quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O MAR SOU EU .....ADRIANE GARCIA

acervo da autora 
 
acervo da autora


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Nada diz o poeta senão apregoar uma falta e assim envergar um mundo, fabulando para ser real e assim pintando-o de cor de água, e deste modo eles: “trafegam a água, de cá para lá, de lá para cá, no constante de carregar o mundo”, como se assim possível fosse. Mas o que não pode o poeta, esse sujeito que mesmo delirante sobre a palavra assumidamente, diz com seu olho cego o que o cerca?

Adriane Garcia é um polvo, um dourado de nadadeiras amplas de Belo Horizonte/MG, formada em História, Teatro e Arte-educação. Colabora no site Escritoras Suicidas, Zona da Palavra e Literaturabr. Já publicou no Rascunho, Germina, Eutomia, Vox, Cult, Vida Secreta, Vossa Senhoria e no caderno Pensar do Jornal Estado de Minas. Em 2013 venceu o concurso nacional de literatura do Paraná, Helena Kolody, categoria poesia, com o livro “Fábulas para adulto perder o sono”, com segunda edição pela editora Confraria do Vento (2017). Em 2014, publicou “O nome do mundo”, pela editora Armazém da Cultura e em 2015, “Só, com peixes”, pela Confraria do Vento. Em 2016 participou da Coleção Leve um Livro, com “Embrulhado para viagem”. Tem online, pela Revista Vida Secreta, o e-book “Enlouquecer é ganhar mil pássaros”. Participa de diversas antologias. Foi curadora do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte, 2017.

Pelo seu perfil vemos uma nadadeira entre pedras, sem linhas, mas como a mesma diz: com espinha, a espinha do poeta que fala entre as águas e mares de palavras e não importa a geolocalização, importa ser e para tanto dizer, e assim se faz, se erige numa coluna armada estilística e constrói essa coisa chamada literatura, ou melhor, a arte.

Não apodrecemos mais rápido pela ilusão, pela arte, por esta ressureição que essa coisa nos faz pulular, e assim Adriane é vasta, numa linha curva que perpassa a história, o teatro, a educação como arte educadora e fabula na letra e outras linguagens, o que para nós é de extremo ganho.

A loucura da poesia é assumir nossa carapaça de sujeitos desnorteados e nessa gagueira aliviar-se, ser, virar coisas como peixes, escada, língua de água, o transmutar-se em outros para olhar, ver, sentir, ser peixe, escada, língua etc. ver sendo e não sendo. Ou seja, ser útil sem rezar no desmanche dos objetos da religião do consumo, a literatura se presta a isto ao menos, e este é o maior dos capitais: ser dizendo, pensar, criar, sem a não verdadeira calda do humano que o capitalismo que nos afoga. Poesia é o desmantelo para crer. O peixe é meu, é seu, ponho no ombro, na esquina, na cédula e desdigo o falso real, ou melhor, o contradigo para poetar.
Só com peixes (2015), Adriana encontra a desculpa esmolambada e rica de ser e dizer do amor, do líquido, do concreto, até chegar a uma cauda poética, como aqui vemos:

Se o canto funcionasse/E o homem descesse a escada/Se o amor não se afogasse/Nem ficasse pintado de azul/Não seria a sereia rouca/Arrancando as escamas /Dacauda.
(2015, p.44)


Adriana Garcia faz rupturas indeléveis; na sua lírica, ela doma a palavra, tira seu pavio e o acende naquilo que digo ser uma poeisis desmedida e séria, desloca sentidos, faz piruetas, expatria o primeiro sentido do signo imprestável e o pinta de outras cores:

“Há dias uma ordem interior manda/Que ela vá ao aquário/Conversar com peixes/A sua língua de água/seu corpo lixa de areia (2015, p.450)
ou
a saudade do sal não se repara/Com a imersão difícil/Nesse oxigênio sujo”
(2015, p.69)

Mas fizemos uma palavra/palavra, em que podemos sentir um pouco mais a poeta, ou seja, cheirar seus sais de pensamentos e eis aqui alguns dos trechos:

Arte educadora, e como foi isso?

Eu já trabalhava como voluntária em escolas públicas, dando aulas de iniciação teatral para adolescentes. Ao mesmo tempo, concluía minha graduação em História, pela UFMG. Ficava muito dividida (mas talvez a palavra certa seja “complementada”) entre a História e o Teatro, e isso acabou definindo minha vontade de fazer pós-graduação em arte-educação. O mais interessante é que, no fim das contas (risos), eu acabei fazendo um trabalho de conclusão de curso ligado à desmemória da história da cidade.


A história, o teatro e o ensino da arte....

Exatamente. É para mim um trânsito, um trânsito complementar. Ensinar teatro para adolescentes da escola pública (fiquei cerca de 10 anos nesse trabalho), ou para deficientes visuais na escola pública (passei um ano trabalhando no Instituto São Rafael), era não só ensinar/aprender arte, mas saber o que socialmente, historicamente, significava contribuir de alguma forma para que a educação tivesse mais qualidade, mais diversidade, que a arte se estabelecesse como um direito, sempre. Ao mesmo tempo, aprender, ler história e ter contato com a dramaturgia permitiam não só que eu me tornasse cidadã mais consciente como, ao mesmo tempo, me tornasse mais capacitada como oficineira de teatro. É um trânsito com o qual eu me sinto privilegiada por poder exercer. Hoje, não pratico mais essas oficinas, mas faço esse trânsito por meio de leituras, e somo isso com a filosofia, com a literatura; principalmente com a poesia.

A poesia e o salpicar do humano...

A poesia me surpreende todos os dias. Quando conheço um poeta antigo que ainda não conhecia, a poesia me surpreende. Quando conheço um poeta novo, cujo poema move algo em mim, me surpreendo. Recentemente, fui curadora do FLIBH (juntamente com Francisco de Morais Mendes) e um dos saraus que se apresentaram foi o Sarau das Manas (coletivo de meninas adolescentes da região periférica de BH). Uma delas leu um poema autoral onde descrevia, de dentro, a vida de uma mulher presidiária. Eu me surpreendi. A poesia me surpreende porque acorda algo em mim, vive me acordando. A poesia me humaniza.

A Filosofia e teus preferidos

Nietzsche porque me fez ter medo de lê-lo. Ajudou-me numa desconstrução importante. Eu fui criada com coisas muito católicas, minha avó me levou a catecismo e, apesar de ser sempre questionadora, obviamente, coisas muito ruins ligadas ao Cristianismo estavam em mim. Ler Nietzsche me libertou de muitas coisas, me deu medo e depois coragem. Eu vi que pensar não era pecado (risos), que pecado nem existia.

Spinoza porque me enlouqueceu. Achei aquilo tudo muito destruidor, sabe? Muito parecido com outras concepções de universo e até de Deus. Tão mais aproximado do Budismo, ou do Hinduísmo, não cabia mais ali um deus à imagem e semelhança do homem. E a sua ideia dos afetos, eu achei aquilo tão parecido com a poesia, bebendo do mesmo mistério. Aliás, o próprio Spinoza me pareceu um personagem da poesia, imaginar que esse homem excomungado pela igreja judaica fazia lentes para se enxergar melhor. Pensar que ele faz isso até hoje.



A poesia e teus eleitos

Ah, meus eleitos. Primeiro Cecília, porque foi dela o primeiro livro de poesia que peguei na vida (Ou isto ou aquilo). Depois Drummond, ele esteve comigo por toda a minha adolescência e me acompanha para sempre, salvou-me de uma imensa solidão (eu não nasci numa família letrada, nem tínhamos livros, portanto não tinha muita escuta para o que eu descobria com a literatura ou para as indagações que surgiam dali. Até lia para minha mãe poemas dos livros que me emprestavam na biblioteca escolar, mas estava todo mundo muito ocupado, sobrevivendo e cuidando para que os filhos sobrevivessem às condições muito difíceis).

Mas eu poderia citar muitas e muitos poetas. Há várias e vários poetas contemporâneos que admiro hoje (vivos). E tem-me encantado bastante a poesia falada, a poesia que é feita pelos excluídos de nossa sociedade.




Poesia política e contemporaneidade-

Tem um poeta contemporâneo que eu creio que, de alguma forma, me influenciou muito recentemente. Há uns cinco anos que conheço sua poesia. É Alberto Lins Caldas, nascido em Gravatá, Pernambuco. Acho que foi Lins quem me chamou a atenção mais imediata para o fato de que é estranho uma poesia recatada e do lar em tempos como estes. A poesia de Lins é feita de beleza, mas sobretudo de combate. Alia um conhecimento histórico, filosófico imensos a um discurso rebelde, revolucionário. Lins escreve sem compaixão (e talvez por uma compaixão extrema). Essas coisas todas vão nos transformando, não é? Estar no mundo, sobretudo ouvir. Agora quero ouvir, quero ouvir o que não sei e de onde eu não sei. Quem tem feito uma poesia política vigorosa no país são os poetas anônimos, que moram nas periferias das tantas cidades. Em livros, tenho visto poetas muito boas tratando de temas urgentes, cito aqui (sempre fazendo injustiça, pois há mais) a poeta carioca Bruna Mitrano, que levanta questões sobre mulher, violência e aborto; a poeta mineira Lisa Alves, cujos poemas dialogam com a política no Brasil e no mundo; a poeta mineira Simone Teodoro também tem desenvolvido um trabalho muito bom em relação ao feminismo, à homofobia, aos excluídos da cidade, que vivem aparecendo em seus poemas; Simone de Andrade Neves acabou de escrever um “Missa do envio”, no qual olha para a festa do divino e trabalha, no presente, uma tradição rural mineira; Ricardo Aleixo lançou recentemente “O antiboi”, livro que discute política, racismo. Claro que não quero, com isso, dizer que não sinto um prazer imenso em ler poesia com outras temáticas, temáticas introspectivas, inclusive. Há tanta beleza e universalismo nisso, mas ultimamente, a poesia solidária tem me chamado mais atenção do que a solitária.

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Só com Adriana, com peixes,não , queremos mais, mais e mais caldos de sua poesia de uma mulher madura e que sabe tanger a lírica como um maestro de montanhas, mas podera, ela vem de lá, das cadeias de planaltos inclinados a peixe, mas como ela mesmo disse ao telefone avilta a fala dos cardumes.




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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O VELÓRIO DE JORGE AMADO OU JORGE BERRO D’ÁGUA….Capturas do face

Temos que ler os vários lado da história, ainda mais dito por um nome da literatura brasileira e que reverbera fora do Brasil,  vamos ler...Paulo Vasconcelos
Narlan Matos ...acervo do autor

O VELÓRIO DE JORGE AMADO OU JORGE BERRO D’ÁGUA….
Por Narlan Matos*


Anunciaram, por fim, o falecimento do grande mestre Jorge Amado.

Eu já vinha acompanhando tudo, triste, via TV e jornais há semanas. E seu funeral estava ali, justamente naquele dia, na véspera de uma tenebrosa prova final de Morfossintaxe, no Instituto de Letras da UFBA, onde estava para me formar, em 2001. Olhei a quantidade de livros para estudar e a foto do mestre querido no jornal. Pensei… Eu já vinha estudando há semanas para enfrentar a assustadora prova, mas quem já estudou Morfossintaxe sabe bem do que estou falando. Precisava de mais um dia, pelo menos, para me sentir menos inseguro. Olhava a foto sorridente do mestre. Seu sorriso tímido e terno. 

Havia trabalhado, por vários anos, organizando os discursos políticos de Jorge Amado, quando fora deputado federal, em 1946, sob a orientação da Dra. Ana Rosa Ramos, doutorada pela Sorbonne e uma das maiores especialistas no Amado do Brasil. Ana me ensinou como o resto do mundo vê Jorge Amado, sobretudo os franceses e russos. Era como perder o funeral de Mark Twain ou Charles Dickens. Me arrumei e fui. “A prova que espere”, pensei. No rádio anunciaram que o funeral seria no Palácio da Aclamação, perto do Campo Grande. No caminho, ia caminhando triste e cabisbaixo.

Olhava os ultimos dos casarões antigos da Vitória, comentado por ele em seus livros. Sabia do tamanho daquela perda, não para a Bahia, mais para o mundo. Jorge Amado, ali, não era um autor brasileiro, mas um homem que, no distante Leste Europeu – e em todos os países comunistas - , faziam-se filas quilométricas para comprarem seus livros. O autor estrangeiro mais bem pago no selvagem mercado editorial dos USA. 

Caminhava e pensava em tudo que Ana havia me ensinado e que eu mesmo descobrira nos anos em que pesquisei sua obra, como bolsista do CNPQ. Eu o havia encontrado apenas uma vez de perto, no Museu Carlos Costa Pinto, quando do curso sobre a culinária de Dona Flor, organizado pela poeta e amiga Myriam Fraga. Nunca vou esquecer aquele momento. Eu estava no auditório do Museu, um dos primeiros, lá na frente. De repente, Myriam parou o curso e falou “Jorge Amado já está aquí”. Me virei de súbito e o vi, sentado, na última fila, com aquela cabeleira vasta e branca como uma nuvem, grande, sob a qual um par de olhos muito, muito vivos se moviam. Parecia mais um menino no corpo de um velho. 

Durante todo aquele evento, nunca tive nem tempo e nem a coragem para ir lá falar com ele. Tinha sempre alguém ao redor. Dona Zélia, sempre. 
Até que, já no final – porque e usó saí dali no cisco - ele veio vindo, veio vindo, na minha direção. Passaram quase raspando em meu braço directo ele e dona Zélia. Passaram sorrindo e sorriram para mim, olhando-me nos olhos. Eu não me contentei e dei-lhe um tapinha no ombro esquerdo. Que simpatia! Havia tocado em Jorge Amado! Era ele, um herói do Brasil. Preso tantas e tantas vezes. Exilado tantas vezes. Era ele! O que tinha escrito Tenda dos Milagres, transformado em série pela Globo, em 1985, e eu, fascinado, com apenas dez anos de idade, ficava acordado até terminar, tarde da noite, nas frias noites da subestação da COELBA onde nós morávamos, em Itaquara. O tema de abertura, de Caetano Veloso, era tão lindo quanto o romance. 

Caminhava e pensava em tudo isso. 

Cheguei triste ao palácio. Dois guardas estavam de prontidão na gigantesca porta principal, ambos com armas. A entrada era controlada pois já era noite. Será que eu não conseguiria entrar? Encontrei com meu amigo Carlos Pronzato, o lendário cineasta argentino. Não caçamos conversa – entramos sem pedir licença. Lá dentro, ainda poucas pessoas. E vi o caixão. Me aproximei, triste. De repente, vi o rosto de Jorge Amado. Parecia estar dormindo. Sereno. No rosto, o mesmo sorriso que havia sorrido para mim no Museu Carlos Costa Pinto. Foi aí que minha tristeza foi se convertendo, pouco a pouco, numa extranha alegria: lembrei que Jorge Amado era um verdadeiro mestre dos funerais em seus romances e ali estava ele, no seu próprio, com um sorriso no rosto que lembrava Quincas Berro D’Água! Olhei pela janela do palácio e vi a lua cheia, grande, branca, no céu azul, brilhando por entre as gigantescas palmeiras. 

Uma noite calma. De repente, ao meu lado, chegaram dois políticos, de terno e gravata, e começaram a fingir que choravam! Choravam e soltavam frases de efeito. “Ele era um mestre”, bradavam. Me aproximei. Puxei conversa. “O que vocês acham da literatura dele?”, perguntei. “Ele era um mestre”, bradaram sem me responder, olhando o caixão. A partir daí, eu fazia um esforço cada vez maior para não cair na gargalhada. O funeral de Jorge Amado começou a ser converter numa página escrita por ele mesmo. E, de repente, encheu. 

Chegaram madames, socialites, escritores, poetas, professores, acadêmicos – tudo que ele adorava em seus funerais! Um burburinho imenso se fez, parecia uma feira. Algumas madames, ao meu lado, usando óculos escuros, à noite, cenograficamente, limpavam as lágrimas e os óculos – embaçados pelo frígido choro. Começaram a servir bebidas e petiscos finos. Uma pequena gang de poetas do submundo se aproximava dos garçons e o cercavam educadamente. As frases eruditas, elegantes, piegas, ouviam-se, e todo tipo de vocabulário que só me lembrava os funerais de Amado. Um poeta, conhecido, recitava versos célebres, já cheio de cachaça. 

Ouvi pessoas falando em espanhol, francês. E a pequena gang de poetas do submundo cercava os garçons, educadamente. De repente, todos pararam: uma atriz bastante famosa adentrou, lentamente, o salão. Uma entrada triunfal que parou o funeral. Veio caminhando lenta, com flores nas mãos. Chorava intensamente mas, ao adentrar o enorme salão, se contuve., amparada pelo irmão. Chegou até o caixão, depositou as flores, e ficou lá por quase meia hora, conversando com Jorge. 

Ao redor, todos os tipos de cenas acontecendo. À essa altura eu sorria e sorria. Nunca pensei que, em minha vida, seria, um dia, mais um personagem no funeral de Jorge Amado. Jorge, no meio de tudo, sorria, continuava com seu sorriso tímido no rosto sereno, como se, ele mesmo, estivesse se divertindo ao máximo em seu último velório. Parecia que queria sair, como Quincas, pelas ruas da Bahia, pela última vez… Eu tive vontade de tira-lo do caixão e conduzi-lo pelas ruas da Bahia pela última vez, pelos submundos que ele eternizou. 

A lua da Bahia continuava brilhando no céu, cheia, branca, e as palmeiras imensas balançavam ao vento da noite quente e tropical. Tarde da noite, voltei para casa, sorrindo…afinal, nunca havia pensado que seria o menino de Itaquara iria estar presente ao funeral do grande mestre, aquele menino que adorava Jorge Amado; aquele que ficava acordado até tarde, aos 10 anos de idade, nas frias noites de Itaquara, para assistir Tenda dos Milagres e ficava fascinado com as igrejas do Pelourinho, de Salvador, com o povo africano; aquele menino que se tornaria, um dia, poeta, e iria pelo mundo, para o Leste Europeu, recitando versos vindos da Bahia. O menino de Itaquara, um dia, teria seu primeiro livro de poemas publicado justamente pela Fundação Casa de Jorge Amado e receberia, também, uma carta de Jorge saudando-o pela estréia.
O menino de Itaquara escreveria, um dia, seu testemunho da hilária – invisível - estória do velório de Jorge Amado…

Narlan Matos Teixeira nasceu em Itaquara, Bahia, a 15 de Julho de 1975. Bacharel em Letras pela Universidade Federal da Bahia e Mestre em Artes, pela Universidade do Novo México, e Ph.D pela University of Illinois at Urbana Champaign, nos Estados Unidos, onde também lecionou...vide..http://www.elfikurten.com.br/2016/02/narlan-matos.html

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

QUEM É UM COXINHA? (OU: VAI PRA CUBA!) ROBERTO NUMERIANO -RECIFE capturas do face


QUEM É UM COXINHA? (OU: VAI PRA CUBA!)
Não sei quem inventou esse apelido perfeito. Daqueles que "pegam", pois o sujeito ou a sujeita "pega um ar" toda vez que alguém lhe aponta nas ruas e diz" "Sai pra lá, coxinha"... Mas, afinal, o que é ou quem é um coxinha? Pelo que pude reunir nestes quase dois anos que conheço a palavra, um coxinha carrega um monte de significados, normalmente reunidos numa pessoa pelo fato de que o ser coxinha é uma condição sociológica, político-ideológica e filosófica. Em geral, é um tipo ideologicamente reaça, com pretensões de perfeito cidadão "pagador de impostos". Suas palavras e atos são conservadoramente previsíveis, desde o sorrizinho social no elevador ao comentário reacionário sobre as agendas sociais de esquerda. Um coxinha é quase sempre hipócrita: grita publicamente contra a corrupção dos políticos, mas comete contravenções cotidianas e crimes continuados: reveste os vidros do carro com película numa porcentagem ilegal (os mesmos carros com adesivos de "Tchau, querida") ou, toda vez que pode, sonega recolhimento de impostos à Receita Federal (alegando "carga tributária extorsiva"). Um coxinha também se mete a bom cristão. Adora aplacar seu egoísmo social fazendo caridade de quermesse, embora, no dia a dia, olhe atravessado para os pobres e miseráveis que sobrevivem nas ruas e ficam esmolando. O coxinha gosta de cuidar do corpo e de contar futilidades típicas de viagens ao exterior. Gasta muitas horas de academia por semana e adora se olhar narcisicamente nos espelhos (quase num gozo masturbatório com a própria imagem), lê pouco ou nada de assuntos culturais (literatura ou ensaios culturais, nem pensar), faz do carro comprado em trocentas vezes templo e altar do seu "sucesso" e realização pessoal, conversa sempre com as verdades prontas da ideologia do "Deus mercado", se diz gente praticante de alguma religião (mas desconhece o que é religiosidade), vive a detonar os servidores públicos (até um dos seus filhos passar num concurso e entrar numa carreira), acredita que a universidade pública deveria ser privatizada (porque, é claro, seus filhos poderão pagar), não sabe o que é socialismo ou comunismo (mas é capaz de babar de ódio por horas "falando" desses assuntos), e, em geral, é misógino (tem aversão às mulheres), homofóbico, racista, além de fatal eleitor de Bolsonaro. Por fim, quando alguns argumentos básicos desmontam suas ideias tolas e sem base sobre questões ideológicas, sociais, culturais e políticas, ele incha igual um sapo cururu e diz: "Vai pra Cuba".
Bom dia, aquele abraço, saúde e paz.
Recife/PE, 30/11/2017
PS: Boa notícia: o meu projeto de publicação do ensaio "Gilberto Freyre: Imaginários da Casa-Grande à Favela", foi selecionado pelo Funcultura / Fundarpe. O livro já está pronto. Ano que vem será lançado.

* Doutor em Ciência Política, jornalista, militante do PSOL e pesquisador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas e da Criminalidade da Univeridade Federal do Pernanbuco (NICC/UFPE). 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

49 ANOS- O LIVRO É O MESMO ? capturas do face Regina Dalcastagnè

  Fonte: Shutterstock.com

A moda atual nas redes ditas sociais e da mídia, escondida por trás de marketing das grandes editoras é elevar o o livro, mas que rede social é essa? Da classe média, média alta que nos cercamos? Tudo depende do roll de pessoas que te cerca, certo?
Mas o fato é que o livro anda em moda em alguns cubículos destas esferas digitais, todavia ele não entrou no salário do povo brasileiro, não entrou nas escolas, nas universidades - sobretudo as privadas, que pouco  tem interesse em Literatura. As bibliotecas aqui neste país não têm a grande função de democratizar a leitura, nem o público as usam como deveriam. Pra que serve a Literatura?, perguntam eles.
O livro virou moda, nas classes ditas emergentes que hoje se solapam face o golpe, a crise e com elas as editoras independentes, alternativas vão na embolada.
As feiras de livros se propagam pelo país, o que de certa forma é bom, mas são mais festinhas para batismo literário. Não há uma política para o livro no brasil, a não ser uma mediana para o livro didático - claro, dá  grana ao bolso das grandes poderosas e seus conchavos e olhe, olhe! O livro é mercadoria como outra qualquer. O e-book não foi reconhecido ainda como livro para gozar de privilégios tributários, e assim vai. Damos as costas à literatura hispânica que nos rodeia e os editores pintam e bordam e faturam. Capto via Regina Dalcastagné a postagem que me levou ao link principal.
Paulo Vasconcelos

Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) traz um relato desanimador sobre a literatura nacional: as grandes editoras seguem publicando obras de escritores brasileiros com o mesmo perfil há 49 anos. O trabalho compreende livros nacionais lançados entre 1965 e 2014. Mais de 70% deles foram escritos por homens, 90% são brancos e pelo menos a metade veio do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A análise também entrou no enredo da literatura nacional e chegou à conclusão de que os personagens retratados se aproximam da realidade dos escritores. Cerca de 60% são protagonizados por homens, sendo 80% deles brancos e 90% heterossexuais.
leia mais em  http://bit.ly/2Aev9dt

sábado, 18 de novembro de 2017

Poesia...e goles decadentes ..Camilo Soares, recifense

Camilo Soares


Camilo Soares, recifense, jornalista, professor Universitário da UFPE, mora em Paris,  onde  faz doutoramento Paris 1 Panthéon-Sorbonne, é fotógrafo, um poeta ainda a se descobrir. Seu livro: Poesia, Mesa de Bar e goles decadentes, Nektar,Ufpe, 2103, reúne poetas da velha cidade do recife, dando vez a chamada poesia marginal.  
Camilo conheceu-os, por suas caminhadas em espaços becos, vielas mercados onde os mesmo se reúnem entre um gole ou outro, conversas jogadas ao leo. São eles os poetas: Miró da MuribecaZizo e Erikson Luna. Todos com obras publicadas, por edicões próprias ou editoras ou mesmo em fanzines.. 

Camilo  tem um faro social para Língua e Literatura, e ,claro, inebriado pelo  cenário do espaço em que os poetas se encontram, ele trabalha com cinema. Afora isto  sua imersão  nos movimentos literários como :Interário Zero(com André Telles) e  no grupo Terrorismo poético Recefalia. 

Diz Camilo : Recife é vária em poetas, mas foi necessário escolher. Miró me chamou aos olhos pela  crítica urbana ácida,  Zizo, me saltava pelo  grafismo poético, sua habilidade no desenho e na junção com as palabvras. Erickson Luna busca uma poesía, trabalhada e que apresenta um contradito face o modo de  vida ,mas a poesía asume sua forma inteiriça, grave, contudente.” 
Fazendo um breve recorte desses poetas: 

Miró- João Flávio Cordeiro :Sua obra foi objeto de estudo do mestrado em letras pela UFPE e foco de documentarios premiados como: Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico, de W.Freire. Afirma ele: Estou agora escrevendo sobre a solidão, sobre as menininhas novinhas que são da bundinha dura e cérebro mole... ..Eu não tenho trabalhoentão  faço escreverEscrevo minha paranoia. Vivo de pensar. ..Mais nada. O resto me desconfortaNão acredito em mais nada.” http://bit.ly/1oBHBHy 
Sua poesía..Vício/sonhos de guerra/ontem fui bem louco/hoje fujo da chuva/abri meus olhos mo espaçocinzento/metais.. apud Soares,2013 

 Zizo  -José Maria de Lima Filho- foi inspiracão de Cláudio Assis, cineasta pernambucano  em Febre do Rato, cujo protagonista tem seu nome.Fez o  o fanzine Caos,conhece do negócio e transitou pela música, videoclipe pela MTV.Faz críticas ao livro que saiu de evidencia, segundo ele, indo para outras linguagens, como as imagéticas.Cultoentende e discute litertura, transita entre clássicos e contemporáneos  
seu poema :..confino-me em meu deserto:/um quarto farto do monge alerto/quando o  paraíso é comigo..apud Soares,2013 

Erikson Luna, ja falecido em 2007, foi figura do bairro da Boa Vista e de seu mercado –em Recife, culto mestre na poesía e na literatura, este conheci e tomei alguns goles. Em"3 X Não", um de poemas, publicado no seu único livro, "Do moço e do bêbado", diz: "Não creia em mimNão  futuro. Não me deixo pra depois". http://bit.ly/1kcDQFB 
E vomita o grande poeta:”é que  mim/deu de ser/doido dado/a viver/rir ao vento/alhear/Deu de em mim/de me dar/deu de vir/ e pasar/doido enfim/ tal qual tal.. apud Soares,20