones", comentó el poeta argentino Juan Gelman, miembro del jurado, y triunfador del Cervantes en 2007.lán Juan Marsé ganó el Premio Cervantes de Literatura
by el clarin

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Algumas expressões popularizadas no meio educacional são usadas hoje com um sentido muito diferente

Importante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Matéria da revista Escola
Discurso vazio
Algumas expressões popularizadas no meio educacional são usadas hoje com um sentido muito diferente do que tinham originalmente, mostrando que muitos educadores estão se apoiando em idéias frágeis
Anderson Moço, Beatriz Santomauro e Beatriz Vichessi

A fala dos educadores brasileiros nunca esteve tão afiada. Conceitos importantes da Pedagogia e as práticas de sala de aula mais valorizadas hoje estão na ponta da língua e ajudam a definir o trabalho docente. Não é preciso estar entre grandes mestres para ouvir citações de Paulo Freire (1921-1997), como a importância de "focar a realidade do aluno" durante o planejamento, ou sobre o construtivismo - a necessidade de "levantar o conhecimento prévio" da turma.

No entanto, conforme a conversa avança, percebe-se que, na média, ela está calcada num discurso vazio (tal qual as palavras nos balões que ilustram esta reportagem). O resultado é a transformação de idéias consagradas - como formar cidadãos - em jargões que perderam o significado original. Esse conceito, difundido com a redemocratização do país, relacionava-se à necessidade de as pessoas terem um preparo que lhes permitisse atuar na sociedade - incluído aí saber ler e escrever e os demais conteúdos do currículo.

Hoje, o sentido de cidadania propagado em muitos projetos está relacionado apenas a ações de preservação ambiental ou de cunho social - como se socializar o conhecimento construído pela humanidade, ou seja, ensinar, já não fosse tarefa suficiente para a escola. "Os professores usam essas expressões sem ref letir sobre elas e sem compreender em que se baseiam", ressalta Raymundo de Lima, professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e estudioso do discurso docente.

Essa realidade revela, mais uma vez, a precariedade da formação dos educadores, que se ressentem por não terem um conhecimento pedagógico adequado. "Eles buscam um referencial teórico, mas, como não conseguem se aprimorar, acabam fazendo no dia-a-dia um trabalho intuitivo e equivocado", afirma Andrea Rapoport, doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A conclusão é resultado de uma pesquisa realizada por ela para identificar os referenciais citados pelos docentes. "Grande parcela dos que afirmam se basear em determinadas correntes pedagógicas ou pensadores deixa o discurso cair por terra quando precisa justificar essas escolhas", analisa Andrea.

Muitas das expressões que estão na boca dos educadores não surgiram do nada. Ao contrário, exprimem conceitos importantíssimos. Separadas dos contextos históricos e teóricos em que foram criadas, no entanto, elas acabaram sendo banalizadas. Hoje, é difícil encontrar um professor que não afirme fazer uma avaliação formativa. Porém quantos realmente sabem como ela deve ser realizada e para que servem seus resultados?

Diante disso, a proposta desta reportagem é contribuir para colocar um fim nesse blablablá da Educação, ajudando a deixar as frases-prontas de lado e a se aprofundar no verdadeiro significado das idéias por trás delas - a princípio, tão ricas. Selecionamos dez expressões populares no Magistério atualmente e mostramos de onde elas provêm, seu sentido original e como foram distorcidas (leia o destaque à direita e os demais nas próximas páginas). Essa leitura é apenas um ponto de partida para o desafio, que requer muito estudo. Mas o fim do discurso vazio certamente virá acompanhado de um impacto positivo na qualidade das aulas.

APRENDER BRINCANDO

Conceito original
Uma das maneiras de adquirir conhecimento, possibilitada por diferentes atividades, mas não essencial.
Conceito distorcido
Única maneira de adquirir conhecimento, possibilitada por diferentes atividades, e principal motivação para o estudo.

Origem
O aprender brincando surgiu em reação a antigas práticas escolares. Até a década de 1960, eram comuns os castigos físicos e as propostas de ensino que não consideravam os conhecimentos de crianças e jovens nem se preocupavam em envolvê-los em desafios que fizessem sentido para eles.

De fato, o processo de aprendizado nem sempre é fácil, mas resulta em satisfação. A criança aprende de muitas maneiras e com base em diferentes recursos: convivendo com os colegas, se comunicando com adultos e descobrindo seus limites em situações formais e informais.

Por que perdeu o sentido
A difusão do "aprender brincando" ocorreu em oposição ao que é apresentado como difícil. "Passou-se de um extremo a outro, isto é, de uma aprendizagem com sofrimento para a brincadeira", explica Esther Pillar Grossi, professora e fundadora do Grupo de Estudos Sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação. A questão é isso ter se tornado a principal forma de ensinar e uma das motivações intrínsecas ao aprendizado. Desse modo, fica a impressão de que brincar é essencial para mediar as situações de ensino. "O dito em espanhol 'la letra con sangre entra' particulariza, para a alfabetização, a idéia de que aprender é algo muito penoso e desagradável", explica Esther.

No livro Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar, o professor Lino de Macedo, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o lúdico deve propor desafios ao estudante e encaminhá-lo para a construção dos conhecimentos, mas não significa necessariamente algo agradável na perspectiva de quem faz a atividade. "Se fosse só assim, poderíamos, por exemplo, vir a ser reféns das crianças ou condenados a praticar coisas engraçadas, mesmo que sem sentido."

O objetivo da escola é ensinar os conteúdos das diferentes disciplinas, e não necessariamente proporcionando divertimento o tempo todo. A aprendizagem gera conflito, exige que a criança fique instigada a buscar respostas a problemas apresentados a ela e levanta dúvidas. O que precisa trazer prazer é a satisfação de aprender, evoluir e se apropriar do conhecimento. "A máxima da escola não pode ser aprender brincando porque aprender é difícil - assim como ensinar", conclui Tereza Perez, diretora do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac).

LEVANTAR O CONHECIMENTO PRÉVIO

Conceito original
Propor uma atividade para verificar o nível de conhecimento dos alunos sobre um tema como forma de planejar novas intervenções.
Conceito distorcido
Perguntar o que os alunos já sabem para verificar o nível de conhecimento deles e registrar o que foi dito.

Origem
A importância do conhecimento prévio - um conjunto de idéias, representações e dados que servem de sustentação para um novo saber - se desenvolveu a partir da segunda metade do século 20 com o construtivismo. Nessa concepção, não existe ponto de partida zero sobre o que se vai ensinar ou aprender. Todos (alunos e professores) sempre sabem alguma coisa, mesmo que de modo implícito, do tema a ser trabalhado. Investigar o conhecimento, dentro dessa perspectiva, representa o início da relação entre o ensino e a aprendizagem. "O estudante é compreendido como alguém que domina algumas coisas e, diante de novas informações que para ele fazem algum sentido, realiza um esforço para assimilálas", explica Telma Weisz, consultora da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, no livro O Diálogo Entre o Ensino e a Aprendizagem. Ao fazer uma avaliação antes de iniciar um conteúdo, o professor consegue planejar suas interferências porque tem meios de determinar por onde começar. A ação nas próximas etapas não fica só intuitiva - é direcionada para "o que" e "como" deve ensinar.

"Não se trata de um teste, mas de uma situação real de ensino. As atividades indicadas para dar início a um projeto são aquelas que ativam os saberes das crianças", diz Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. Nesse tipo de atividade, cada aluno vai buscar os dados em seu repertório interno de maneira diferente. "O conhecimento prévio é relativo a cada um e, por isso, supõe uma investigação caso a caso", completa Macedo, da USP.

Por que perdeu o sentido
Ao longo dos anos, os professores reconheceram a importância de investigar o que crianças e jovens já sabem antes de começar o trabalho sobre um novo tema. No entanto, mesmo sem ter aprendido exatamente como fazer isso, muitos deles passaram a utilizar a expressão em seu dia-a-dia. Em certos casos, eles até fazem uma avaliação inicial e registram comentários, mas não utilizam esses dados para planejar as aulas ou pensar sobre as intervenções que necessitam ser feitas em classe.

É preciso ter clareza também que não é perguntando o que o aluno já sabe sobre um assunto que se faz o levantamento do conhecimento prévio, mesmo porque nem sempre é fácil para ele verbalizar as informações quando é questionado. Além disso, cada conteúdo de ensino requer uma forma de abordagem. Não adianta questionar sobre temas já dominados nem ser tão desafiador a ponto de a turma não conseguir sequer entender a proposta. Outro equívoco é considerar que tudo o que foi trabalhado foi aprendido e, por isso, é possível seguir adiante. Conhecimento prévio não pode ser confundido com pré-requisito, exigência de aprendizagem que todos devem possuir como base para a experiência seguinte.

FORMAR CIDADÃOS

Conceito original
Objetivo da escola que se baseia no ensino dos conteúdos curriculares com a finalidade de preparar pessoas bem informadas e críticas.
Conceito distorcido
Objetivo da escola que se baseia em ações sociais e de preservação do meio ambiente com a finalidade de preparar pessoas conscientes de seu papel na comunidade.

Origem
A frase começou a se popularizar entre os professores em meados da década de 1980 como conseqüência da redemocratização brasileira. "O surgimento do sujeito crítico, criativo e participativo se deu, institucionalmente, com o renascimento da autonomia do país após a ditadura", afirma Maria de Lourdes Ferreira, docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, em Minas Gerais, e autora de diversos trabalhos sobre o tema. A Constituição de 1988 define cidadania como um dos princípios básicos da vida e ressalta que as instituições sociais, dentre elas a escola, precisam estar comprometidas com a formação cidadã. Cerca de dez anos depois, o papel da escola nesse processo foi descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que se definem como meio de garantir que "a Educação possa atuar, decisivamente, no processo de construção da cidadania".

Cabe à escola, portanto, formar pessoas bem informadas, críticas, criativas e capazes de avaliar sua condição socioeconômica, dimensionar sua participação histórica e atuar decisivamente na sociedade e na economia. E isso se faz quando todos os professores cumprirem o dever de ensinar os conteúdos curriculares, a começar por ler e escrever.

Por que perdeu o sentido
Além das instituições de ensino, participam de forma fundamental na construção da cidadania o governo, as organizações sociais e a família. Interpretações equivocadas sobre a função de cada uma dessas instâncias na formação do cidadão levaram a uma descaracterização do papel da Educação. Outro fator decisivo para a deturpação da idéia foi a falta de um currículo definido em cada rede - detalhando o que ensinar em cada série e disciplina -, o que tem levado muitas escolas a trabalhar sem uma proposta pedagógica clara e objetiva. Para completar, muitos professores não fazem um planejamento focado nos conteúdos de cada área.

No livro Escola e Cidadania, o sociólogo suíço Philippe Perrenoud provoca: "De que serve aprender princípios cívicos ou detalhes da organização do Estado quando não se consegue ler o texto de uma lei?" Para o educador, a formação da cidadania passa pela "construção de meios intelectuais, de saberes e de competências que são fontes de autonomia, de capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo".

Esse esvaziamento da função primeira da escola gerou uma série de atividades sem foco na aprendizagem que, supostamente, têm o objetivo de despertar a cidadania e provocar a conscientização de crianças e jovens. Dentre essas situações têm destaque as campanhas e os projetos sobre meio ambiente, diversidade cultural e violência. "É enorme o número de projetos enviados ao Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 com o objetivo de despertar a consciência ambiental e o respeito pelas diferenças com a justificativa pura e simples de que são importantes para a formação do cidadão", conta Regina Scarpa. O que os alunos aprendem, efetivamente, ao fim de um trabalho desses? Se a proposta apresentada é recolher material reciclável, a turma vai aprender a recolher material reciclável, e o objetivo de um projeto não pode ser só esse.

TER UMA TURMA HETEROGÊNEA

Conceito original
Comandar uma classe em que os alunos apresentam diferentes níveis de conhecimento, o que faz com que avancem por meio de atividades diversificadas.
Conceito distorcido
Comandar uma classe problemática em que os alunos apresentam diferentes níveis de conhecimento, razão pela qual alguns deles não avançam.

Origem
Com a criação dos grupos escolares, logo após a proclamação da República, no fim do século 19, surgiu o que se convencionou chamar de turmas homogêneas. O conceito se encaixa numa antiquada corrente pedagógica que trabalha para um único perfil de aluno e pressupõe que existe uma turma com características semelhantes e, portanto, homogênea. Os exercícios de repetição eram a única estratégia de ensino, fazendo parecer que todos os estudantes tinham o mesmo desempenho e ritmo de aprendizagem. Afinal, eles seguiam modelos e apenas uma resposta era correta. A partir da década de 1930, a Educação passou a acolher as preocupações da Psicologia quanto às diferenças entre os indivíduos e a usar situações-problema. Lev Vygotsky (1896-1934) escreveu em A Formação Social da Mente que o educador deve ter uma estratégia diferenciada para cada criança porque elas não sabem igualmente o mesmo conteúdo nem aprendem de uma só maneira. Já na década de 1990, a ampliação do atendimento escolar fez chegar à sala de aula crianças de classes sociais menos favorecidas, o que deixou mais clara essa heterogeneidade.

Por que perdeu o sentido
A mudança na forma de ensinar e a universalização do Ensino Fundamental acabaram, definitivamente, com a ilusão da homogeneidade. Ao mesmo tempo, a expressão "turmas heterogêneas" passou a ser usada como uma das explicações para o fato de alguns não avançarem nos conteúdos. O conhecimento dos alunos pode não corresponder ao esperado para a série, mas essa variedade de níveis em uma turma tem de ser usada de forma produtiva. "A troca de saberes entre os pares deve ser buscada: o desafio é encarar cada um na sua individualidade e promover a interação entre as diferentes habilidades a favor da aprendizagem", explica Lino de Macedo. Nos trabalhos em grupo, quem domina conteúdos e procedimentos diversos pode confrontar hipóteses, compartilhar estratégias e colaborar com os colegas.

AUMENTAR A AUTO-ESTIMA

Conceito original
Conseqüência de um trabalho baseado no ensino dos conteúdos e na necessidade de cada aluno.
Conceito distorcido
Objetivo de todo trabalho feito em classe, conquistado por meio de elogios e de premiações a cada aluno.

Origem
A expressão se popularizou com a universalização do Ensino Fundamental, nos anos 1990, quando muitos dos estudantes de baixa renda que ingressaram na escola tinham dificuldade na alfabetização e na aprendizagem das várias disciplinas. Professores creditavam isso à baixa auto-estima gerada pela pobreza. A idéia é equivocada e preconceituosa, como provam diversos estudos. A auto-estima não é determinada pelo nível socioeconômico ou cultural. "O que leva a uma maior valorização pessoal é aprender", afirma Beatriz Cardoso, diretora do Cedac.

Por que perdeu o sentido
Com o objetivo de aumentar a auto-estima das crianças, instituições do terceiro setor passaram a oferecer programas culturais e as escolas a propor atividades que não têm um foco claro na aprendizagem dos conteúdos. Ao mesmo tempo, premiações e elogios viraram moda. "Pensar que a garotada precisa de afago e estrelinhas mostra um distanciamento do que é essencial na Educação, que é promover conhecimento", completa Beatriz.

FAZER AVALIAÇÃO FORMATIVA

Conceito original
Utilizar vários instrumentos de verificação da aprendizagem como forma de analisar o nível de conhecimento da classe e planejar estratégias de ensino.
Conceito distorcido
Observar a aprendizagem como forma de classificar os alunos.

Origem
A avaliação formativa enfoca o papel do estudante, a aprendizagem e a necessidade de o educador repensar o trabalho para melhorá-lo. A prática surge da preocupação com o processo de aprendizagem e não só com o produto ou com as notas como ponto final da aprendizagem. Testes, análises de relatórios, provas, apresentações orais, comentários ou produção de textos se aplicam também à perspectiva tradicional de ensino. "O que diferencia as duas é o que se faz com os dados: enquanto no jeito tradicional os exames são classificatórios, na avaliação formativa eles servem para redirecionar o trabalho docente para permitir que cada um avance em seu ritmo", diz Cipriano Luckesi, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.

Por que perdeu o sentido
Cientes de que é necessário ficar constantemente atentos a todo o percurso de aprendizagem, os professores começaram a empregar a observação como estratégia do que passaram a chamar de avaliação formativa. Além de não utilizarem o resultado dessa análise para redirecionar a prática, deixam de lado as provas e outros instrumentos de verificação da aprendizagem. A razão é o fato de as notas não serem mais tão valorizadas como a única função da avaliação. O resultado disso é que não conseguem mensurar quanto as turmas avançaram na aprendizagem de cada conteúdo. "A avaliação só tem sentido se visa como ponto de partida e de chegada o processo pedagógico", dizem Delia Lerner e Alicia Palacios de Pizani no livro A Aprendizagem da Língua Escrita na Escola.

TRABALHAR A INTERDISCIPLINARIDADE

Conceito original
Relacionar os conteúdos das diversas áreas quando isso for necessário para a compreensão de um conceito, sem esquecer as características das didáticas específicas de cada uma delas.
Conceito distorcido
Relacionar os conteúdos das diversas áreas em todos os projetos propostos aos alunos.

Origem
O conceito de interdisciplinaridade surgiu no fim da década de 1960, na França e na Itália, e logo chegou aos Estados Unidos. Nessa época, os universitários lutavam contra a fragmentação das áreas e sua especialização, buscando a aproximação do currículo aos temas políticos e sociais. O discurso chegou ao Brasil e foi impulsionado pelos "temas geradores", conceito apresentado por Paulo Freire no livro Pedagogia do Oprimido, de 1968. De acordo com ele, a intenção era propor aos indivíduos dimensões significativas de sua realidade, cuja análise crítica lhes possibilitasse reconhecer a interação entre as partes. Dessa forma, eles poderiam compreender melhor o mundo e atuar nele de forma consciente e participativa. Freire diz ser indispensável ter, antes, a visão total do contexto para, depois, separar seus elementos. Com esse isolamento, é possível voltar com mais clareza ao todo analisado.

No Ensino Fundamental, um trabalho interdisciplinar é aquele em que se estuda um tema integrando disciplinas com a intenção de que o conhecimento seja global e tenha significado para a garotada. Ele deve ser bem delimitado e permitir que haja o diálogo entre os conteúdos estudados para que os saberes sejam aprofundados. "O conhecimento é interdisciplinar. Ele é formado por fatos, conceitos e procedimentos relativos a áreas diferentes", diz Tereza Perez, do Cedac.

Por que perdeu o sentido
A idéia começou a ser valorizada e a ganhar adeptos por todo o país com o passar dos anos. Na década de 1990, quando Freire assumiu a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ela chegou a muitas escolas paulistanas. No entanto, não foi sempre bem aplicada. Em primeiro lugar porque nem todo bom projeto necessita ser interdisciplinar, como muitos acreditam. Alguns conteúdos são bem ensinados em apenas uma área, não precisando de interação com as demais.

A relação entre as disciplinas deve aparecer dentro de situações didáticas que realmente possibilitem a aprendizagem em cada uma delas - e não apenas num formato em que sejam utilizados conhecimentos já adquiridos. Mostrar um mapa na aula de Matemática, por exemplo, não é ensinar Geografia, assim como apenas pedir a leitura de um texto de História não é aprofundar-se na Língua Portuguesa. O trabalho interdisciplinar terá cumprido sua função se o aluno passar de um estágio de menor conhecimento para outro de maior conhecimento em cada um dos conteúdos envolvidos.

PARTIR DO INTERESSE DOS ALUNOS

Conceito original
Considerar a criança e seus interesses como foco do processo educacional por meio da avaliação do que ela já sabe como forma de levá-la a um nível maior de conhecimento.
Conceito distorcido
Considerar a criança e seus interesses como foco do processo educacional e ensinar o que ela está com vontade de aprender.

Origem
A idéia nasceu com a Escola Nova, no início da década de 1930. O movimento é considerado o mais vigoroso grupo de renovação da Educação do país depois da criação da escola pública burguesa. Os ideais escolanovistas se popularizam no Brasil pela ação de um grupo de intelectuais liderados por Anísio Teixeira (1900-1971). "O grupo de Teixeira se opunha à visão tradicional da escola, na qual cabe ao professor transmitir conhecimentos aos alunos, que devem permanecer em silêncio e atentos às explicações", explica Raymundo de Lima, da UEM. Para o movimento, o aumento do poder do estudante era essencial - sua vontade e sua capacidade de agir, espontaneamente, deveriam substituir a imposição, pelo professor, de julgamentos prontos. "Essa foi a primeira tentativa no país de diminuir a verborragia dos mestres em aula e de olhar mais para crianças e jovens", ressalta Lima.

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi lançado em março de 1932 e assinala que a "nova doutrina, que não considera a função educacional como uma função de superposição ou de acréscimo (...), transfere para a criança e para o respeito de sua personalidade o eixo da escola e o centro de gravidade do problema da Educação". Passou-se a considerar o que os alunos pensam e a entender que eles têm idéias a ser respeitadas.

Por que perdeu o sentido
Apoiados na concepção de que é necessário ter como base o interesse da turma, muitos educadores passaram a colocar a intencionalidade do ensino e o planejamento prévio em segundo plano. Essa deturpação foi ganhando espaço a ponto de algumas escolas chegarem a começar o ano sem determinar quais conteúdos devem ser trabalhados em aula e a orientar o corpo docente a descobrir primeiro o que a garotada quer estudar para depois se planejar. "A idéia, em casos como esses, é que alguns temas geradores podem levar a aulas mais participativas", explica Priscila Monteiro, consultora educacional, formadora de professores e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. "O problema é que, sem um planejamento detalhado e um currículo claro a seguir, a tendência é de perda na qualidade do ensino", diz ela.

Em didática, são três os pilares do processo de ensino e de aprendizagem: o conteúdo, a maneira como a criança aprende e o modo como o professor ensina. Na escola tradicional, o foco está no conteúdo e o mestre é quem domina e transmite seu saber. Com a Escola Nova, houve uma mudança: a figura central passou a ser o aluno e seus interesses. "Basear-se apenas no que ele quer aprender, contudo, é uma idéia restritiva, pois cabe à escola trabalhar conteúdos novos e desconhecidos e que, por isso, não podem ser mencionados naturalmente como uma curiosidade", ressalta Priscila.

É claro que o interesse que as turmas têm por determinados assuntos deve ser considerado. No entanto, é preciso ter como base os conhecimentos didáticos específicos para planejar a abordagem e as intervenções a fazer. O grande desafio hoje é desenvolver a sensibilidade para propor situações-problema desafiadoras que despertem a atenção de todos.

DESENVOLVER A CRIATIVIDADE

Conceito original
Levar o estudante a propor diferentes soluções para um problema com base em informações sobre o tema.
Conceito distorcido
Levar o estudante a realizar atividades do jeito que ele preferir.

Origem
A valorização da criatividade como uma capacidade humana que deve ser estimulada começou a ocorrer no começo da década de 1950, com a mudança de conceitos vigentes até então. "Nesse período, muitos acreditavam que a inteligência era uma dimensão relativamente fácil de ser medida e a criatividade era um atributo de poucos privilegiados", explica Eunice Soriano de Alencar, da Universidade Católica de Brasília. Uma série de pesquisas realizadas, sobretudo nos Estados Unidos, mostrou que não é possível medir a inteligência de maneira satisfatória e que, na realidade, ser criativo é algo inato a todo ser humano.

A partir dos anos 1980, dezenas de livros sobre o tema foram publicados, revelando que um ambiente livre e propício à inventividade ajuda a desenvolver essa capacidade. Com as mudanças tecnológicas e sociais do mundo contemporâneo, estimular o lado criativo das pessoas passou a ser vital e a escola acabou vista como uma das principais responsáveis por esse trabalho. "Estar preparado para solucionar problemas de forma criativa é algo indispensável no cenário deste novo milênio, em que inovar é uma palavra de ordem", acredita Eunice.

Por que perdeu o sentido
Considerando a importância de desenvolver a criatividade da turma, muitos professores passaram a propor atividades sem um conteúdo claro de aprendizagem e a justificar seu objetivo como sendo o de estimulá-la. O problema disso é que o objetivo da escola é ensinar conteúdos específicos, o que pode ser foco de avaliação para determinar se a turma avançou ou não - o que é mais difícil de ser feito quando falamos de um conceito como a criatividade. Além disso, é importante ressaltar que não se pode desenvolver a capacidade de criar lançando mão de qualquer tipo de trabalho e que ninguém inventa algo de maneira espontânea.

Os alunos necessitam de um repertório amplo para que consigam desenvolver essa capacidade com autonomia. Não é a inspiração que importa, mas o empenho e o trabalho realizado. "Criatividade é a capacidade de fazer relações entre os conhecimentos. Assim como só se aprende algo novo com base no que já conhecemos, só é possível criar com base em nosso conhecimento prévio sobre um assunto", explica Monique Deheinzelin, orientadora de projetos curriculares, formadora de professores e autora de diversos livros sobre o tema.

Cabe à escola, portanto, dar oportunidades para todos desenvolverem seu percurso criador, promovendo a flexibilidade, a abertura ao novo, a habilidade de propor soluções inovadoras para problemas diversos e a coragem para enfrentar o inesperado. O educador pode trabalhar atividades que não sejam tão fechadas a ponto de permitir somente uma resposta e nem tão abertas para que qualquer coisa possa ser aceita. "Pedir trabalhos com um produto final já conhecido ou propor atividades mecânicas e repetitivas, como colocar as crianças para pintar um desenho pronto, não leva ninguém a ser mais criativo", explica Monique. Para isso, é preciso propor ações transformadoras, por meio das quais sejam mobilizados novos saberes.

FOCAR A REALIDADE DO ALUNO

Conceito original
Considerar o saber trazido pelos alunos como um ponto de partida e sempre apresentar a eles novos conhecimentos.
Conceito distorcido
Basear-se somente no saber trazido pelos alunos como parâmetro para determinar o que lhes interessa aprender.

Origem
A idéia foi muito propagada por Paulo Freire, que valorizava a presença do saber dos estudantes das camadas populares na sala de aula. Ele propunha que, com uma pesquisa prévia do universo dos termos falados pelos educandos, fossem selecionados alguns - as chamadas palavras geradoras - para que propiciassem a formação de outros e também funcionassem como ponto de partida para que a turma compreendesse o mundo e organizasse seu pensamento a respeito dele. Ou seja, Freire sempre destacou a necessidade de ultrapassar as fronteiras da realidade mostrada pelas palavras. Tanto que ele defendia a Educação como prática de liberdade e dizia que "o povo tem o direito não só de saber melhor o que já sabe mas também saber o que ainda não sabe". Por isso, defendia que é importante ampliar e aprofundar o conhecimento sempre.

Por que perdeu o sentido
Muitos professores trabalham concentrados somente no meio em que vivem os estudantes e acabam por simplificar o pensamento freireano, julgando que isso facilita o aprendizado. Acreditam que é preciso tomar como base só o que já é conhecido. Então, ensinam primeiro o conceito de bairro para depois apresentar o de cidade, estado e país, por exemplo. Como se a lógica de compreensão dos conceitos estivesse atrelada à maior ou à menor proximidade física e como se fosse possível mensurar a complexidade desses conceitos baseando-se nas dimensões geográficas. "Não se aprende somente com base no que temos à nossa volta, no que é considerado 'concreto' e no que os adultos consideram simples", afirma Roberta Panico, do Cedac.

Outra crença que criou raízes no pensamento dos educadores é que a realidade é o limite do que deve ser ensinado. O professor não pode decidir não trabalhar conceitos relativos ao sertão porque leciona em uma região litorânea. "O mal provocado por essa atitude é a condenação do aluno à estagnação. Com isso, a escola deixa de cumprir seu papel", diz Vera Barreto, coordenadora do Vereda - Centro de Estudos em Educação. Entrar em contato com o diferente permite analisar a realidade com mais riqueza porque oferece fontes para comparação.

Ir além do que já é conhecido também garante o cumprimento do que sugerem os PCNs, já que o cotidiano de um estudante que é filho de operários da construção civil, por exemplo, não tem vínculos com a sociedade da Grécia antiga, tema presente nas aulas de História. "Se o professor ficar focado somente no local, não terá como abordar todos os conteúdos", completa Vera.

Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
A Aprendizagem da Língua Escrita na Escola, Delia Lerner e Alicia Palacios de Pizani, 104 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444 (edição esgotada)
A Formação Social da Mente, Lev Vygotsky, 224 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3241-3677, 39,80 reais Avaliação da Aprendizagem Escolar, Cipriano Carlos Luckesi, 182 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 25 reais
Construtivismo: A Poética das Transformações, Monique Deheinzelin, 142 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 20 reais
Criatividade e Educação de Superdotados, Eunice Soariano de Alencar, 232 págs., Ed. Vozes, tel. (11) 3105-7144, 37,20 reais
Escola e Cidadania, Philippe Perrenoud, 184 págs., Ed. Artmed, 42 reais
Interdisciplinaridade: História, Teoria e Pesquisa, Ivani Fazenda, 144 págs., Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 32,50 reais
O Diálogo Entre o Ensino e a Aprendizagem, Telma Weisz, 136 págs., Ed. Ática, 34,90 reais
O Ensino de Matemática Hoje, Patricia Sadowsky, 112 págs., Ed. Ática, 24,90 reais
Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar, Lino de Macedo e outros, 110 págs., Ed. Artmed, 28 reais
Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire, 213 págs., Ed. Paz e Terra, tel. (11) 3337-8399, 35 reais

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

IMPÉRIO DOS SONHOS David Lynch descreveu como, um foco no dilema das mulheres



QUAIS INTERPRETAÇÇÕES SE DÃO AO IMPÉRIO DOS SONHOS

Uma interpretação
A atriz de Hollywood Nikki Grace recebe uma oferta para interpretar a infeliz Sue Blue, protagonista do novo filme do diretor Kingsley Stewart. Nikki não se detém mesmo quando descobre que está no remake de um filme polonês chamado 47, que nunca foi finalizado porque os atores principais se apaixonaram e acabaram assassinados com uma chave de fenda oxidada. Quando se permite ser seduzida por Devon Berk, seu parceiro na trama, o mundo transparente de Nikki se transforma. Os amantes chamam um ao outro pelos seus nomes da ficção e as fronteiras entre várias realidades diferentes se misturam. Realidade, sonhos, visão, cinema, assim como os passados, futuros e identidades dos protagonistas ganham lugar para que os personagens se movam livremente em uma narrativa na qual o diretor David Lynch descreveu como, um foco no dilema das mulheres. Que lugar existe afinal para os coelhos de seu seriado televisivo? Essa charada de personagens famosos, em que Lynch retorna ao surrealismo dos tempos de Eraserhead (1977), levou vários anos para ser feita, sem roteiro pré-estabelecido, e foi gravada com uma câmera digital Sony PD-1http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_287.shtml50

domingo, 16 de novembro de 2008

wikipedia em questão pelo seu fundador-Jimmy Wales-DIZER AOS JOVENS QUE NAO USEM O WIKIPEDIA É O MESMO QUE PROIBÍ-LOS DO ROCK


Decirles a los chicos que no pueden usar Wikipedia es lo mismo que prohibirles el rock"
Criticada, vilipendiada, endiosada, pero sobre todo utilizada todos los días por millones de personas alrededor del planeta, representa un punto de inflexión en la forma de pensar el conocimiento y el enciclopedismo. Jimmy Wales, creador de Wikipedia, visitó por primera vez la Argentina y reflexionó sobre el pasado y el futuro de la obra con mayor número de autores que jamás se haya escrito.
Por: Guido Carelli Lynch


¿PROFETICO? "Cuando se inventó el telégrafo muchos pensaron que se acabarían las guerras en el mundo, pero llegó el siglo XX...", reflexionó Wales. Por Guido Carelli.
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JIMMY WALES, EL FUNDADOR DE WIKIPEDIA. Estuvo en Argentina por primera vez. Dio su parecer sobre el futuro de su hija pródiga, la relación con Google y dijo estar complacido por la victoria de Barack Obama.
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Aunque diga lo contrario y se vista a la moda, Jimmy Jimbo Wales continúa el legado que imprimieron los nombres de Montesquieu, Diderot, Votaire, Rosseau y los hermanos Black. "Yo sólo soy un tipo amigable", se diferencia el padre de la colosal Wikipedia, que vino a Argentina para participar de la academia Wikimedia, que se realizó de manera gratuita, este jueves en la Universidad de Belgrano.

Allí, ante una veintena de periodistas primero y, ante un ecléctico auditorio colmado de de curiosos más tarde, Wales se refirió al monstruoso engranaje de artículos que cambió para siempre la forma de pensar la ilustración y el enciclopedismo.

Pasaron menos de ocho años, desde que Jimbo y su ex colega Larry Sanger, imaginaron una enciclopedia en Internet, colaborativa, gratuita y sin fines de lucro. Si acaso, hubiera especulado con convertir su criatura en el octavo sitio más visitado en Internet, de seguro nunca fantaseó con la obra múltiple, con versiones en 264 lenguas, y con más de 11 millones de entradas independientes en la que evolucionó desde 2001.

Nadie, ni el crítico más sesudo supone todavía el cambio epistemológico que representa la todavía infante Internet. Wikipedia es a esta altura uno de los motores del Aleph virtual y, promotora de la Web 2.0, es uno de los bastiones que pretenden liberar el software y, lo más importante, compartir el conocimiento.

No obstante, no todo fue fácil para Jimbo, que tuvo que hacerle frente a las críticas del canon académico que señaló indignado cada error (u horror) casual o forzado de los miembros de la comunidad Wiki. En 2006, sin embargo, la prestigiosa revista Nature publicó un estudio que refutó de principio a fin las acusaciones contra la enciclopedia inacabable y viva al demostrar que el invento de Wales no tenía muchos más errores que la inmaculada Enciclopedia Británica. "Mucha gente se sorprendió entonces por la cantidad de errores que descubrieron en la Enciclopedia Británica, pero todos los periodistas comprenderán lo difícil que es hacer todo bien todos los días. Por eso, para nosotros lo más importante es averiguar lo que los miembros de la comunidad y los editores necesitan para trabajar con la mayor confiabilidad posible. No obstante, Wikipedia siempre tendrá errores, porque es parte de la condición humana", rememora y sentencia Wales.

Un político en campaña, un pastor religioso o el líder de una secta parece el hombre cuando repite una y otra vez a lo largo de la conferencia de prensa, su palabra preferida: comunidad. De su empresa Wikia –que nada tiene que ver con Wikipedia- dependen 10 mil comunidades especializadas. La más activa en español extrañamente es sobre Pokemon, el reconocido animé japonés. "Para que una Wiki empiecen a rodar, sólo se necesitan 5 o 10 usuarios formados y comprometidos que trabajen, pero sobre todo, que se diviertan", explica Jimmy Donal Wales.

-¿De dónde emergió su confianza en "la comunidad"?

-Al principio, no tenía esa fe. Cuando recién comenzó Wikipedia me costaba dormir a la noche, porque tenía la fantasía de que encontraría todo destruido cuando me levantara. Luego entendí que mucha gente tiene ganas de participar. Si la comunidad así lo quiere y cuenta, además, con las estructuras adecuadas, se convierte en algo factible.

-¿Cómo lidia con las posiciones antagónicas sobre hechos o personajes?

Wikipedia tiene una larga y fuerte cultura de neutralidad, con la que intentamos abordar temas espinosos como la historia y la política, entre otros. Si es posible argumentar y debatir, sin la necesidad de anular al otro, al final del día podremos llegar a una conclusión. Claro que hay excepciones y personas muy difíciles. Sin embargo, en líneas generales, es muy provechoso.

-¿Cuáles son las áreas más y menos desarrolladas de la enciclopedia?

-Diría que somos muy buenos en tecnología y ciencia, tenemos mucha historia y mucha cultura pop. Pero necesitamos más entradas referidas a bellas artes, sobre todo acerca de aquellas expresiones no tan difundidas. Por ejemplo, seguramente nos resta mucho por decir sobre la poesía antigua china.

-¿Cuál es el perfil de los colaboradores?

-Wikipedia no tiene estadísticas claras sobre quién contribuye, pero tenemos cierta idea, porque conocemos mucha de esa gente dentro de la comunidad. El grupo más grande es gente que tiene entre 20 y poco más de 30 años, con educación terciaria, aunque también hay gente mayor y más joven.

-¿Pero cuál supone que es su motivación a la hora de participar?

-Primero está la idea de que se trata de una enciclopedia libre. Es un concepto mayor que motiva a muchas personas. Sin embargo, pensar en un fundamento así ayuda sólo a veces, cuando por ejemplo, uno tiene un mal día. La razón más importante, es que disfrutan participando, lo incorporan como si fuera un hobby y, además es una forma de conocer gente inteligente, conversar, intercambiar visiones y pasarla bien.

-¿Qué grado de rigurosidad debe esperar hoy un usuario de Wikipedia?

-Nosotros consideramos a Wikipedia como un buen punto de largada para iniciar a cualquiera en un tema que desconozca. Otorgamos información básica para que después el usuario pueda profundizarla. Como en muchos casos la gente no necesita profundizar, entonces nosotros queremos ofrecer la mayor calidad posible.


Creciendo con Bush

La plataforma de Wales empezó por casualidad, luego de que se forrara como corredor de bolsa en Chicago. Reconvertido en filántropo digital organizó su primera experiencia enciclopédica online, Nupedia. La caída fue tan alta como propulsora, y Wikipedia hizo su aparición el 15 de enero de 2001. Cinco días después George W. Bush accedía por primera vez a la presidencia de Estados Unidos. Tuvieron suertes disímiles. Ahora Jimbo dispara: "No pude votar, porque estaba en Corea, pero estoy muy complacido con el resultado de las elecciones".

La voz de Wales en materia política no debiera pasar desapercibida. Wikipedia se transformó en un elemento de divulgación tan útil como poderoso. Acaso por eso desde las oficinas de la CIA decidieron "editar" la biografía del controvertido presidente iraní, Mahmud Ahmadineyad. No menos ilustrativo es, tal como recalca el propio Wales, el hecho que la mayoría de las 200 mil entradas de la Wikipedia en chino, hayan sido añadidas durante los tres años que la enciclopedia estuvo prohibida por Beijing. "Afortunadamente hay más gente que hable chino viviendo afuera de China que personas que hablen alemán", desafía Wales sobre el futuro de esa versión.

Sin embargo, fuera de la arena política y las incertidumbres económicas, deberá sortear en el futuro un obstáculo acaso más difícil: la competencia.

-¿Qué opinión le merece la aparición de Google Knol, la enciclopedia de Google?

-Tanto Google como nosotros, consideramos que no habrá competencia. Son productos distintos que apuntan a mercados diferentes. Por otra parte, Google Knol es muy reciente por lo que es muy difícil predecir qué sucederá.

El tiempo se acaba y alguien lanza una pregunta, que si no fuera por el alcance real y potencial de Wikipedia, acaso sonaría forzada.

-¿Qué lugar va a tener Jimmy Walles cuando se escriba la historia de Internet?

-¿Personalmente? No sé, no puedo decirlo. Lo que sí sé es que en el futuro la gente mirará para atrás y seguro la mayoría estará de acuerdo en que Wikipedia fue algo positivo. La idea de poder hacer una obra comunitaria, con gente de todas partes del mundo y colaborativa, tan útil como ésta, me parece una idea muy cool, la verdad. Estoy muy orgulloso de ser parte de esto.

-Las críticas, pese a todo persisten. Incluso hay profesores que se oponen a la utilización de Wikipedia...

Es necesario enseñarles a los chicos cómo usar Wikipedia, pero, la idea de que "Wikipedia es mala" es como decir que el rock and roll es malo, es como decirles que no pueden escuchar rock. Hay que aprender sus utilidades sus limitaciones, si no, es cierto, podrían usarla de manera poco correcta.

PINTA -feira de artes contemporânea -N York


Começou em Nova York a segunda edição da PINTA -feira Latina Americana de arte contemporânea , concebida e planejada por Mauro Herlitzka, Diego Costa Peuser e Alejandro Zaia.Entre outros Lerner participa

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

VIOLÊNCIA A MULHER E A ITÁLIA E A PRÓPOSITO O QUE LULA TRAMOU COM O PAPA


CARTAZ COM MULHER SEMINUA E COMO SE CRUCIFICADA É DIVULGADO NA ITÁLIA E CAUSA POLÊMICA, E A PROPÓSITO DE ROMA O QUE LULA ANDOU APRONTANDO DE PROMESSAS COM O PAPA SOBRE O ENSINO RELIGIOSO.

sábado, 8 de novembro de 2008

O ruído e o vazio : Bienal de São Paulo


Matéria publicada no jornal EL Pais -Espanha A Bienal de São Paulo propõe uma exposição sem obras como metáfora do "museu do imaginario.

obama


Retirado das ruas de Los Angeles

A America Latina e a Literatura

Termina o festival de porto de Galinhas em Pernambuco e se inicia um novo na Agentina
Em Buenos Aires, na terça próxima se iniciará em Malba o Festival Internacional de Literatura (Filba), que reunirá em cinco días quase 60 escritores e periodistas culturais internacionais e locais.

A idea é trazer uma cartografía da palabra que atravessa todos os soportes e formas de expressão. Desde a oralidade até la palavra digital, em sua versão mais moderna, como O blog.
Participarão entre outros desde oexperimentado filósofo italiano Gianni Vattimo, que inaugurará oi Filba na terça 12, a as 19.30, em Malba, até multifacético Pedro Lemebel ;.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

La voluntad y la fortuna".


La voluntad y la fortuna". A VONTADE E A fORTUNA é o mais nvo livro do autor Mexicano Carlos Fuentes, momento em que celebra seu aniversário de 80 anos e faz o lançamento de seu romance que perpassa O mexico contraditório entre economia e violência.

Argentina e seu festival da Democracia



A midia - revista NOTICIAS crítica o uso de cantores e artistas populares pelo governo atual Argentino entre os artistas Mercedes Sosa s y Patricia Sosa, Gustavo Santaolalla, el Bahiano y Alejandro

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Qualidade de curso ainda é duvidosa, diz pesquisadora

Coordenadora do Preal (Programa de Promoção e Reforma Educativa da América Latina e Caribe), a pesquisadora Denise Vaillant afirma que a formação inicial dos professores deve ser feita em "escolas reais, e não virtuais". A uruguaia aponta falta de qualidades em cursos a distância, em que pese haver alguns países-Chile e Colômbia- com propostas potencialmentre corretas e de bons propósitos ainda é fraco no total os procedimentos .PAULO
Veja mais em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0411200803.htm

OBAMA! É ELEITO



O QUE SERÁ QUE NAS ULTIMAS DÉCADAS FEZ OS AMERICANOS SUPLANTAREM O PRECONCEITO RACISTA, OU ISTO É UMA COMPENSAÇÃO PELA SITUAÇÃO GERADA PELO GOVERNO BUSCH NO QUE DIZ RESPEITO A ATUAL CRISE DA ECONOMIA AMERICANA E NAO SE QUERIA A CONTINUÇÃO DE J MACAIN?
QUE FATOS FIZERAM ESTA SUPLANTAÇÃO DO RACISMO , SE É QUE FOI FEITA?
O MUNDO ACOMPANHOU DE BOCA ABERTA TAL FATO MAS NAOTEM RESPOSTAS AINDA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
PAULO

terça-feira, 4 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Itaú e Unibanco anunciam fusão e criam maior banco do hemisfério sul


Itaú e Unibanco anunciam fusão e criam maior banco do hemisfério sul

O nome oficial do novo banco será Itaú Unibanco Holding S.A., mas não foi divulgado o nome fantasia, pelo qual será conhecido pelos clientes. O patrimônio líquido estimado é de R$ 51,7 bilhões
Nada como a crise para ser álibi de grandes transações que muitas vezes fere o principio democrático de negócios
PAulo

O democrata Barack Obama - Álbum de Fotos - UOL Notícias


O democrata Barack Obama - Álbum de Fotos - UOL Notícias
As eleições atuais dos EUA são eleições do medo econômico e suplanta o preconceito de cor e religião
PAulo

sábado, 1 de novembro de 2008

'Black music', de Arthur Dapieve, mergulha na violência com humor

Eu recomendo autor sério, com uma linguagem nova que resgata a cultura juvenil.
paulo



Arthur Dapieve nasceu no Rio de Janeiro, em 1963. Formou-se em jornalismo pela PUC-Rio, onde leciona atualmente. Repórter e editor de cultura, trabalhou no Jornal do Brasil e no Globo, onde desde 1993 assina uma coluna no Segundo Caderno. Também é colunista no site nominimo.com.br. Apresenta, com Marcelo Madureira, o quadro "Sem Controle", no canal por assinatura GNT. Tem cinco livros publicados, entre eles BRock – O Rock brasileiro dos anos 80 (editora 34) e Renato Russo – O trovador solitário (Relume Dumará







'Black music', de Arthur Dapieve, mergulha na violência com humor
André de Leones*, especial para o Jornal do Brasil


RIO - As metrópoles brasileiras, repletas de violência e barbárie, estão se transformando ou já se transformaram em verdadeiros playgrounds de maníacos e marginais. Muitos escreveram e muitos ainda escreverão a respeito. O romance Black music (Objetiva. 112 páginas. R$ 24, 90), de Arthur Dapieve, talvez se inscrevesse, à primeira vista, em uma certa tradição da literatura brasileira que chegou ao céu (ou ao inferno, o que também é bom) com o Rubem Fonseca de tempos atrás, aquele que engendrou O cobrador e A coleira do cão. Entretanto, e felizmente, uma vez que todos estão cansados de imitadores baratos de Fonseca, Dapieve surpreende ao partir para um outro tipo de abordagem.


A premissa poderia resultar em vários romances, quase todos muito ruins (não é o caso de Black music): no Rio, Michael Philips, garoto negro norte-americano, rico, fã de jazz e de basquete, é seqüestrado por três sujeitos usando máscaras de Osama Bin Laden. O líder do bando é um traficante branquelo apelidado de He-Man. Por ser o “dono do morro”, He-Man enfileira namoradas. Uma delas, Jô, fica encarregada de alimentar o seqüestrado. O triângulo está formado, e é claro que as coisas não vão melhorar: o pai de Michael (ou “Maicon Filipe”, como quer He-Man) enrola para pagar o resgate, os traficantes do morro estão em guerra com outros traficantes e o FBI (!), por conta de um mal entendido, começa a fechar o cerco.


Black music foge do óbvio graças à inteligência do autor, que estrutura o livro em três partes (além de um prólogo), cada uma narrada por um dos três vértices do triângulo. Pela ordem: Michael, He-Man e Jô. Faz-se questão de sublinhar as diferenças abissais entre os personagens de todos os modos possíveis, inclusive graficamente.


A primeira parte seria a mais convencional mas não menos interessante e terrivelmente engraçada, com o seqüestrado narrando os primeiros dias no cativeiro, seu contato com os bandidos e, claro, com a mulher do bandido. Em que uma coisa dessas é ou pode ser terrivelmente engraçada? Por exemplo, como os seqüestradores usam máscaras de Bin Laden, Michael acredita por um tempo que é refém de uma célula terrorista. Dapieve consegue achados como este: “Fiquei nervoso e comecei a contar os tiros como se eles fossem carneiros, na esperança de voltar a cair no sono”. Afinal de contas, conforme o próprio Michael diz: “A gente se acostuma com tudo”.


A segunda parte, narrada por He-Man, vem na forma de letra de rap. He-Man sonha em se tornar o maior rapper brasileiro e não economiza nas rimas para contar a sua própria história. Coisas como “Eu não sou D2, mas também tiro onda / Zoou comigo, vai parar no microonda” tomam as páginas. Na terceira e melhor parte, narrada por Jô, o autor recorre a um outro recurso para caracterizar a personagem: o uso de maiúsculas. Conforme somos informados desde a primeira parte, Jô sempre fala alto demais, e é gritando que nos conta sobre a irmã ex-prostituta que se casou com um gringo e mudou para a Suíça. Enquanto isso, a tragédia continua se avizinhando, tornando-se inevitável. Os momentos engraçados, seja pela fala da narradora (que afirma ter “loção de ridículo”), seja por algumas situações descritas, não param de se avolumar. O mal-estar resultante não é pequeno, uma vez que o riso está longe de aliviar o peso dos absurdos narrados.


O que salta aos olhos em Black music é a brutal incompreensão de cada personagem em relação aos demais. Impressiona, ainda, como toda e qualquer tentativa de aproximação ou de entendimento resulta, invariavelmente, em violência. Dapieve transforma o que poderia ser uma grotesca e irresponsável comédia de horrores em algo vigoroso, imaginativo e até mesmo carregado de algum lirismo.


*Autor de Hoje está um dia morto e Paz na terra entre os monstros, ambos lançados pela Record.