REDES

quarta-feira, 28 de março de 2018

PALAVRA MUDA ... POESIA -

                       

Tive o prazer de ter  recebido  de Elton Luiz de Souza-UERJ, uma pequena resenha sobre minha obra-Palavra Muda.Deixou-me batendo assas, como passarinho molhado, saindo do riacho, feliz.Passo ao público as considerações dele, que bem traduziu meu corpo que escreve, balbucia e as circunstâncias nas quais escrevo e escrevi.A obra, em papel, está esgotada mas disponível  via Kindle.-https://amzn.to/2GRGfFN 


   PARA VENCER A SOZINHEZ
                                                                         ( por Elton Luiz Leite de Souza)

Segundo o poeta Manoel de Barros, poesia não é apenas verso e rima no papel, poesia é  empoemamento : horizontamento da alma. Cada poeta , quando é um poeta de fato, nos empoema inventando o sentido e o ser do que seja  poesia. 
“Palavra é sempre muda”, dizem, “quem fala é a boca”.  Mas Paulo nos ensina que a própria palavra pode ser muda, para assim expressar  o que não consegue dizer a mera boca  que apenas diz palavra.
Paulo inventa um devir-só repleto de esvaziamento de egos. Devir-só não é a mesma coisa que ser sozinho. Esse devir é o dizer de  quem expressa , das coisas mais comuns, o seu incomum único.
Paulo data alguns poemas ao modo de   acontecimentos de um diário. São poemas com registro de nascimento , dia e hora, dando a ver que poema é acontecimento unindo  o íntimo lírico ao   social e histórico.
O poeta é um “cristo pagão” que aceita sua solidão acompanhada de deuses, muitos deuses, os do dia e os da noite, sobretudo estes, e ainda mais alguns que carecem de nome, mas não de ser.
Solidão é o dão de quem se dá (“poesia é coisa de dão”, Manoel de Barros). Paulo escreve como quem se esvazia  para que nada resista à poesia que o preenche. Ele se desvencilha do gozo de uma  “sozinhez” narcísica, para assim narrar, não sem dor,  as solidões da singularidade ao mesmo tempo simples e refinada. Em seus versos há perceptos de paisagens sem homens, feitas  de mar , de peixes e desmesuras aquáticas; há montanhas e suas alturas, mas também há o tecido urbano, no qual o humano está à  procura de si mesmo.
Há um fio entre o verso e  nós. O fio não nasce de um ponto, ele nasce de um novelo que Paulo desdobra , esvaziando-se . Não é palavra o que ele nos dá, ele nos dá uma canção que espera o amor voltar para atenuar as dores dessa “difícil vida danada”,  que mesmo assim é celebrada , sem arrependimentos , sem culpa, com boa vodca.
Um “deus” com “d” minúsculo faz-se mais humano que o homem, ele aprende o desejo, a saudade, tem pai mortal e lê cordel. Assim, esse deus      não espera obediência, apenas que o vejamos    incorporando-se “natureza e tempo” , para assim também nos fazer gente, tempo, lua, saudade não nostálgica.
A palavra muda não é a que ausenta a palavra, a palavra muda é a conquista de um silêncio completo: diz tudo sem dizer nada, pois não o diz com o som, o diz apenas com o sentido artesanado.

          

Prosa é palavra que sai de uma boca ; poesia é palavra muda que o coração “assoletra” com


sua boca , a mesma do poeta. Há a mudez da boca que não mais diz palavra, restando muda. Porém


a mudez da palavra apenas se conquista quando o poeta se esvazia de si até ficar repleto de


poesia,para assim transbordar

domingo, 25 de março de 2018

NETFLIX A SERVIÇO DA ESCÓRIA E DO FASCISMO

A NETFLIX FASCISTA


Esta empresa esconde-se,  há muito tempo, no entretenimento, achando que o público é bobo.
Já nas séries americanas, observem como ela trata os Latinos.Ela  aproveitou-se  no Brasil, da recusa do público a Rede Globo e seus filmes, para entrar com força.
Na série atual, O mecanismo,dirigido pelo Padilha, ele lança propositadamente, num momento fatal para a situação do LULA.Isto é deplorável, pois trata-se de um mecanismo de Marketing estratégico.
Como fala meu amigo e jornalista Emerson Lopes ..."Mas gente... É chover no molhado. A série foi baseada em um livro pró-Moro, escrita, produzida e dirigida por pessoas pró-Moro e dirigida por um profissional que faz parte do Instituto Millenium." Queriam o quê?
Portanto, cuidado, se saímos da globo podemos estar do mesmo jeito nela com a Netflix.Aliás de onde veio o financiamento desta série? Prefira : Prime Amazon, YOUTUBE, QQfilmes, Popcorn Paulo Vasconcelos
* A série foi produzida pela Zazen Producões a qual José Padilha é sócio. Informações disponíveis IMDb -Internet Movie Database

Vejam matéria do Jornal 247  https://bit.ly/2pEQoOY
O lançamento da série O Mecanismo, na Netflix, revoltou muitos dos assinantes do serviço, que já entram em contato com a empresa americana exigindo um pedido de desculpas ao Brasil. Nas redes sociais, várias pessoas já anunciam que estão cancelando a assinatura da Netflix por conta da produção. Pablo Villaça, um dos mais importantes críticos de cinema do Brasil, é um dos que suspendeu sua conta. 
Dirigida por José Padilha, famoso pelo filme Tropa de Elite, a série deliberadamente tenta prejudicar a esquerda brasileira. Lançada no que seria a antevéspera da prisão do ex-presidente Lula, a produção diz ser "ser baseada em fatos reais", mas é uma coleção de preconceitos e "fake news".
Entre as cenas mais grotescas, o doleiro Alberto Youssef frequenta o comitê da campanha do PT, a presidente Dilma Rousseff grava um pronunciamento eleitoral sobre como "estocar vento" e o ex-presidente Lula diz a Michel Temer para não se preocupar com os "açougueiros" da JBS.
Confira abaixo algumas das manifestações do assinantes da Netflix enviadas ao 247:
- Valmir Lauda:
Hoje eu desisti definitivamente em assinar a Netflix ao qual estava estudando em fazê-lo, justamente pois assisti o primeiro capitulo dO Mecanismo. Vocês deveriam pedir é DESCULPAS AO POVO BRASILEIRO já que dizem que a série é baseado em fatos reais, mas pelo que vejo é uma bela propaganda contra o PT, mostrando mentiras em seus textos. LAMENTÁVEL A POSIÇÃO DESTA EMPRESA EM PLENO ANO ELEITORAL. Em minha opinião deveriam retirar de vez do âmbito desta empresa esta série PROPAGANDA.
- Luciana Escobar:
Fiquei horrorizada com essa série monstruosa e mentirosa lançada pelo asqueroso Padilha, pela Netflix. Minha assinatura está cancelada. Amo meu país. Não posso concordar com uma aberração dessas. Consciência, coerência e princípios democráticos são fundamentais. Lula tem o respeito de todo mundo civilizado e não merece isso.
- Alexandre Rangel:
A série O Mecanismo é um crime contra o Brasil e seu povo! Selton Melo perdeu a credibilidade que ele tinha comigo!!
FORA NETFLIX!!
- Maria das Graças Pereira:
FORAAAAAA NETFLIX.RESPEITO AO NOSSO PAÍS! FORA NETFLIX, FORA NETFLIX! RESPEITO AO BRASIL. NOS ERRA,VAZA!
- Cordélia Costa:
Estou furiosa com a Netflix, com o diretor, produtores e atores, mas qual seria a alternativa fora a Netflix? Temos que buscar e divulgar.
- Marlene Oliveira:
Estou indignada em ver a participação da Netflix nesta manipulação terrível que vivemos nestes últimos anos, não assisto desde 2016 nenhuma emissora de tv no Brasil, cortei Sky porque também continha essas emissoras na grade de programação, então assinei a Netflix e neste momento estou me sentindo totalmente desrespeitada vendo está empresa se rendendo as mesmas mentiras e ódio, irei suspender minha conta caso está série ou outras no mesmo sentido sejam veiculadas através da mesma. 
- Alexandre Rangel:
A série O Mecanismo é um crime contra o Brasil e seu povo! Selton Melo perdeu a credibilidade que ele tinha comigo!!
FORA NETFLIX!!
- Antonio Lopes:
Sobre a série O MECANISMO é falsa só com mentiras , Netflix sua conduta é deplorável.
- Maria Fernanda Lima Costa:
Reforço iniciativa do Brasil 247 em protesto à escabrosa série do José Padilha na Netflix. 
- Bia Domingues:
Por favor, incluam meu nome entre aqueles que se juntam ao Protesto contra a Netflix pela exibição da série Mecanismo.
Fora Temer!
Lula 2018!
- Marcos Biscaia:
Eu não tenho assinatura no Netflix mas um parente que compartilha comigo a licença, de forma que é permitida, como ainda não se convenceu de cancelar minha saída foi dar dislike.
- Sergio Paiva Ribeiro:
Quero aqui registrar a minha revolta com a Netflix pela apresentação dessa série "O Mecanismo" e a propaganda feita para vendê-la. Estou com vocês. Contem comigo.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Caio Fernando Abreu um escritor de giros e girassóis apunhalados

Por volta do final dos anos 80, início dos anos 90, conheci Caio Fernando Abreu num restaurante Macrobiótico, próximo à Avenida Paulista, numa daquelas travessas do início da avenida, tipo Bela Cintra.

Quase que diariamente nos víamos e nos cumprimentávamos sem nos chamar pelo nome. Era reservado, não tinha um nome ainda expandido e eu tinha lido apenas uma obra sua: “O Ovo Apunhalado”. Dos contos da referida obra, “Eles” me chamou atenção por seu início, não me perguntem porquê, talvez a sutileza do mistério; aliás, diga-se como detalhe, ao comprar livros de contos abro ao acaso e entro naquele que primeiro chama atenção, e foi aquele – “Eles”:


                        
'O que eles deixaram foram estes três postulados: importante é a luz, mesmo quando consome; a cinza é mais digna que a matéria intacta e a salvação pertence apenas àqueles que aceitarem a loucura escorrendo em suas veias. Nem foram notados a princípio, por isso ninguém sabe dizer a data exata de sua chegada. É provável que desde o começo tivessem se estabelecido no bosque, afinal você sabe que por aqui não há outro lugar onde pessoas como eles pudessem passar assim despercebidas como eles passaram, a princípio. Aqui todos se conhecem, tudo é pequeno e sem mistério, ou era, antes, há apenas esse bosque sobre a colina, e talvez por medo de penetrarem no impenetrável de um mistério qualquer, ou mesmo por preguiça de se movimentarem de seus lugares, os moradores daqui nunca vão ao bosque, ou nunca iam, não sei mais. Apenas alguns namorados, mas muito raramente, porque ao voltarem todos sabiam que tinham ido e as mulheres daqui, as mulheres mais velhas, não perdoam jamais. Por isso, às vezes, eu penso que talvez eles estivessem aqui desde sempre, desde um começo que não se sabe quando começou. E ninguém saberia jamais se aquele menino não tivesse ido lá....'

Detalhe, vejam o que ele escreveu para o livro:

"O ovo revisitado: O ovo apunhalado foi, e ainda é, um livro importante para mim. Primeiro porque, para publicá-lo, precisei voltar de um exílio voluntário de Londres para o Brasil e esquecer uma planejada viagem à Índia (com escala em Katmandu, claro, afinal era o comecinho dos anos 70 e eu queria tudo a que tinha direito). Depois, porque marcou a transição entre um certo amadorismo dos dois livros anteriores — mal-editados, maldistribuídos — para uma espécie de profissionalismo. E digo espécie porque, hoje, quase dez anos depois, esse pro-fis-si-o-na-lis-mo continua ainda em esboço. Ele foi publicado em 1975, ano marco daquela coisa confusa, gostosa e passageira que batizaram como boom da literatura brasileira. Ano de Zero, de Ignácio de Loyola, de Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, de A festa, de Ivan Angelo — livros e escritores que muito admiro. Mas isso foi coincidência: na verdade, os contos que o compõem foram escritos entre 1969 (o mais antigo é “Réquiem por um fugitivo”) e 1973 — em Campinas (na fazenda de Hilda Hilst), em São Paulo, Porto Alegre e, principalmente, no Rio de Janeiro. Aquele Rio do começo dos anos 70, com a coluna “Underground” de Luiz Carlos Maciel, no Pasquim, do píer de Ipanema, com as dunas da Gal (ou do barato), dos jornais alternativos tipo Flor do Mal. Tempo de dançadas federais. Tempo de fumaça, de lindos sonhos dourados e negra repressão. Tempos de Living Theater expulso do país, do psicodelismo invadindo as ruas para ganhar seus contornos tropicais. Tempos da festa que causou esta rebordosa de agora, e primeiras overdoses (Janis, Jimi). Eu estava lá. Metido até o pescoço: apavorado viajante. De alguns textos (como “Retratos”), sou capaz de lembrar até a hora e a cor do dia em que escrevi (no apartamento de meu primo Francisco Bittencourt, sobre o Cinema Roxy, em Copacabana). De outros (como “Eles”), não consigo lembrar absolutamente nada. Nem sequer precisar de onde exatamente brotaram — de que região submersa da cabeça, de que fugidia impressão do real. Mistério. Revê-los foi como rever a mim mesmo. Com algum mau humor pelas ingenuidades cometidas. Eles se ressentem do excesso: são repetitivos (pés, margaridas, sinas, anjos, maldições), paranóicos e, freqüentemente, pudicos demais. Afinal, eu tinha pouco mais de vinte anos. Eu só estava tateando. Como ainda estou. E não sei se isso justifica. Tive impulsos fortes de desistir. De não enfrentar, ou publicar tudo exatamente igual à primeira edição ou, finalmente, não publicar nada. Mas fiquei pensando que — quem sabe? —, mesmo com todas as falhas e defeitos, este Ovo talvez sirva ainda como depoimento sobre o que se passava no fundo dos pobres corações e mentes daquele tempo. Amargo, às vezes violento, embora cheio de fé. Essa mesma que me alimenta até hoje, e que me faz ser capaz — como neste momento — de ainda me emocionar ouvindo os Beatles cantarem coisas como “all you need is love, love, love”. Terminada a revisão, fica uma certeza não sei se boa ou meio suicida de que, apesar de tudo, não arredei um pé das minhas convicções básicas. Na época, foi difícil publicá-lo. Da primeira edição, foram cortados alguns trechos (incluídos nesta) considerados “fortes” pela instituição cultural que o co-editou. Foram também eliminados três textos “imorais”, que não incluí nesta porque tornariam o livro ainda mais repetitivo do que ele já é. E, finalmente, lembrando a longa batalha pela publicação, não posso deixar de dedicá-lo, com imenso carinho e saudade, à memória de uma pessoa linda, sem a qual este Ovo não teria saído das gavetas burocráticas: Lígia Morrone Averbuck. Lá do outro lado, talvez ela sorria, cúmplice. Ou complacente.” Caio Fernando Abreu São Paulo, agosto de 1984


Não sou sujeito de paparicar meus autores estimados, sobretudo em presença; a obra citada, que havia lido, me impressionara por um novo estilo e destilava índices de um novo tipo de narrativa textual, uma ficção bem acertada e com boas metáforas, sobretudo para o momento que vivíamos no país.

Conhecia por leitura sua vida, seus contatos, em especial com Hilda Hilst, o que mais me encantava ainda: um poeta e outro agregados por um doce de loucura de juízo.

Depois disto encontrei-me com ele e Paula Dip, rapidamente em um lançamento que não mais me lembro. Nunca mantivemos papos ativos sobre qualquer assunto, apenas comprimentos cordiais. Ele sabia meu nome, talvez pela garçonete do restaurante aqui citado, pois com ela eu tinha amizade. 

Fui leitor de quase todas as suas obras, seus títulos sempre me chamaram atenção. Tomo aqui um que a Revista Prosa e Verso publicou ‘A morte dos girassóis’ presente no livro “Pequenas Epifanias”. Este também marcou-me.

Paulo Vasconcelos


Caio Fernando Abreu

‘A morte dos girassóis’
– um  conto de Caio Fernando Abreu
http://bit.ly/2HjYDGH

Caio F. Abreu viveu pouco e intensamente. Ao deixar este mundo aos 48 anos, o escritor gaúcho que se tornou conhecido com o livro “Morangos Mofados”, passara pelo existencialismo, pelo movimento beatnik, Woodstook, geração hippie, golpe militar, desilusão contemporânea e pelo fantasma da Aids, até encerrar sua existência no jardim, fazendo aquilo de que mais gostava: cuidar das plantas.
“Nos últimos tempos, quando não conseguia mais escrever, ele ia para o jardim cuidar das rosas. Ia cuidar da vida: tirar da terra a vida – e o Caio morrendo. Fazer desabrochar a flor – e o Caio morrendo. Num planeta enfermo como o nosso, num país, numa sociedade onde impera a boçalidade, a volúpia materialista, foi magnífico contar com o Caio.”
– Lygia Fagundes Telles, em homenagem ao amigo Caio F. Abreu (quando ele partiu).

Leia o conto “A morte dos girassóis”

Anoitecia, eu estava no jardim. Passou um vizinho e ficou me olhando, pálido demais até para o anoitecer. Tanto que cheguei a me virar para trás, quem sabe alguma coisa além de mim no jardim. Mas havia apenas os brincos-de-princesa, a enredadeira subindo tenta pelos cordões, rosas cor-de-rosa, gladíolos desgrenhados. Eu disse oi, ele ficou mais pálido. Perguntei que-que foi, e ele enfim suspirou: “Me disseram no Bonfim que você morreu na Quinta-feira.” Eu disse ou pensei em dizer ou de tal forma deveria ter dito que foi como se dissesse: “É verdade, morri sim. Isso que você está vendo é uma aparição, voltei porque não consigo me libertar do jardim, vou ficar aqui vagando feito Egum até desabrochar aquela rosa amarela plantada no dia de Oxum. Quando passar por lá no Bonfim diz que sim, que morri mesmo, e já faz tempo, lá por agosto do ano passado. Aproveita e avisa o pessoal que é ótimo aqui do outro lado: enfim um lugar sem baixo-astral.”
Acho que ele foi embora, ainda mais pálido. Ou eu fui, não importa.
Mudando de assunto sem mudar propriamente, tenho aprendido muito com o jardim. Os girassóis, por exemplo, que vistos assim de fora parecem flores simples, fáceis, até um pouco brutas.
Pois não são. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.
Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava, e nada. Viajei por quase um mês no verão, quando voltei, a casa tinha sido pintada, muro inclusive, e vários girassóis estavam quebrados. Fiquei uma fera. Gritei com o pintor: “Mas o senhor não sabe que as plantas sentem dor que nem a gente?” O homem ficou me olhando tão pálido quanto aquele vizinho. Não, ele não sabe, entendi. E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer.
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.









Caio F. Abreu – foto: Adriana Franciosi

Alguns amarrei com cordões em estacas, mas havia um tão quebrado que nem dei muita atenção, parecia não valer a pena. Só apoiei-o numa espada-de-são-jorge com jeito, e entreguei a Deus. Pois no dia seguinte, lá estava ele todo meio empinado de novo, tortíssimo, mas dispensando o apoio da espada. Foi crescendo assim precário, feinho, fragilíssimo. Quando parecia quase bom, cráu! Veio uma chuva medonha e deitou-se por terra. Pela manhã estava todo enlameado, mas firme. Aí me veio a ideia: cortei-o com cuidado e coloquei-o aos pés do Buda chinês de mãos quebradas que herdei de Vicente Pereira. Estava tão mal que o talo pendia cheio dos ângulos das fraturas, a flor ficava assim meio de cabeça baixa e de costas para o Buda. Não havia como endireitá-lo.
Na manhã seguinte, juro, ele havia feito um giro completo sobre o próprio eixo e estava com a corola toda aberta, iluminada, voltada exatamente para o sorriso do Buda. Os dois pareciam sorrir um para o outro.Um com o talo torto, outro com as mãos quebradas. Durou pouco, girassol dura pouco, uns três dias. Então peguei e joguei-o pétala por pétala, depois o talo e a corola entre as alamandas da sacada, para que caíssem no canteiro lá embaixo e voltassem a ser pó, húmus misturado à terra, depois não sei ao certo, voltasse à tona fazendo parte de uma rosa, palma-de-santa-rita, lírio ou azaléia, vai saber que tramas armam as raízes lá embaixo no escuro, em segredo.
Ah, pede-se não enviar flores. Pois como eu ia dizendo, depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa, uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu? Algumas pessoas acho que nunca. Mas não é para essas que escrevo.
(Zero Hora, 18.3.1995)
Publicado no livro “Pequenas epifanias”. Caio Fernando Abreu. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2014.

--> -->

terça-feira, 20 de março de 2018

“La literatura es un puente entre las culturas” Laura Mcveiigh

Laura Mcveigh.(.byhttp://bit.ly/2G87X3j)


Laura Mcveigh debulha a função da literatura num mundo conturbado e sem esperanças.De Londres, onde hoje mora, ela fala para a revista Veintitres(  http://bit.ly/2DGX7Mg) Buenos Aires-AR e nos dar  pistas de como traduzir o mundo em mutações violentas por meio da Literatura.Nos apresenta alentos e verdades.Não temos nenhuma obra dela em nosso idioma, apenas alemão, francês e inglês. Paulo Vasconcelos



Esta en la primera novela de Laura McVeigh, quien nació en Irlanda del Norte. Antes de escribir a tiempo completo, fue Directora de PEN Internacional, la organización mundial de escritores y viajó mucho trabajando en campañas a favor de la libertad de expresión y la educación de las niñas.
Actualmente vive en Londres y desde allí respondió a las preguntas de BAE Negocios, sobre su primer novela (ya tiene casi terminada la segunda) que cuenta la historia de una familia de refugiados que escapa de la guerra en Afganistán en la década del 90, e inicia un largo viaje en busca de libertad y seguridad.
Samar es la protagonista de 15 años y junto a su familia se ven obligados a salir de Kabul. Su mundo cambia y ella se aferra a su familia y a la esperanza para sobrevivir.
Samar revela su extraordinaria capacidad de resistencia y el descubrimiento de que todo es posible.
–¿Por qué eligió el tema?
–La Casa del Almendro trata de la guerra, el conflicto, la familia, la educación, el amor, la pérdida, la literatura y el poder de la imaginación para sostenernos. Cruza muchos temas. Al final, eliges escribir sobre lo que más te interesa y lo que sientes que es importante.
–¿Es ficción o hay personajes tomados de la realidad?
–Si bien no conozco a nadie que haya pasado por todas las experiencias que sufre la protagonista, sé que estas cosas suceden en nuestro mundo. He conocido personas de muchos países que han tenido que huir de sus hogares o vivir en el exilio. Buscar refugio es algo que siempre ha afectado a la humanidad. Ahora somos más conscientes de ello debido a la crisis actual, pero no es algo nuevo.
–¿Cómo fue el proceso de escribir su primer novela?
–Emocional, debido al tema de la novela. Hay que viajar con los personajes en la escritura, y espero, en la lectura.
–¿Samar puede ayudar a entender la realidad de los refugiados?
–Eso espero. Quería escribir una historia que fuera universal, que tuviera una verdad emocional a la que cualquier lector pudiera conectarse.
–¿Cómo es sobrevivir y empezar de nuevo?
–Está en nuestra naturaleza humana: la capacidad de seguir adelante ante los obstáculos, la capacidad de reinventarnos, de encontrar sentido ante la incertidumbre.
–¿Cuál es el rol de la literatura?
–La narración de historias es fundamental para el espíritu humano. Literatura, novelas, historias, nos dicen quiénes somos, cómo es nuestro mundo. Esa es la realidad de la ficción y vemos su importancia en todas las culturas del mundo. Para la protagonista, la literatura la ayuda a escapar de su realidad, aunque sea por un momento, le da fuerza, comprensión y esperanza.
–¿En qué puede ayudar la literatura a acercarse a otras culturas?
–La literatura siempre ha sido un puente entre las culturas, una ventana a otros mundos. Nos permite ver la vida desde diferentes perspectivas. La lectura fortalece nuestra empatía, nuestra comprensión; además del placer que nos puede brindar, puede ampliar nuestros horizontes.
–¿Se está tomando más conciencia en Europa de la situación de los refugiados?
–Dentro de Europa existe una gran conciencia de la situación de los refugiados en el sentido de que aparece en las noticias con frecuencia. Lo que es importante es que recordemos que no son solo estadísticas, sino personas reales, vidas reales, familias afectadas.
–¿Le llevó mucha investigación este libro?
–Sí, por supuesto, sobre todo porque la novela se desarrolla entre 1960 y 1990. Me fascinaban las fotografías de cómo solía ser Afganistán, con sus tiendas de libros y discos, sus modas, la París de Asia, una imagen tan diferente a las que vemos ahora en las noticias.
–¿ Piensa seguir en el mundo literario? Tiene otra novela en mente?
–Sí, tengo muchas historias que me gustaría escribir. Mi segunda novela está casi terminada, y he comenzado a trabajar en un tercer libro. También escribo guiones cinematográficos y más adelante este año escribiré una obra de teatro

quinta-feira, 15 de março de 2018

A bala que mata - NÃO devolvemos-M Verunschk. Capturas. Do face

A bala que Mata nāo devolvemos
uma mulher descerá o morro
como se descesse de uma estrela
uma mulher seus olhos iluminados
suas mãos pulsando vida e luta
sob seus pés a velha serpente
[a baba as armas a covardia de sempre].
uma mulher descerá o morro
as inúmeras escadarias do morro
os muros arames que separam o morro
e pisará o chão desse país sem nome
desse país que ainda não existe
desse país que interminavelmente não há
uma mulher descerá o morro
o seu vestido é a tempestade
uma mulher descerá o morro
e ainda que seu sangue caia
ferida incessante no asfalto do Estácio
e ainda que anunciem sua morte
[e sim, ainda que a comemorem]
esta mulher ninguém poderá parar.
________________
Micheliny Verunschk, 15 de março de 2018, a manhã seguinte à execução de Marielle Franco.



o poema para Marielle está presente na marcha de Paris pela tradução de Luciana Dias. a força, penso, não é do poema, é de Marielle.
A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas em pé

domingo, 11 de março de 2018

El Gabo que #Cuba conoce.

El Gabo que #Cuba conoce.  

Por

http://bit.ly/2DjC6az

  • Gabriel García Márquez. (Aracataca, Colombia, 6 de marzo de 1927 – 17 de abril de 2014, Ciudad de México, México). Escritor, editor, guionista y periodista colombiano. Conocido entre amigos y familiares como Gabo es el principal exponente latinoamericano del Realismo Mágico y del boom latinoamericano. La obra de Gabo es un homenaje a la vez al poder de la imaginación y de los misterios del corazón humano. Debido a su obra fue merecedor del Premio Nóbel de Literatura en el año 1982.
  • Libros inolvidables:
  • Novelas: La hojarasca (1955), El coronel no tiene quien le escriba (1957), La mala hora (1961), Cien años de soledad (1967), El otoño del patriarca (1975), Crónica de una muerte anunciada (1981), El amor en los tiempos del cólera (1985), El general en su laberinto (1989), Del amor y otros demonios (1994), Memorias de mis putas tristes (2004).
  • Grandes reportajes: Relato de un náufrago (1970), Noticia de un secuestro (1996), Obra periodística completa (1999). Primer tomo de sus memorias, Vivir para contarla (2002).
  • Cuentos: Ojos de perro azul (1955), Los funerales de la Mamá grande (1962), La irresistible y triste historia de la cándida Eréndira y de su abuela desalmada (1972), Doce cuentos peregrinos (1992).
Conozco un Gabo de historias: cabellos oscuros  que crecen cual raíces sobre una tumba,  el   amor de Florentino Ariza esparcido por montes y llanuras, difícil de vencer  en los tiempos del cólera, capaz de alcanzar a la anhelada Fermina Daza y abrazarla  “toda la vida”. Recuerdo cuando aprendí el significado del vocablo Alquimia, más allá de Paracelso y los experimentos antiguos.
Conozco un Gabo de tropelías por El heraldo de Barranquilla,  las imperdibles  crónicas de cine en  El Espectador o los cuentos publicados en la revista El Mito. Sé de un gran periodista, descontento con la superficialidad de  los clásicos: ¿qué? , ¿quién?,  ¿dónde? y ¿cuándo?. Hacedor de ¿cómo? y ¿porqué?.
Conozco a un Gabo laureado con  el Nobel en 1982. “Por primera vez un premio de literatura justo”, diría el colega Juan Rulfo. Estremeció aquel  discurso pronunciado ante la Academia Sueca. Lejos de autohalagarse por mèritos  alcanzados  y victorias de  lectoría tras las ediciones de Cien Años… habla  el colombiano de una soledad más cruel y larga que las Ursulas y  los José Arcadios, la soledad de América Latina.
Conozco un Gabo de remembranzas, esas que nunca dejan olvidar de dónde venimos, cual quintaesencia nuestra. Me presentaron al  trigueño con el pelo ensortijado, amante del circo y las películas, al  pequeñín de  la abuela Tranquilina Iguarán, supersticiosa y mágica, nieto también del coronel Nicolás Márquez, veterano de la guerra de los Mil Días.
Una tarde de mayo descansé bajo la sombra del árbol de Macondo. Recién comenzaba a enamorarme de quien puso sus hojas en mis manos y, al verme confundirlo con una ceiba dijo: “Pertence a  familia de las bombáceas; se ha hecho famoso debido a cierta novela que seguro ya leíste”.
Tal vez por primera ocasión  el  estudioso de los bosques consiguió que prestara asunto a la botánica, mientras, yo, absorta, lograba al fin entender por qué, al volver al natal Aracataca, el hijo de Luisa Santiaga Márquez, rebautizó a su pueblo caluroso y  polvoriento para dar abrigo a la saga de los Buen Día.
Dos años despúes, evoco aquel suceso y es imposible restarle poesía. ¿Qué diría el  Gabo que conozco, justo hoy, cuando  marzo cuenta el sexto sol, fecha para celebrar otro cumpleaños? No importa que el cuerpo haya sido de la tierra arrabatado, alguien pide permiso y lugar  para también recordarlo. Ella lo vio mucho antes, leyó sus páginas…. Se llama Cuba y  tuvo su impronta en el regazo.
Conoce Cuba otro Gabo, que es a la vez, el mío. Un Gabo amigo. El narrador de lo vivido por los esposos Villamizar en Noticia de un Secuestro  y demostró que, a los 90 años, cualquiera aún puede amar a sus “putas tristes”. Fue él, responsable de tantas noches de insomnio ante el embrujo de sus libros, que el pueblo todavía persigue en bibliotecas, plazas, ferias.
Conoce Cuba  al nombrado director de la Agencia Prensa Latina en 1959, uno de los fundadores de la Escuela Internacional de Cine y  Televisión, en San Antonio de los Baños,  defensor de la soberanía de esta Isla en cualquier arena,  desde los comienzos.
Por más de una década, Estados Unidos le negó visa, entre otras razones, por  filiación comunista. Recientemente ha sido develado el archivo que por años le mantuvieron abierto los Servicios de Inteligencia, debido a su entrañable cercanía con el Líder de Revolución Cubana.
Y es verdad. Aquí vino una vez, y regreso siempre. Permaneció durante un mes, muy cerquita del teléfono en el Hotel Nacional a la espera de confimar la petición ansiada: el primer  encuentro con Fidel. Dicen que pasearon por la capital en el jeep del Comandante, conversaron sobre libros y la crisis alimentaria.
´´Este es el Fidel Castro que creo conocer, al cabo de incontables horas de conversaciones, por las que no pasan a menudo los fantasmas de la política(…) Una noche, mientras tomaba en cucharaditas lentas un helado de vainilla, lo vi tan abrumado por el peso de tantos destinos ajenos, tan lejano de sí mismo, que por un instante me pareció distinto del que había sido siempre. Entonces le pregunté qué era lo que más quisiera hacer en este mundo, y me contestó de inmediato: “Pararme en una esquina”, escribió  al perfilar al hermano barbudo.
Así, como conoció  a mi gente, a  Fidel, creo conocer  también a Gabriel García Márquez. Lo noto descender por una escalera en los jardines del Liceo Artístico y Literario de La Habana. Y se humaniza el bronce de la escultura tallada por Villa Soberón. Miro sus ojos profundos, quiero pensar que se cruzan con los míos, pero él ve mucho más, contempla el infinito.
Tomado de: http://www.cubahora.cu/cultura/el-gabo-que-cuba-y-yo-conocemos