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segunda-feira, 19 de abril de 2021

O que a mídia esconde quando fala “O agro é pop” OUTRAS PALAVRAS

 


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Muito boa matéria de Outras Palavras por Telma D. da Silva,vale ler , difundir  e colaborar com OUTRAS PALAVRAS


Na longa série de propagandas e “reportagens” exibidas pela Globo, um truque. Disparam-se dados fora de contexto, para exaltar setor que devasta natureza e aprofunda desigualdades. Riquezas do Brasil não são para, ao menos, matar a fome?
OUTRASPALAVRAS

Publicado 14/04/2021 às 18:29





Em 2020 e agora em 2021, anos em que vivemos a pandemia, e com ela a pior crise econômica e humanitária a nível planetário, nós no Brasil presenciamos sucessivas safras recordes de grãos. O feito é noticiado, ou, mais do que isso, alardeado, comemorado, exibido como um troféu. E os números, impressionantes, estão ainda em crescimento: “A safra nacional de grãos deve atingir mais um recorde, o terceiro consecutivo, neste ano, com 260,5 milhões de toneladas, um crescimento de 2,5% em relação a 2020”. Importante seria alardear, junto a esses números, outros: qual o montante da fortuna arrecadada com as exportações de grãos, dado o câmbio atual? quantos brasileiros se beneficiam dessa fortuna?

Mas parece não haver nessa falta nenhum incômodo, basta aos brasileiros ter notícia dessa “nossa riqueza”.

A propaganda do agronegócio, de uma campanha já antiga, de 2017, circulou fortemente na Rede Globo no ano passado e início deste: “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo”. Sim, é uma propaganda, mas é de responsabilidade de uma determinada empresa jornalística, que, em sua difusão por todo o imenso território, denota de maneira flagrante esse traço subdesenvolvido e antidemocrático de nossa Comunicação. A campanha intitula-se “Agro: a Indústria-Riqueza do Brasil”, numa significação que afirma sem rodeios a agricultura como uma indústria, aliás a mais rica – e isso é mesmo certo, depois do desmonte da indústria brasileira que a Lava-Jato promoveu, atingindo diversos setores industriais.

De acordo com Roberto Schmidt (diretor de marketing da TV Globo), o objetivo da iniciativa é conectar o consumidor com o produtor rural e ao mesmo tempo desmistificar a produção agrícola aos olhos da sociedade urbana – dado o conjunto da obra, “desmistificar” deveria ser mostrar a agricultura não só como uma indústria, mas como uma indústria moderna, confrontando um imaginário de rural como não-tecnológico, atrasado. “Queremos mostrar que a riqueza gerada pelo agronegócio movimenta os outros setores da economia”, salientou, acrescentando que: “a ideia é fazer com que o brasileiro tenha orgulho do agro”.

Não tenho dúvidas: a ideia é fazer com que o brasileiro tenha orgulho de algo que seria “do Brasil”, porém, algo do qual ele não necessariamente se beneficia, pelo menos de maneira direta ou efetiva. Assim, cabe perguntar: e o orgulho do brasileiro em relação às universidades, à ciência, ao SUS, por exemplo? Há em curso processos de destruição e/ou de deterioração, que atingem tudo o que pode tirar da miséria o brasileiro. E o que sabe disso o brasileiro que deve ter orgulho da indústria-riqueza?

A destruição atinge os direitos trabalhistas, aprofundando a direção neoliberal no atual governo. Atinge o direito à terra, no percurso mesmo dos incêndios e invasões ilegais em terras da União, no cerne da guerra política, econômica, cultural uma vez posta no “meio ambiente” e nunca cessada. E atinge o Sistema de Saúde e a educação básica, para ficar nos serviços públicos mais fundamentais. Se a pandemia, como dizem, afeta “desigualmente” o brasileiro, afeta diretamente o trabalhador assalariado ou informal, o microempresário, aqueles que mais dependem não só do “livre comércio”, mas também de todo um sistema público, hoje estressado, sucateado ou desmoronando. Portanto, cresce hoje absurdamente a população refém dos auxílios – o mínimo de um mínimo a um espetacular número de brasileiros. Mas a pandemia não é ela mesma a responsável direta por esse crescimento da miséria no país, senão o próprio contexto histórico-político, coroado pelas piores decisões no seu enfrentamento.

O que dizer de um governo que, na crise sanitária que se instalou com a pandemia, troca um ministro da Saúde médico, e outro em seguida, instalando um general que assume que não entende nada do SUS? O que se disse a respeito na mídia foi muito, muito pouco. Muito mais poderia ser dito a respeito da decisão do governo de deixar o vírus correr solto.

Embora o SUS no momento esteja muito presente nas pautas televisivas e esteja sendo referido por comentaristas como exemplo mundial de sistema público de Saúde, parece-me que falta à população informação com relação ao que existe de fato para que esse funcionamento se dê, em termos de uma estrutura pública de Educação superior, Ciência e Saúde — estruturas que são visadas como possíveis terrenos de encampação pelo setor privado. Então: propagandeia-se um orgulho pela safra recorde e os profissionais de saúde, entre outros funcionários públicos, devem ter seus salários congelados. E os profissionais da saúde e da educação do sistema público são ainda e de novo exaltados enquanto heróis, em seu sacrifício diário – perversa ladainha das mais antigas nesse país.

O SUS faz parte de uma política por meio da qual uma atenção mínima à população deu-se a partir de uma estrutura que não é pequena nem simples, nem pode ser simplificada, pois demanda de diversas áreas e demandou de fato uma série de ações e incentivos díspares, que inclui a estruturação e provisionamento, não no ideal, certamente, do Sistema Único de Saúde para atingir, nesse território gigante, o maior número possível de cidadãos – mas passa também pela pesquisa populacional (IBGE) e pelo sistema de monitoramento ambiental do território da União (INPE), ambos atacados/desmontados pelo governo federal atualmente.

E ainda pela legislação ambiental, que foi investida nesses últimos anos e é das mais atualizadas frente ao contexto internacional. Com ela, assegura-se o direito à terra para populações que vivem de forma coletiva, por exemplo em regime de extração sustentável. A legislação ambiental, como sabemos, tem sido escancaradamente inoperada (com o desmonte do IBAMA e ICMBio, o perdão de multas, a regularização fundiária). Falta dizer que essa inoperância hoje da legislação ambiental no Brasil se dá na direção do melhor aproveitamento do capital, desse mundo financeiro que reproduz o dinheiro à custa de vidas, da fome, de vidas miseráveis ou perdidas ou iludidas.

Ocorre que, no momento mesmo da safra recorde, a estrutura mínima de proteção à população desse país, gigantesco, tem sido minada, tem sido golpeada, escasseada, arrasada. O processo de destruição em curso foi visível em sua gritante imagem nos inumeráveis incêndios florestais ocorridos no país, criminosos, em que vislumbramos novamente, e sempre, um território rendido aos interesses pífios de uma elite – mesmo que aparentemente sejam os chamados grileiros a fazer o trabalho sujo da expansão agrícola. Além de uma mineração primitiva e selvagem, que persiste na maior parte das vezes pela ilegalidade, também os grandes negócios na agricultura têm na sua constituição as sucessivas “legalizações” de terras que foram barganhadas, tomadas, ao destituíram delas ou mesmo ou matar indígenas e caboclos, por exemplo – as “regularizações fundiárias”.

O “auxílio emergencial” é minguado e descontínuo e os outros auxílios vão se escasseando ou talvez tornados um luxo, entre a parcela “mais afetada”, ou seja, entre aqueles sujeitos que nada têm diante de um Estado que deve ter – exigência do mercado, que tudo comanda – cada vez menos a oferecer a eles.

O Estado, que se quer sempre cada vez mais mínimo, atuava minimamente na proteção da população, graças a uma política nesse sentido que buscou atender no básico a uma população enorme que se espalha nesse território gigantesco, com suas especificidades regionais – os brasileiros, não?

Tais questões passam pelos noticiários da imprensa tradicional, mas os “fatos noticiados” na grande mídia não são destrinchados em uma perspectiva crítica que os correlacione, e o que resta é a repetição de determinadas “conclusões” como: a pandemia afeta de modo desigual a população, o presidente deve ser afastado da gestão da pandemia, os remédios tal, tal, tal “não tem eficácia comprovada”. Aliás, intrigante essa construção: dizer que “não tem eficácia comprovada” deixa uma margem de possibilidade, um “pode-se ainda comprovar”. Melhor seria dizer que comprovadamente não tem eficácia nenhuma contra a covid.

Hoje, na cobertura da imprensa – falo em especial da televisiva –, chama atenção a produção de uma imagem crítica ao governo, à custa de observações sobre a sua inoperância na pandemia. As “conclusões” ocupam na emissão jornalística o lugar dos seus silêncios sobre a cena política. Depois, a pesquisa de opinião pública colhe os frutos, bem como as eleições. Portanto, tal circulação de “conclusões” – digo conclusões tal o efeito sintético quanto aos fatos-alvo das notícias – tampona uma crítica mais efetiva, funcionando na sustentação de um silêncio, por exemplo, quanto à relação entre a produção de grãos, o desmonte do que é público e a fome.

É lado a lado ao desmonte do que é público, de tudo aquilo que pode beneficiar a população, que as safras de grãos assumem sucessivos recordes, enriquecendo um produtor que, em sua maioria, produz em grandes propriedades, remontando ao histórico da grande plantação, o latifúndio, contando sempre com o financiamento público de seus investimentos e, quanto ao exportador, contando ainda com a isenção de impostos. Como pedir que tenhamos orgulho dessa produção tutelada pelo Estado, nesse Estado que não deve mais dar o mínimo ao brasileiro?

Não se identifica nas imagens da campanha “Agro é tech” uma entidade que a estaria promovendo, o que coloca a Rede Globo como autora responsável. Porém, nesse falar de uma aparente “agricultura generalizada”, justamente, não é difícil identificar sobre qual produtor rural está se falando: é sim o produtor rural das safras recordes, o produtor do agrobusiness, é o sujeito que produz commodities, ou seja, um “agricultor” entre aspas pois o que produz não é alimento, e sim mercadoria (dinheiro, capital). Daí que não haja espanto algum que as safras recordes se deem no país que entra nesse momento numa situação de fome calamitosa.

Ao mesmo tempo em que propagandeia o agronegócio, a emissora mostra em suas reportagens um governo ineficiente, nocivo, genocida, um ministro do meio ambiente vendido. Bolsonaro esbraveja com os jornalistas, com destaque à Globo, e a imagem de um jornalismo crítico se produzindo parece colar. No quadro de uma crítica ao desastre que se instalou no país, sobretudo após as últimas eleições federais, falam ministros do STF, fala o líder da Câmara dos deputados, mostram-se cartas de repúdio, que se somam, junto aos pedidos de impeachment. E comentaristas avaliam que o governo perde apoio, por isso, isso e isso.

Tendo tudo sido exposto na televisão, a crítica parece estar sendo feita, considerando esse papel de enorme responsabilidade da imprensa: a opinião pública não é algo que está presente na população, de antemão, a qual a mídia detecta com a pesquisa, mas algo que a própria mídia produz ao produzir indignação ou produzir orgulho, ou manter silêncio.

Seria o caso de compreender o silencio naquilo que é dito na emissão jornalística. Com relação ao agronegócio, uma reportagem no dia 24 de fevereiro de 2021 no Jornal Nacional fala em 13 mil empregos gerados pela soja, sem nenhum elemento crítico que possa colocar uma tensão no dado numérico e seu “efeito informativo”. Seria preciso, se se trata de um jornalismo mínimo, relembrar ao telespectador o caráter ínfimo desse dado. Para começar, não são empregos, mas “bicos”: os postos de emprego noticiados pela reportagem duram o tempo da colheita. Para terminar, o que são 13 mil postos de emprego numa economia que rendeu os milhões de sacas que a soja propagandeia? Para se ter uma ideia do absurdo de se propagandear esses 13 mil postos de emprego, na agricultura familiar – a atividade agrícola que de fato nos sustenta, nos alimenta – são 10 milhões de postos.i

Quanto à promoção do agronegócio como indústria-riqueza do Brasil, o mais importante é não só olhar para o incremento dessa produção agrícola enquanto produção de mercadoria, que enriquece meia dúzia e encarece a oferta do alimento no mercado interno. Mas principalmente considerar como isso está em oposição flagrante a outras políticas como a política de fortalecimento da agricultura familiar e/ou da agricultura orgânica; bem como à política das áreas protegidas enquanto terras da União, que dá possibilidade de existência a outras culturas, em suas formas de se relacionar com a terra, diversas sobretudo daquela voltada unicamente para o rendimento monetário, que ignora a alimentação da população e que esgota a terra. Temos alguns trabalhadores do campo, algumas populações tradicionais que resistem produzindo alimentos, muitas vezes orgânicos, alguns destes derivando do movimento MST criminalizado pela Rede Globo.

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

As aventuras belicosas de um império caduco

 


Vestido de beduíno, príncipe Charles percorre as monarquias árabes como garoto-propaganda das empresas britânicas de armamento

Vale,vale,sim, vale ler e pensar por OUTRAS PALAVRAS...https://bit.ly/3wywplN

GEOPOLÍTICA & GUERRA

Publicado 05/04/2021 às 19:13 - Atualizado 05/04/2021 às


Inconsciente de sua pequenez, o Reino Unido espalha conflitos insólitos – da conspiração para o golpe na Bolívia a planos anti-Rússia. Tem o amparo de sua ex-colônia, os EUA. Decadente mas perverso, mostra que é grave não saber envelhecer

Por Eduardo J. Vior, em InfoBaires24 | Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel.

A relação entre a elite dirigente dos Estados Unidos e sua homóloga da Grã-Bretanha se parece à desses homens que, mesmo crescidos, não conseguem se tornar independentes de suas mães já velhotas e senis, mas dominadoras, tanto quanto dominadas por delírios de grandeza. Na inconsciência da sua debilidade, elas se metem vez por outra em aventuras arriscadas, buscando perversamente arrastar seus filhos ao seu socorro, como prova de amor incondicional.

Já estão longe os tempos do Empire. Durante 45 anos, a Grã-Bretanha foi bem acolhida na União Europeia, mas o círculo áulico que rodeia e se entrelaça com a família real se cansou de pelejar com a hegemonia franco-alemã e sonha em recuperar a grandeza perdida. Por isso, instrumentalizou e manipulou seu povo até conquistar o Brexit. Agora, essa gente anseia por navegar de novo, triunfante, por pelo menos quatro dos sete mares que antes tinham por hábito assolar. O Ministério da Defesa do Reino Unido (UKDM) publicou na segunda-feira da semana passada seu relatório sobre “Defesa em uma era competitiva”, que dá continuidade às formulações do “Livro Branco de Defesa”, dado a conhecer há quinze dias.

Naquele sábado, 20 de março, o mesmo Ministério informou sobre a formação de uma força-tarefa, para combater “o terrorismo russo”. Isso aconteceu poucos dias depois de vir a público o informe do site DeclassifiedUK.com sobre a intervenção britânica no golpe de Estado da Bolívia, em novembro de 2019, e um mês após a mesma organização não-governamental denunciar o papel do príncipe Charles como traficante de armas para as sanguinárias monarquias da Península Arábica. A velha senhora se dispõe a muito, ninguém sabe com que meios, mas, sim, é certo que, se algo lhe sai mal, seu filho mais velho do outro lado do Atlântico vai ter que ampará-la.

Na estratégia de modernização das Forças Armadas britânicas que veio a público na segunda seguinte, 22 de março, o governo qualificou a Rússia como “a maior ameaça nuclear e militar convencional” para a segurança europeia e expressou seu desejo de que tal modernização propicie a Londres a oportunidade para intensificar sua presença no Ártico, tanto quanto nos mares Negro e Báltico. “A modernização das forças armadas russas, a capacidade de integrar toda a atividade do Estado e um maior apetite pelo risco tornaram a Rússia um ator capaz e imprevisível” se lê no item 1.4 do documento intitulado Defence in a competitive age (“Defesa em uma era competitiva”).

Como resposta, propõe que “grandes investimentos em uma nova geração de fragatas de guerra antissubmarina e um enfoque na interoperabilidade profunda com aliados como Estados Unidos, França, Noruega e Holanda permitam ao Reino Unido conservar seu papel histórico (…) para garantir nossa liberdade de operar no Atlântico Norte e reforçar os aliados europeus”. Nesse sentido, Londres tem intenção de fortalecer os laços com Ucrânia, Grécia, Turquia, Bulgária e Romênia, para “garantir a liberdade de navegação e segurança” no Mar Negro. Do mesmo modo, planeja aumentar sua presença militar na África, tanto quanto nos oceanos Índico e Pacífico.

Simultaneamente, em consonância com essa nova/velha ideia, no sábado, 20 de março, o general Sir Mark Carleton-Smith, chefe do Estado-Maior do Exército, anunciou a constituição de uma nova força operativa conjunta que reunirá as forças especiais do Exército (SAS) e o Serviço Secreto de Inteligência (SIS, mais conhecido como MI6), para “combater as intervenções russas em todo o mundo”. Note-se bem: Russas! Ao mesmo tempo o Exército planeja constituir uma nova Brigada de Operações Especiais para atuar nas áreas de “grande ameaça” em ultramar pelo custo módico de 120 milhões de libras (165 milhões de dólares). Num diálogo com o Daily Telegraph o alto chefe militar informou que a nova Brigada vai intervir “em áreas inimigas e de grande ameaça, juntamente com aliados regulares e irregulares, formais e informais”, ou seja, com mercenários e terroristas.

A notícia foi dada a conhecer pouco antes que o Ministério publicasse aquele documento do Comando da Defesa, como parte da revisão integral da política exterior, de defesa, segurança e desenvolvimento. Espera-se que o Exército receba um adicional de três bilhões de libras esterlinas (4,13 bilhões de dólares) no orçamento público, ainda que sejam também anunciados cortes significativos. O governo propõe remodelar o Exército para adaptá-lo às modalidades de guerra do século XXI, com menos infantaria e mais operações especiais.

Esses anúncios, na realidade, apenas oficializam ações já em curso. No último dia 8 de março, por exemplo, o historiador Mark Curtis e o jornalista Matt Kennard demonstraram, em um relatório sobre a derrubada de Evo ‎Morales, publicado no site Declassified UK (sediado na África do Sul desde que se tornou alvo da censura militar britânica), de que forma aquele golpe de Estado foi executado por ordem do Foreign Office [equivalente ao Ministério das Relações Exteriores] e de alguns departamentos ‎da CIA norte-americana, sem passar pela administração Trump. A participação britânica no golpe tinha como objetivo se apropriar do lítio boliviano, e foi urdida fazendo uso da conexão que os britânicos mantêm desde os tempos da Guerra Fria com a minoria croata de Santa Cruz de la Sierra, descendente direta dos ustacha nazistas que, após a Segunda Guerra Mundial, foram realocados no Oriente boliviano.

Mark Curtis e Matthew Kennard notam no seu relatório que os Estados Unidos não participaram oficialmente do golpe contra Evo Morales, mas que vários funcionários da CIA ajudaram a orquestrá-lo. O pessoal encarregado de preparar a operação era ‎principalmente britânico. Os autores asseveram também que a embaixada ‎britânica na Bolívia forneceu à OEA os dados que ‎viriam a ser utilizados para “provar” a suposta fraude na eleição presidencial. ‎Os fatos vêm a confirmar o trabalho investigativo do historiador britânico.

Num outro cenário, em novembro último, após 44 dias de guerra no Alto Karabakh, a Armênia teve que firmar um ‎cessar-fogo com o Azerbaijão e aceitar a perda de uma grande parte dos territórios ‎em disputa. ‎O que ocorreu foi que Londres aproveitou a confusão formada com a eleição presidencial ‎norte-americana para tirar vantagem de Washington, buscar excluir ‎a Rússia do jogo no sul do Cáucaso e assim voltar ao Grande Jogo do século XIX, quando os britânicos ‎eram aliados do Império Otomano contra a Rússia czarista. Mas Moscou se deu conta e impôs aos contendores um cessar-fogo que freou a possibilidade de um novo massacre dos armênios [N. do T.: O primeiro genocídio armênio (ou curdo), que teria vitimado em torno de um milhão e meio de pessoas, foi perpetrado pelo Império Otomano (hoje Turquia) em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, como tática de limpeza étnica. O Azerbaijão é parte do mundo linguístico turco. A cautela de Moscou em defender seus históricos aliados armênios parece ser explicada em parte por se recusar a se ver arrastado para mais uma guerra por procuração, como se havia tentado fazer na Geórgia, e em parte para não proporcionar apoio ao primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan, caracteristicamente pró-ocidental, e que ascendeu ao poder por meio de uma “revolução colorida” patrocinada pelo Ocidente. Agora, sob pressão das Forças Armadas armênias, Pashinyan acaba de anunciar que deixará o poder em abril.]

Em consonância ao movimento de voltar ao Grande Jogo, Boris Johnson colocou o diretor geral do Ministério ‎de Relações Exteriores, Richard Moore, na condução do MI6. Esse novo chefe da Inteligência Militar foi embaixador ‎em Ancara, fala turco com desenvoltura e é amigo pessoal do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Richard Moore é, além disso, amigo pessoal do príncipe Charles, que, por seu lado, é patrono do Centro de Estudos Islâmicos de Oxford (Oxford Centre for Islamic Studies), onde há 25 anos são formados os ‎intelectuais da Irmandade Muçulmana, responsáveis por lançar as bases para os diversos grupos fundamentalistas islâmicos atuais. Como embaixador britânico em Ancara de 2014 a 2017, Richard Moore ajudou Erdogan a se converter em protetor dessa sociedade secreta radical. Já em 2014, Moore tinha coorganizado a retirada britânica da Síria, uma vez que Londres, que havia apoiado ali os jihadistas com fins a levar adiante seus próprios objetivos coloniais, constatara que aquela guerra tinha se tornado não mais que uma operação norte-americana para desagregar e dominar o Oriente Médio.

Outra matéria, publicada em 24 de fevereiro último, também pelo site Declassified UK, intitulada “Charles da Arábia” [em paráfrase a Lawrence da Arábia], descreve como o príncipe Charles vem agindo na Península Arábica como “um representante de alto nível das empresas britânicas de armamento, para fortalecer os regimes autocráticos do Golfo”. Na matéria são contabilizados 95 encontros do herdeiro da coroa com as famílias reais do Oriente Médio, enquanto o total de encontros entre membros da realeza britânica e das monarquias do Golfo chega a 217. O artigo sublinha que todas as viagens de Charles aos países da Península foram feitas por expressa solicitação do Foreign Office e destaca o quanto o Príncipe de Gales ajudou a cimentar as relações com aquelas monarquias, promovendo, ao mesmo tempo, vendas de 14,5 bilhões de libras esterlinas (quase 20 bilhões de dólares) em equipamento militar.

Como demonstra a denúncia italiana do sequestro de 29 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, escondidas em um depósito no norte do país, para serem exportadas ilegalmente para a Grã-Bretanha ― exatamente no momento em que os países europeus protestam contra a empresa pelas doses prometidas mas nunca entregues ―, o Reino Unido não demonstra quaisquer escrúpulos na luta por restaurar sua hegemonia. A monarquia britânica não se resigna a sua decadência, tampouco tem qualquer pejo em arrastar os Estados Unidos para um novo ciclo de guerras de grandes proporções.

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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Novo protesto na embaixada brasileira em Paris denuncia “genocídio” no Brasil




PHOTO E TEXTO POR RfI-https://bit.ly/3dy8bPN

 Protesto contra o governo Bolsonaro em frente à embaixada do Brasil em Paris, neste domingo 4 de abril de 2021. © Liliane Mutti

A embaixada do Brasil em Paris foi alvo neste domingo (4) de um novo protesto contra o governo de Jair Bolsonaro. Brasileiros residentes na França colocaram na fachada do prédio faixas com os dizeres, em francês, “Genocide, + de 300 mille morts e “Dictature plus jamais”.

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O protesto em forma de instalação artística foi realizado pelos coletivos Alerta França Brasil/MD18 e Ubuntu Audiovisual. Em comunicado, eles declararam que o ato “expressa a indignação dos brasileiros residentes na França, e dos cidadãos ao redor do mundo, frente às mais de 300 mil mortes pela Covid”.

Além das faixas vermelhas, pintadas de preto com os dizeres “Genocídio, + de 300 mil mortos” e “Ditadura nunca mais”, os ativistas instalaram nas grades das janelas máscaras pintadas de vermelho sangue, “para simbolizar as mais de três mil perdas diárias de vidas nesses últimos tempos, vítimas da necropolítica do governo de extrema direita”. Uma fumaça vermelha, tendo como fundo uma bandeira brasileira de luto fechou o protesto.

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segunda-feira, 29 de março de 2021

COVID- BRASIL MUNDO - VACINAS DE SP- BUTANVAC, DE CUBA ... HERANÇA COLONIAL -PANDEMIAS

 UM MOSAICO DE VÁRIAS MÍDIAS ...

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Economist: Ações de Bolsonaro são ruins para o Brasil e para o mundo

A má gestão do Brasil de covid-19 ameaça o mundo

Jair Bolsonaro tem muito a responder

Da revista conservadora britânica Economist

Sérgio Olímpio Gomes, mais conhecido como Major Olímpio, era um policial que entrou na política há 15 anos.

Em 2018, ele chefiou a campanha no estado de São Paulo do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e foi eleito para o Senado nacional.

Em 18 de março deste ano, ele morreu de covid-19, aos 58 anos.

Ele é o terceiro senador em exercício a morrer da doença. Quase 4% da câmara alta pereceu na pandemia.

Isso trouxe para a classe política o choque que milhões de brasileiros estão experimentando agora.

O país está sofrendo uma segunda onda muito pior do que a primeira.

Seu número de mortos registrados, em média mais de 2.300 por dia, é um quarto do total mundial. Isso apesar de o Brasil ter menos de 3% da população mundial.

O sistema de saúde está em estado de “colapso” para pacientes com casos graves de covid-19, diz boletim publicado no dia 23 de março pela Fiocruz, instituto de pesquisas do setor público.

Em 25 dos 27 estados, mais de 80% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados.

Dezoito estados têm escassez de medicamentos, como bloqueadores neuromusculares, usados ​​quando os pacientes são colocados em ventiladores.

Em seis estados, o suprimento de oxigênio está perigosamente baixo, de acordo com o Ministério da Saúde.

O Fórum Nacional de Governadores alerta que a escassez ameaça causar “um colapso dentro do colapso”.

A Bahia, estado do Nordeste do Brasil, vive uma “pressão”, não um fracasso total, afirma seu secretário de saúde, Fábio Vilas-Boas. Mas isso já é ruim o suficiente.

O número de pacientes que precisam de oxigênio “explodiu”.

Alguns hospitais estão tratando pacientes covid-19 em salas de emergência porque suas unidades de terapia intensiva estão lotadas.

Acredita-se que a segunda onda do Brasil seja causada principalmente por uma variante do novo coronavírus, chamada p.1, que provavelmente nasceu na cidade amazônica de Manaus.

Mais contagiante que o original, e capaz de reinfectar pessoas que já tiveram covid-19, p.1 tem alarmado não só o Brasil, mas o resto do mundo.

Foi detectado em 33 países. Algumas vacinas são menos eficazes contra a p.1 do que contra outras variantes importantes do vírus na Europa e nos Estados Unidos.

Os vizinhos do país estão fechando suas portas. Peru e Colômbia suspenderam voos do país.

Apenas dois dos dez principais países de destino dos brasileiros permanecem abertos a eles.

“Se o Brasil não for sério, continuará afetando toda a região”,  alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da Organização Mundial da Saúde.

Mas a seriedade, assim como os bloqueadores musculares, está em falta.

Bolsonaro apregoou curas charlatanescas, protestou contra bloqueios e tentou impedir a publicação de dados.

Ele acaba de se despedir do terceiro ministro da saúde (um general do exército) desde o início da pandemia.

As vacinas não são para ele, afirmou Bolsonaro.

Seu governo demorou a encomendá-las, embora fabricantes como Pfizer e Janssen as tivessem testado no Brasil
Bolsonaro apregoou curas charlatanescas, protestou contra bloqueios e tentou impedir a publicação de dados. Ele acaba de se despedir do terceiro ministro da saúde (um general do exército) desde o início da pandemia. As vacinas não são para ele, afirmou Bolsonaro. Seu governo demorou a encomendá-los, embora fabricantes como Pfizer e Janssen os tivessem testado no Brasil.

Governadores e prefeitos, que implementam bloqueios, foram criticados pelo presidente. Mesmo quando as restrições estão em vigor, a retórica de Bolsonaro pode atrapalhar sua aplicação.

Nos bairros pobres da Bahia, a vida continuava normal, pelo menos até muito recentemente. “Não podemos impor a quem mora na favela a obrigação de ficar dentro de uma casinha quente”, afirma o Dr. Vilas-Boas.

O estado não tem polícia suficiente para garantir que os bares fiquem fechados.

O fato de uma variante como a p.1 ter nascido em Manaus não é surpresa, diz Natalia Pasternak, microbióloga que dirige o Instituto Questão de Ciência, que defende o uso da ciência para moldar políticas públicas.

A primeira onda da cidade foi tão severa que alguns pensaram que ela havia alcançado a imunidade coletiva. Os moradores lotaram as praias ribeirinhas na primeira oportunidade, dando à p.1 um início de vida rápido.

Quando deixou a floresta, outras partes do país receberam o vírus. Embora o Brasil faça muito pouco sequenciamento de genes para saber ao certo quanto se espalhou, estudos no estado de São Paulo identificam uma variante em 80-90% dos casos.

P.1 é assunto importante porque pode ser mais contagioso do que as versões anteriores e capaz de reinfectar pessoas.

Um estudo sugeriu que pode ser até duas vezes mais transmissível e pode reinfectar 25-61% das pessoas que têm covid-19.

P.2, uma variante preocupante do Rio de Janeiro, também está se espalhando.

O choque da segunda onda está mudando o comportamento das pessoas.

Governadores e prefeitos agora estão endurecendo as restrições e as pessoas as obedecem mais.

A partir de 22 de março, o toque de recolher noturno na Bahia começa às 18h em vez de às 22h.

Os baianos reduziram recentemente pela metade a distância que viajam, segundo dados de telefones celulares. Isso está diminuindo a propagação do covid-19.

O Dr. Vilas-Boas estima que o número de casos ativos na Bahia caiu de 21.000 para 17.000. O número de pacientes à espera de leitos em UTIs caiu de 513 em 12 de março para 280 dez dias depois.

Este mês, o governo federal finalmente concordou em comprar a vacina da Pfizer e a vacina em dose única da Janssen.

Elas irão complementar as vacinas AstraZeneca e CoronaVac chinesa que já estão sendo administradas. O Brasil também iniciou a produção nacional.

A Fiocruz entregou suas primeiras doses caseiras de AstraZeneca; o Instituto Butantan de São Paulo começou a fazer o CoronaVac.

Cerca de 8% dos adultos tomaram a primeira dose. “Pela primeira vez”, diz a Sra. Pasternak, “estou esperançosa”.

Em 23 de março, quando o número de mortos diários atingiu o recorde de 3.158, Bolsonaro foi à televisão para se gabar do progresso da vacinação no Brasil.

No entanto, enquanto o distanciamento social for necessário, o presidente continuará sendo uma ameaça à saúde dos brasileiros. Ele entrou com ações no Supremo Tribunal Federal contra três estados, incluindo a Bahia, que reforçaram os bloqueios. Suas ações são ruins para o Brasil — e para o mundo.

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Artigo | A Butanvac e o cinismo de Doria

Butanvac é demonstração da importância não apenas da ciência, mas de que o Estado não pode cair nas garras do mercado

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 

                                                                           FOTO POR  https://bit.ly/3rqjKNZ- BRASIL DE FATO


Instituto Butantan espera aprovação para testes da vacina nesta sexta (26) - Cecília Bastos/USP Imagem

O Instituto Butantan anunciou, nesta sexta-feira (26), o início dos procedimentos para testagem e desenvolvimento da vacina 100% nacional contra a covid-19. É uma estrondosa vitória da ciência e da pesquisa brasileiras.

Saiba mais: Vacina e soro produzidos pelo Butantan podem reforçar combate à covid

Outros centros realizam estudos para o desenvolvimento no Brasil de imunizantes contra a covid. O maior entrave enfrentado, como sempre, é a falta de financiamento público que é histórica no Brasil, mas que se aprofundou com o acelerado desmonte do estado e austericidio exigido pelo capital financeiro. 

Leia aqui: Orçamento 2021 é aprovado com cortes em áreas centrais para o combate à covid-19

O anúncio da Butanvac agitou o noticiário e anima a imensa parcela da população que sabe que a terra não é plana e que tem buscado, a despeito da sabotagem do genocida, seguir as orientações da ciência mesmo num quadro em que o Bolsonaro tudo faz para criar o caos, principalmente ao negar o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 e socorrer pequenos negócios para viabilizar efetivo isolamento social. 

João Doria, cujo único "mérito" é mostrar não ser terraplanista, mais uma vez busca surfar os acertos do Instituto Butantan e da ciência a fim de se firmar como alternativa para o eleitorado que foi enganado por Bolsonaro com grande ajuda do tucano, da Globo, da Faria Lima e de muita gente que agora tenta se distanciar do capitão. 

Conhecido entreguista e adulador do rentismo, o cínico Doria precisa explicar sua tentativa de confiscar os fundos públicos destinados à ciência, pesquisa e universidades e, principalmente, porque no início de seu governo viajou o mundo para oferecer, na bacia das almas, o centenário Instituto Butantan e outras instituições públicas fundamentais para o Estado de São Paulo e o Brasil. 

:: Doria propôs cortar investimento em ciência em três ocasiões durante a pandemia ::

A Butanvac é a demonstração cabal da importância não apenas da ciência e da pesquisa, mas, assim como o SUS, de que o Estado e o serviço público não podem cair nas garras do mercado, o verdadeiro deus de Bolsonaro, Doria, Guedes, Moro, Hulk, Leite, Mandeta e toda essa escumalha.

 

*Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Rebeca Cavalcante


CUBA: CINCO VACINAS PRÓPRIAS CONTRA A COVID-19


                                          FOTO  POTR: ttps://bit.ly/3lVoTwk-PÁTRIA LATINA



É o único país da América Latina a ter suas próprias vacinas contra a covid

Beto Almeida

Mais de 240 mil cubanos já estão recebendo em seus braços a vacina Soberana 2 e a Abdala, imunizantes produzidos em Cuba, que são candidatos ao reconhecimento da OMS, já na fase 3 de testes, resultado de um significativo esforço do país caribenho.

Segundo o Chanceler cubano, Bruno Rodriguez,  os cientistas, médicos e voluntários que trabalham com a imunização frente à Covid19.  “são parte de um povo comprometido com a saúde e a soberania.”


Com isto, a nação socialista torna-se o primeiro país latino-americano a ter desenvolvido suas próprias vacinas contra a Covid19, uma tremenda conquista, considerando, especialmente, a Cuba continua sob bloqueio imposto pelos EUA, desde 1962, dificultando enormemente o desenvolvimento econômico da Ilha Caribenha.

Não apenas no terreno das vacinas que Cuba se destaca como exemplo de desenvolvimento e de soberania, apesar de ter uma economia muitas vezes menor que a economia do Brasil ou da Argentina.  No entanto, nenhum dos dois membros do Mercosul possuem vacinas próprias, e estão muito longe de registrar os elevados indicadores de saúde que Cuba apresenta ao mundo, entre os quais o de possuir uma mortalidade infantil inferior à dos EUA (maior potência capitalista), ou mesmo o fato de ter erradicado o analfabetismo já a partir de 1962, o que o Brasil, pátria de Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Anísio Teixeira, não tem sequer uma meta concreta para sua eliminação, mesmo em 2021.

No tocante a saúde, o exemplo das ações de solidariedade que Cuba oferece ao mundo é digno de merecer o Prêmio Nobel da Paz, o que ofereceria a este prêmio a oportunidade de se regenerar de algumas de suas recentes nomeações, como, por exemplo, quando foi destinado ao Presidente Barack Obomba, homem responsável pela guerra da Líbia e da Síria. As Brigadas Médicas de Cuba percorrem mundo salvando vidas.  Estiveram inclusive na África para combater o Ebola, desafio rejeitado todas as grandes nações capitalistas.

Os médicos cubanos estiveram trabalhando em 77 países, inclusive no Brasil, onde se destacaram por prestar atendimento médico a uma população abandonada, nas regiões mais isoladas e mais carentes de atenção de saúde do país, nos quais os médicos brasileiros se recusam a trabalhar, mas se sentem no direito de hostilizar e ofender os seus colegas da Ilha. Basta uma simples comparação entre os padrões sanitários de Brasil e Cuba para se ter uma ideia da natureza da medicina solidária que se pratica por lá. Enquanto isto, no Brasil, em São Paulo, cidade mais rica da América Latina, possuidora da segunda maior frota de helicópteros privados do mundo, um jovem de 22 anos perdeu a vida há poucos dias pela falta de oxigênio.

Além de demonstrar capacidade de produzir suas próprias vacinas, o Brasil se debate frente a incapacidade de produzi-las, face à desindustrialização que penaliza o país desde 1980, exibindo ao mundo o vexame de dolorosas filas de idosos que penam para se imunizarem, enquanto ricaços e marajás são vacinados clandestinamente. O desprezível episódio, revela, cruelmente, que a vida dos ricos vale mais que a vida dos cidadãos comuns, aqueles que pagam impostos e esperam disciplinadamente na fila, correndo o risco da contaminação por uma enfermidade que já ceifou mais de 300 mil vidas, face a macabra condução sanitária do governo Bolsonaro.

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OUTRAS PALAVRAS


Por Rob Wallace, no New Internationalist  |Tradução: Simone Paz | Imagem: Federico Boyd Sulapas Dominguez

Covid, a última herança do Colonialismo


Desde século XVI, impérios europeus produziram mudança antropológica abrupta. Capital converteu a agricultura, antes integrada aos ecossistemas, em commodities cultivadas nas colônias. Daí vieram o latifúndio, o agronegócio e… as pandemias!

OUTRASPALAVRAS

Publicado 26/03/2021 às 19:33 - Atualizado 26/03/2021 às 19:59



O SARS-CoV-2, o coronavírus por trás da Covid-19, avança. Infecta centenas de milhares de pessoas por dia no mundo inteiro. Em países que não souberam lidar corretamente com o surto — entre eles, os EUA, a Grã-Bretanha e o Brasil — a retórica do governo muitas vezes sugeriu, no início e antes da vacina, deixar o coronavírus “seguir seu curso”. Com pouco apoio científico, políticos como Donald Trump declararam que uma imunidade de rebanho mítica — deixando milhões de mortos em seu rastro — nos salvaria.

O agronegócio também proclama que a indústria que ajudou a desencadear muitos dos surtos letais do século é precisamente o caminho a seguir. Grandes empresas e cartéis dizem que biossegurança, tecnologia e economias de escala — quanto maior, melhor — são a única maneira de nos protegermos de outra pandemia. Sem levar em consideração que a produção do agronegócio (e a grilagem de terras realizada em seu nome) são, comprovadamente, responsáveis pelo surgimento de vários patógenos nas últimas duas décadas.

Como chegamos a nesse momento da história, em que as próprias causas da crise em curso são repetidamente apresentadas como sua solução?

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quarta-feira, 24 de março de 2021

Brasil | El Supremo Tribunal Federal declara la parcialidad del juez Sergio Moro en las condenas a Lula

 


FOTO POR BBC-BR https://bbc.in/3cgl69D


Impacto en Brasil: una jueza cambió su voto y declaran a Moro parcial en el proceso a Lula

La Segunda Sala del Supremo Tribunal Federal (STF) de Brasil resolvió este martes que el exjuez Sergio Moro fue parcial en la condena del expresidente Luiz Inacio Lula da Silva en el caso del triplex de Guarujá. La decisión, tomada por 3 votos contra 2, se produjo luego de que la ministra Carmen Lúcia cambiara su voto, lo cual está permitido hasta el final del juicio; anteriormente, se había opuesto a las sospechas de Moro.

El equipo legal de Lula alegaba que Moro no fue imparcial al encabezar las investigaciones contra el expresidente. El STF invalidó decisiones claves de procedimiento en los casos contra Lula, cuyas condenas ya fueron anuladas este mes. Con sus derechos políticos restaurados, el expresidente ya ha agitado el panorama político de cara a la elección de 2022, al posicionarse como un fuerte rival de Bolsonaro, aunque aún no ha confirmado su candidatura.

Sin embargo, los casos contra Lula podrían ser juzgados nuevamente en un tribunal federal de Brasilia, basándose en las mismas pruebas. Una nueva condena, si se confirmara tras una apelación, podría marginarlo de las elecciones como lo hizo antes de la carrera de 2018. Ahora que el STF desestimó las pruebas en su contra, basándose en la imparcialidad de Moro, los casos contra Lula, así como contra decenas de otros políticos y líderes empresariales de alto perfil en prisión, probablemente comenzarían desde cero en la operación Lava Jato.

La Nación


Cármen Lúcia muda voto e STF declara Moro suspeito

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, alterou seu voto de 2018 no julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e entendeu que o então magistrado, no âmbito da Lava Jato, foi parcial na condução dos processos contra o ex-presidente Lula. Com isso, a Corte declara Moro suspeito por um placar de 3 a 2.

“Todo mundo tem direito a um julgamento justo, de um tribunal imparcial, com um juiz independente”, disse. No caso do Lula, em seu entendimento, houve “a quebra do direito de um paciente, que não teve direito a um julgamento imparcial”. Apesar de acolher o habeas corpus da defesa, ela considerou que Moro não deve pagar as custas dos processos.

A ministra evitou fazer críticas à Lava Jato – como fizeram Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, nesta terça e também na última sessão do julgamento, há duas semanas – e insistiu que seu voto tratava “deste paciente” em particular, referindo-se a Lula.

Antes de Cármen Lúcia, o ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, trouxe argumentos contraditórios para defender que Moro não poderia ser considerado suspeito nos julgamentos do ex-presidente Lula. Segundo ele, “não basta que o juiz seja simpatizante de certas ideias” para ser considerado suspeito.

Mensagens hackeadas

Nunes Marques também se manifestou abertamente contra o uso jurídico das mensagens hackeadas dos procuradores da Lava Jato por Walter Delgatti, mesmo elas não estando no habeas corpus da defesa de Lula. Ele alegou diversas vezes que não poderiam usar no julgamento “provas obtidas por meios ilícitos” e ainda “fruto de crime” para declarar a suspeição de Moro.

E usou o discurso oficial da Lava Jato ao afirmar que, “mesmo que [as conversas] sejam lícitas, não é possível afirmar que sejam fidedignas”, pois “os diálogos podem ter sido alterados”. “Não podemos errar, como se supõe que errou o ex-juiz Sergio Moro”, disse. “Dois erros não fazem um acerto”, completou, numa espécie de garantismo seletivo do Judiciário.

Brasil 247


Reconhecer parcialidade de Moro fortaleceu sistema de Justiça no Brasil

É histórica e revigorante para o Estado de Direito e para o devido processo legal a decisão proferida hoje pela 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal, concedendo a ordem de habeas corpus que pleiteamos em favor do ex-presidente Lula em 05/11/2018 perante aquela Corte para reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro (HC 164.493).

A quebra da imparcialidade pelo ex-juiz, tal como a incompetência da Justiça Federal de Curitiba, reconhecida por outra histórica decisão proferida em 08.03.2021 pelo Ministro Edson Fachin, sempre foi por nós sustentada, desde a primeira manifestação apresentada no processo, no longínquo ano de 2016. Em outras palavras, sempre apontamos e provamos que Moro jamais atuou como juiz, mas sim como um adversário pessoal e político do ex-presidente Lula, tal como foi reconhecido majoritariamente pelos eminentes Ministros da 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal.

Para percorrer essa trajetória na defesa técnica do ex-presidente Lula sofremos toda sorte de ilegalidades praticadas pela “lava jato”, algumas delas indicadas na própria decisão que reconheceu a suspeição do ex-juiz, como o monitoramento ilegal dos nossos ramais para que os membros da “operação” pudessem acompanhar em tempo real a estratégia de defesa.

Da mesma forma, o ex-presidente Lula, nosso constituinte, foi alvejado por inúmeras ilegalidades praticadas pelo ex-juiz Sergio Moro, em clara prática de lawfare, ou seja, por meio do uso estratégico das leis para fins ilegítimos. Os danos causados a Lula são irreparáveis, envolveram uma prisão ilegal de 580 dias, e tiveram repercussão relevante inclusive no processo democrático do país.

A decisão proferida hoje fortalece o Sistema de Justiça e a importância do devido processo legal. Esperamos que o julgamento realizado hoje pela Suprema Corte sirva de guia para que todo e qualquer cidadão tenha direito a um julgamento justo, imparcial e independente, tal como é assegurado pela Constituição da República e pelos Tratados Internacionais que o Brasil subscreveu e se obrigou a cumprir.

leia também-by BBC https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56503901