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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

A VIDA ,A TRANSITORIEDADE E A MELANCOLIA- ISABEL ALLENDE -JOKE HERMESEN -




Isabel Allende-https://bit.ly/34OZyOl

Apresentamos abaixo dois textos oriundos de autoras sem ligações teóricas nenhuma, ao meu ver, mas que nos fala e toca no momento atual, sobretudo.

1- Isabel.Allende- Chilena -via Facebook- 

2-Joke Hermesen ,Holandesa  -via El Pais(https://bit.ly/3gDTuui).

Embora como já afirmamos acima, da distinção entre ambas, flagramos aproximações íntimas entre as mesmas no que tange  a nossa vulnerabilidade e o transitório . Leiam abaixo.

 Para Abrir com odor poético tomemos o poeta Carlos Pena Filho. PE:

A solidão e sua porta
Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(Nem o torpor do sono que se espalha)
Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha
A arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório
Carlos Pena Filho
Carlos Souto Pena Filho (Recife, 17 de maio de 1929 — Recife, 1 de julho de 1960) foi um advogado, jornalista e poeta brasileiro, considerado um dos mais importantes poetas pernambucanos da segunda metade do século XX depois de João Cabral de Melo Neto.



FLAGRA FACEBOOK
Hortelã Pimenta  https://bit.ly/2EGzoCe


Por Isabel Allende sobre a pandemia e o medo


“Desde que Paula (minha filha) morreu há 27 anos, perdi o medo da morte.


Em primeiro lugar, porque a vi morrer nos meus braços e compreendi que a morte é como o nascimento, é uma transição, um limiar e perdi pessoalmente o seu medo.
Agora, se o vírus me pegar, eu pertenço à população mais vulnerável, os idosos, tenho 77 anos e sei que se eu pegar, vou morrer. Portanto, a possibilidade de morte está muito clara para mim agora, vejo com curiosidade e sem medo.
O que a pandemia me ensinou é deixar as coisas passarem, perceber o quão pouco preciso.
Não preciso comprar, não preciso de mais roupas, não preciso ir a lugar nenhum nem viajar. Eu acho que tenho muito. Eu olho em volta e me pergunto por que tudo isso. Por que preciso de mais de dois pratos?
Portanto, descubra quem são os verdadeiros amigos e as pessoas com quem quero estar.
O que você acha que a pandemia ensina a todos nós?
Está nos ensinando prioridades e nos mostrando uma realidade. A realidade da desigualdade. Como algumas pessoas passam a pandemia em um iate no Caribe e outras passam fome.
Ele também nos ensinou que somos uma família.
O que acontece com um ser humano em Wuhan, acontece com o planeta, acontece com todos nós. Não existe essa ideia tribal de que estamos separados do grupo e que podemos defender o grupo enquanto o resto das pessoas não se importa. Não existem paredes, não existem paredes que possam separar as pessoas.
Criadores, artistas, cientistas, todos jovens, muitas mulheres, estão considerando um novo normal. Eles não querem voltar ao que era normal.
Eles se perguntam que mundo queremos. Esta é a questão mais importante agora.
Esse sonho de um mundo diferente: temos que ir para lá.
E reflito: a certa altura percebi que a gente vem ao mundo para perder tudo. Quanto mais você vive, mais você perde. Em primeiro lugar, você está perdendo seus pais, às vezes, entes queridos ao seu redor, seus animais de estimação, lugares e até mesmo suas faculdades.
Você não pode viver com medo, porque isso te faz imaginar coisas que não acontecem e você sofre o dobro.
Precisamos relaxar um pouco, tentar aproveitar o que temos e viver no presente. "






POR EL PAIS: 
https://bit.ly/3gDTuui


O FUTURO DEPOIS DO CORONAVÍRUS
Para a filósofa holandesa, além da dor e do medo de estar só, o isolamento social pode ser um momento criativo e traz novas possibilidades de nos conectarmos com nós mesmos e com os outros


A filósofa Joke J. Hermsen.
A filósofa Joke J. Hermsen.CLAUDIO ALVAREZ
Eu me lembro de estar em minha sacada em Amsterdã, olhando um céu de um azul pungente sobre as casas. Nunca havia sentido um contraste tão nítido entre esta primavera vital e florescente e mais uma série de estatísticas trágicas apresentadas nos noticiários. Lá estávamos nós, em pleno despontar de vida reluzente, cercados pelo anúncio de tantas mortes. Ficamos lá dentro e esperamos, às vezes nos perguntando o que estávamos esperando: o fim do confinamento? A próxima crise? Ou talvez a oportunidade de muda

Enquanto esperávamos, descobrimos uma forma de solidão nova e forma de solidão nova e ambivalente. Por um lado, essa solidão se assemelha a um isolamento forçado imposto por um poder invisível, o vírus, que nos atemoriza e nos faz sentir inseguros em relação à nossa vida, porque não sabemos quanto tempo durará nem como vencer seus perigos. Isso nos assusta, nos preocupa, nos impede de dormir e, o pior de tudo, poderia transformar nossa natureza melancólica em um estado depressivo crônico.

Porque somos seres melancólicos que em algum momento de nossa infância tomamos consciência da passagem do tempo e, com isso, da perda e da transitoriedade. Essa consciência pesa sobre nossos ombros e, ao longo dos anos, aprofunda nossa melancolia. Se muitos medos e inseguranças pairam sobre nós, nossa melancolia costuma se tornar tão escura como a “bile” grega que lhe dá nome: melan-chole, profunda e abatida. No entanto, por sorte, também sabemos como lidar com essa melancolia e “iluminá-la” com a música, por exemplo, ou com histórias, ou com uma expressão de amor. Em outras palavras, temos de torná-la “criativa” a fim de traduzi-la em “tristeza com um sorriso”, como disse Calvino, e não em depressão

Nos últimos meses, porém, enfrentamos enormes perdas e cenários aterrorizantes. Tem sido extremamente difícil encontrar alguma esperança. Portanto, existe o perigo de que grande parte da população fique deprimida, o que é um problema de saúde muito grave, sobretudo se combinado com a solidão, como demonstraram pesquisadores famosos como Trudy Dehue, da Holanda, e Stephen. Houghton, dos Estados Unidos. Como consequência, não temos escolha a não ser continuar a buscar novas fontes de esperança e inspiração.

A boa notícia é que no próprio isoladamente, ou no que costumamos chamar de solidão, há alguma esperança. A solidão é um estado em que uma pessoa pode centrar sua atenção no diálogo interior, como Hannah Arendt explicou em ‘A Vida do Espírito’ (1973). Mesmo quando estamos “sós com nós mesmos”, somos seres dialéticos porque podemos falar sozinhos, podemos pensar e refletir sobre nossas próprias ações. Somos “dois em um”, ou, nas palavras de Arendt, “todo pensamento, estritamente falando, é elaborado em solidão e é um diálogo entre mim e eu mesmo”. Se formos capazes de nos concentrarmos nesse diálogo interior, não só descobriremos as possibilidades desse frutífero aspecto da solidão para nós mesmos, como também encontraremos novas conexões com os outros: “Esse diálogo de dois em um não perde o contato com o mundo de meus semelhantes porque eles estão representados no eu com o qual mantenho o diálogo do pensamento”.

Se o isolamento expressa a dor e o medo de estar (obrigado a estar) só, a solidão expressa a “glória de estar só”, justamente porque revela novas possibilidades de nos conectarmos com nós mesmos e com os outros. Em consequência, o desafio diante de nós é transformar nosso isolamento em uma solidão compartilhada. Como? Pensando, sonhando, lendo, escrevendo e apresentando nossos pensamentos aos demais, como eu lhes estou apresentando os meus. Este intercâmbio é a única coisa que pode proporcionar um contrapeso suficiente à nossa melancolia e nos impedir de cair em depressão. Em todo o mundo, compartilhamos os mesmos medos e as mesmas ameaças, mas também a mesma esperança: de ser capazes de recomeçar depois do coronavírus, e nos comportar e agir de uma maneira muito mais responsável e solidária.



  1. A holandesa Joke J. Hermsen é doutora em Filosofia e especialista na vida e obra das filósofas Hannah Arendt e Lou Andreas-Salomé. Também é autora de ‘Melancholie’ (Não lançado no Brasil). Esse artigo é parte de uma série de textos de pensadores das mais diversas áreas sobre o futuro após o coronavírus.
" O neoliberalismo é quem as deixa doentes. O que é necessário para que a melancolia seja saudável? Descanso, e no capitalismo isso não existe. O sistema faz com que as pessoas fiquem deprimidas e, além disso, essas pessoas não são cuidadas. Ele as afasta. A terapia que proponho não custa dinheiro, mas tempo, entretanto o tempo se tornou o produto de luxo por excelência...."

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

QUEM CANTA HUMANIZA-SE- QUEM CAPTOU CONTAGIOU- ARTISTA E PLATÉIA .








10 h
Coisa mais linda isso Gente... um.morador de rua ao perceber q estava sendo filmado resolveu cantar p a jovem.. e uma música super linda do Legião urbana...👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

PARABÉNS CANTOR E
Ângela Maria Lula Fernandes
FLAGRA FACEBOOK
LICENÇA ANGELA...

A Maciez da empatia é simples, doce, mínima e nos faz bichos amáveis como pelos que nos roça.
O respeito é afeto, amor, identidade, convergência.
Vejam o vídeo - é poiesis-criação batismo humano ,é reza boa ,pois é verdadeira-amor ao outro.
Dito isto, é poesia  todo ato que vemos , O QUE OPERA NA CENA DRAMAÚRGICA SONORA à quem flagra o  outro,- o artista-, assim  são dois artistas que se integram e humanizam-se, celebrando o ser, estar. Isto é a arte anônima mais ilustre deste País.
Como dizia NATALIA CORREIA: OH !SUBALIMENNTADOS DO SONHO A POESIA É PARA COMER!( A defesa do poeta)
Paulo Vasconcelos

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

GESTÃO EMPRESARIAL DA VIDA: A CONDUTA NEOLIBERAL -VEJA VÍDEO INTEGRAL



3,94 mil inscritos
26.08-20hs
 Aldo Ambrózio é Pós-doutorando em História Cultural na linha de pesquisa Gênero, Subjetividades, Cultura Material e Cartografias no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) sob a Supervisão da Profª Drª Luzia Margareth Rago. Doutor em Psicologia Clínica (2011) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Mestre em Administração (2005), Especialista em Finanças Corporativas (2002) pela Universidade Federal do Espírito Santo onde também atuou como professor substituto entre os anos de 2003 e 2006. Também realizou, entre 2015 e 2018, a Formação em Psicanálise no Instituto Sedes Sapientiae. Em termos profissionais, é Professor Substituto na área de Psicologia Social e da Educação no Campus de Sorocaba da UFSCar e atua como Psicanalista na Clínica do Instituto SEDES Sapientiae e em consultório privado. É pesquisador do Grupo de Pesquisa Deleuze/Guattari e Foucault, elos e ressonâncias (UNESP-SP); colabora também, na categoria estudante, do Grupo de Pesquisa Psicanálise e Filosofia da Imanência: Desafios da Clínica na Contemporaneidade (PUC-SP). Tem experiência como docente na área da Educação, com ênfase em Teorias da Educação, Psicologia Social e da Educaão e Cultura das Instituições Educacionais e, na área de Administração, com ênfase em Teorias da Administração, Aspectos Metodológicos da Pesquisa em Administração e Administração Financeira. Sua pesquisa tem se posicionado na relação entre as atuais formas de reconhecimento do sofrimento humano e as políticas de subjetivação vigentes no momento contemporâneo dando relevância, para realizá-la, aos seguintes temas: processos de subjetivação; educação; poder; sociedades disciplinares; sociedades de controle; império e empresariamento da vida.
 LINK
https://www.youtube.com/watch?v=PJCeVuSZVL0&feature=share&fbclid=IwAR3HDTl0iTqBzaueULizLlLKN4DTemAr65sW1-AqlsIepT2jlUrOVw4BRsw

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

HOMENAGEM A WASHINGTON NOVAES- O Sábio da Tribo


Ver a imagem de origem
W NOVAES POR PINTREST

O texto e a entrevista a seguir são parte do catálogo da 3ª Mostra Ecofalante, que em 2014 homenageou Washington Novaes

O Sábio da Tribo


APUD https://bit.ly/34L71xV ECOFALANTE.ORG.BR


Quando Washington Novaes abandonou a péssima ideia de ser advogado – nada contra a profissão, mas é difícil imaginá-lo realizando tão bem outros ofícios que não aqueles relacionados à área da comunicação – e se aventurou no jornalismo, o Brasil tinha vergonha de sua exuberância ambiental (será que isso mudou?).
Desenvolvimento era sinônimo de fumaça, a Amazônia precisava ser ocupada e explorada sem trégua, acelerava-se o crescimento desordenado das cidades, e São Paulo “não podia parar”. Era uma época em que não se aprendia jornalismo em faculdades de comunicação – elas sequer existiam – e uma notável geração de jornalistas “criados nas redações” emprestava uma nova identidade à imprensa nacional, menos provinciana e mais ousada na busca de novas linguagens e pautas.
“Naqueles tempos a gente achava o Washington meio esquisito. Quando a maioria de nós só pensava em driblar a censura e denunciar as mazelas do regime militar, lá vinha ele com aquelas pautas de meio ambiente.
Com o tempo, a gente viu que o Washington foi um pioneiro, ao perceber primeiro esses problemas”, disse certa vez Zuenir Ventura, outro veterano desta geração de ouro do jornalismo, num depoimento resgatado aqui de memória durante um debate em Goiás.
Era uma época em que não havia licenciamento ambiental, ministério ou secretarias (estaduais ou municipais) de meio ambiente, ninguém falava em “ecologicamente correto” muito menos em “desenvolvimento sustentável”. Não havia ISO 14.000, produtos certificados ambientalmente, Partido Verde ou Greenpeace. Meio ambiente era assunto de “bicho grilo” ou “alienados” – para não mencionar outras denominações bem mais ofensivas, que tentavam desqualificar quem ousasse lhe dar um tratamento mais sério. Washington pertence ao seletíssimo grupo de jornalistas que pavimentou com coragem esse caminho na direção de uma nova consciência dentro das redações.
Por onde passou, “contaminou” os colegas de profissão com essa estranha determinação em denunciar as mazelas de um modelo de desenvolvimento predador, de curto prazo e condenado ao fracasso por destruir os recursos naturais não renováveis fundamentais à vida e à própria economia. Inteligência, credibilidade, boas fontes e um texto irretocável (direto, incisivo, recheado de dados invariavelmente contundentes) foram aliados preciosos para abrir, aos poucos, os merecidos espaços que conquistaria ao longo dessa jornada.
Com passagem pelos mais importantes veículos de comunicação do Brasil, exercendo as funções de repórter, editor, produtor, comentarista, articulista, diretor e consultor, Washington Novaes conquistou respeito e admiração pela farta produção multimídia num filão carente de especialistas. Desde 1997 seus artigos no jornal O Estado de São Paulo vêm inspirando o primeiro escalão da República, parlamentares e ONGs, despertando o senso de urgência onde havia desleixo e omissão. Não por acaso, foi ele o escolhido para estruturar as bases de discussão da Agenda 21 brasileira, um imenso receituário de como alcançar a utopia da sustentabilidade num país com o tamanho e a complexidade do Brasil.
De terno e gravata cobrindo diferentes Conferências da Organização das Nações Unidas (ONU), nas diversas incursões pelo tão castigado e querido Cerrado ou num furgão com uma numerosa equipe de TV num tour por vários países da Europa – para acompanhar a destinação final do lixo no velho continente – Washington sempre praticou a mais nobre de todas as ocupações possíveis dentro do jornalismo: a de repórter. Ser testemunha da História, estar perto dos acontecimentos, sentir o “cheiro da notícia” afere inquestionável credibilidade a quem tem a missão de registrar os fatos mais importantes do nosso tempo. Mas quando o assunto é meio ambiente, os profissionais de imprensa estão sujeitos a certos riscos. Foi o próprio Washington quem denunciou em 1996, num encontro com jornalistas em São Paulo, o que está em jogo nessa área do jornalismo: “Acho que a questão ambiental é ameaçadora para os jornalistas na medida em que os jornalistas têm uma vida pessoal muito pouco adequada em termos ambientais. O jornalista, em geral, bebe muito, fuma muito, leva uma vida extremamente competitiva, apressada, estressante, onde a disputa pelo poder está sempre muito presente dentro e fora do trabalho, mora em cidades com problemas ambientais gigantescos, todas essas coisas. Ele vai ter que se perguntar um pouco sobre sua vida. Será que é essa mesmo a vida que eu quero? Será que é essa a vida que eu devo levar?”.
Será que Washington sabia exatamente o “risco” que corria quando começou a registrar em reportagens premiadas a realidade das comunidades indígenas pelo Brasil? Foi no Xingu que algo diferente lhe aconteceu. Sua imersão em cinco diferentes aldeias consumiu dois meses de viagem, 70 horas de barco a motor ou canoas, 500 quilômetros a pé. A experiência o marcou profundamente. Num encontro casual com Washington num avião, o antropólogo Darcy Ribeiro percebeu um brilho diferente no olhar do amigo: “Agora você já sabe que não se passa incólume pela experiência de ver o mundo com os olhos dos índios”. E vaticinou: “Você nunca mais vai ser a mesma pessoa”.
A “maldição” de Darcy se confirmou na obstinação renovada desse homem, sempre aguerrido e disposto, em favor de um jornalismo comprometido com um mundo melhor e mais justo.
Devo a Washington Novaes escolhas importantes que fiz na minha carreira. Especialmente a de entender, como jornalista, a real dimensão dos assuntos ambientais na vida moderna e no meu ofício. É sinceramente um privilégio tê-lo como referência, amigo e, como diriam os índios, “o sábio da tribo”.
Por último, aqui vai uma dica importante: não o chamem de “jornalista ambiental”. Por mais de uma vez eu o vi declinar, com elegância, esta apresentação. Washington é simplesmente jornalista, daqueles que sabem “cutucar” com maestria os gigantescos interesses econômicos e políticos que se locupletam no que não seja “sustentável”. É dele a frase que aparece reiteradas vezes em artigos indignados com o descaso dos governos para com os assuntos de meio ambiente: “a questão ambiental deveria ser o centro e o princípio de todas as políticas”. Podemos ainda estar muito longe disso, mas é nessa direção, como já defendia Washington décadas atrás, que devemos caminhar.
–LEIA TODA MATÉRIA EM https://bit.ly/34L71xV

sábado, 15 de agosto de 2020

MST Oficial @MST_Oficial ‼ CENÁRIO DE GUERRA EM CAMPO DO MEIO (MG)! Polícia está atacando famílias e destruindo o que foi construído ao longo de 22 anos de resistência!






.......
Que o homem molesta - que o homem não presta, não presta, meu Deus!
DESEPERO DA PIEDADE V,DE MORAIS

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

UM POETA EM TECELAGEM POÉTICA NA CRÔNICA ,ALEXANDRE COUTINHO

Alexandre Coutinho p0r seu blog 

Publico hoje crônica do poeta ,não  mais entre nós:


TERÇA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 2013

paparam meu sono


Seu blog   http://infinitascortinas.blogspot.com/
"e ainda que as janelas se fechem, meu pai, 
é certo que amanhece"
(Hilda Hilst)

Em meus dias de insônia, consigo ouvir o raspar das vassouras retirando o lixo das ruas. Isto acontece às três da manhã, hora em que muita dona de casa teria pavor de sair de seu aconchegante lar. Neste momento não sei muito bem, devido ao desejo urgente de dormir e à vigília involuntária, se é o diabo que está a dar um passeio ou se são mesmo vassouras raspando paralelepípedos. É a hora em que fecho as janelas definitivamente e aprendo a conviver com o calor constante de minha cidade natal e de meu quarto. É nesta hora indevida, porém, que a cabeça está processando uma série de informações adquiridas durante o dia e pernilongos insistem em arrodeá-la. Espalmo uns três já pesados de meu sangue, às três e trinta o galo encerra o canto. O ser insone passou a ser constante desde que preocupações mais abstratas começaram a ocupar o intelecto e a vida que, repetidamente, insiste em nos deixar ciosos do dia, ele pronto e singular, mas incapaz de transgredir a si mesmo. É o fardo das cidades pequenas, dos trabalhos carregados de função moral e da idade que não pode ser mais evitada. Dessa confusão momentânea, o estado da alma realiza solilóquios sobre a língua parada e há uma preguiça imensa sobre as coisas dos homens, sobre as minhas inclusive. Se rezo, penso no papa e se penso no papa, penso em carnaval. E neste momento mesmo sorrio por pensar o papado como um alegoria decadente, acho que pela ostentação contínua de poder e riqueza. Coisas que penso sem nenhum rigor, até porque não vou à igreja e pouco me interessa aquilo que o conclave dita para a juventude cristã que, inegavelmente, vai estar mais segura ao lado de ateus e agnósticos. O deus que não sou, pensa: a renúncia é uma denúncia. Entretanto, nunca fora novidade os causos de pedofilia, de corrupção e assassinatos na igreja. Jornais, revistas, todos ansiosos por mais uma declaração que lhes preencha pautas e laudas. Que assim seja, porque o mundo, em desagregação constante, mesmo que as mídias sociais e virtualizações da subjetividade indiquem o contrário, não precisa mais de instituições caducas. O que nada tem a ver com espiritualidade e poesia, certo é que o mundo e o homem sem espiritualidade são mais pobres, mas uma coisa é clara: da tríade só nos resta o espírito santo, porque o filho nós matamos, o pai sempre foi ausente e o espírito santo tenta capengamente se esquivar de tentativas constantes de corrompê-lo. Agora o sono é chegado e devemos aproveitá-lo, já que o melhor da vida ainda está adormecido. 

Em 20.04.2017 publiquei a matéria abaixo.

UM POETA AINDA VIVO EM TESSITURA POÉTICA

 A poesia de Alexandre Coutinho


“Menino é raso / de meninura.” 

O poeta está mais vivo que a ponta da lança que o levou  ou ajudou a sair para outro canto ou desencantou-se ou reencantou-se. Seu corpo, âncora de vida, foi de difícil apelo, como todos os outros são ,mas no corpo da letra “ele tentou domar o corpo textual, gulosamente e em velocidade, como sua música “, afirma Lorena Grisi, parceira e amiga.

A poesia de Alexandre Coutinho (Iraquara, Bahia, 1982-2013) tem a estirpe de suas cordas, música, como ator, de seu visgo com a vida, como sobrancelha sem uso sobre nenhum olho, mas vital no absurdo que vaga a vida, na inconciliação  com o real duro .
Seu livro Estudos do Corpo (2012, Editora 7 Letras  ) traz dourações de apalavramento da loucura do lúcido de si, desse si com a vida .

E enxergo gota/Palavra de mim
Que é água que brota/Para tudo além da sede...
Palavra  de mim/O canto do ocaso
A alma narcótica/Palavra de mim
Cede à doença/Me entendo/Ao passo do fim
Nos olhos do outro/A palavra de mim.

Ligia Guimarães Telles, professora doutora e orientadora de Coutinho na dissertação de mestrado na UFBA (Letras, 2011) – O extremo do possível em rútilo nada: uma síntese concêntrica em  Hilda Hilst – se refere a sua poesia assim: “(...) Lírico e trágico se enlaçam, compondo em performance a cena da criação poética, seus gestos e acenos... como em Jazz nº 10”:

Aqui não há silêncio, onde me encontro tudo é ruído. Ossos rangendo na boca. Dentes batendo no peito. Estômago compondo toxinas...

Continua Ligia: “A qualidade musical assumida no título da segunda parte do livro - “JaZ.z” – e dos 20 poemas. Dessas imagens assoma o corpo masculino em nudez, permitindo ao leitor relacionar corpo humano/corpo do texto, da palavra, da escrita. As aliterações constantes aguçam a audição”:

Minha lascívia/de lodo e lama;
Torpor de um vício adunco/Vapor de vínculo e vinco;
Fruição frêmita de estrofes e tempos.

Mas este poeta, como todo ser homem, foi, na sua poesia um subtítulo escrito pela sua textualidade:

Entre miasmas, ruídos, máscaras, entre o parque central e o cemitério S. Pedro, onde havia uma cova com meu nome (...). Com tanto peso simbólico, foi impossível conter o vômito. Barcos, corações, crucifixos, mercedes, facas, tumblios dissimulados postos pra fora sob um grito mudo e uma intensidade fraterna. (http://bit.ly/ZKSCJB)

Por fim,ele diz de sua poesia:
A poesia não está irrita. Esconde-se naquilo de fosso/troço retalhado no corpo.Tecido anatômico/de pano:mamulengo/pro vário que sou/desvario que hei de ser devir…Continuo invento/da saliva apalabravada…

Ler Alexandre é ler sua costura de vida e de poetação da existência.


Tão desnecessária poesia/disrítmica e plantada nas palavras que não fui…


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tereza Costa Rêgo: O Pulo sobre o fim ...28.04.1929- 26.07.2020


A mulher que poetou sobre o encarnado, pulou  para a nuvem,sempre ,sempre de Olinda -PE com seus encantos que os amigos bem sabem, vai Tereza mas morre um pouco a tua cidade na ausência do teu cromatismo existencial.


Leiam mais sobre TEREZA COSTA REGO ...



http://especiais.jconline.ne10.uol.com.br/pernambuco-modernista/tereza.php




quarta-feira, 29 de julho de 2020

Porque o íntimo é sempre humano. (Eduardo Diógenes, poeta. *18/08/1954. +27/07/2020)


EDUARDO DIÓGENES por Moisés Neto -Facebook- recorte deste blogueiro



O homem vem e vai, o poeta vem e vai como a estrela cega,mas fica o rastro  para os que entendem -o que não se compreende-Paulo Vasconcelos


EDUARDO DIÓGENES
Por ANTONIO MIRANDA  https://bit.ly/2BCF4vN
Nascido no Recife, em 1954. Publicou Brincadeira no 27 (Uberaba, Editora Gráfica vitória, 1975), Malabarismo Crônico (Recife, Editora Pirata, 1980) e A barlavento (Rio de Janeiro, 7 Letras, 2000, reunindo trechos dos livros A barlavento e Arqueologia da dúvida). No ano de 1986 seu livro  Malabarismo crônico passou afazer parte do acervo de escritores brasileiros na Fundação Casa de Las Américas em Havana (Cuba). Em 1993,  foi incluído na Antologia da nova poesia brasileira, promovida pela Rio Arte/Funarte, organizada e selecionada pela escritora, tradutora e poeta Olga Savary. Incluído na revista Poesia Sempre (n° 12/ano 2000) da Biblioteca Nacional. Participou como narrador do filme Joaquim Nabuco: Um vencido da grande causa, de Taciana Portela (1° lugar no Margarida de Prata 2000, em Brasília). Mantém inéditos – aguardando editores – Os livros Ilha do Recife dos Navios (com apresentação de Jorge Wanderley e prefácio de Olga Savary) e Ficções.

Poemas extraídos da obra:

STEREO
INVENÇÃO RECIFE

coletânea poética 2

Delmo Montenegro / Pietro Wagner
(organizadores)
Recife: Prefeitura do Recife, Secretaria de Culura,
Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2004.
 

VOGAL DA FOME
( OU NÃO SE FAÇA VERSO )

1.
nada cristalmente.
seca a garganta
calada
em seu repouso
de horas e agonias.
impedidamente boca não pronuncia.
plásticas de sílabas
e adjetivos
semi-erguidos
do non sense
cotidiário
de notícias graves
e coragens breves.
entre nomes ávidos
dos mercados éticos —
palavras mortas.

2.
nada essencialmente
vazio o cérebro
amontoado
de memórias —
prateleira desarrumada
selos da história
abundantemente outra
e pouca.
nada simplesmente exato
reta a entonação agrava —
ratos dos porões mais frios.
suja a vogal da fome
entala
e não se faz mais verso.

ALGUMA ESTAÇÃO

de que adianta insistir
verbos no infinitivo
sinopses de alma
a lua se acaso cheira
 não impede
o verso seja seco
pobre
e que algum olhar de lírio
seja nosso esquecimento
e não a utopia
  
Á MARGEM DO CANAL

à margem do canal
desfilam casas
enraizadas na lama
(se ao que se pode
chamar qualquer teto)

antes de qualquer vogal
ou geografia
entre macilenta e suja terra
nos caixotes
candidatos a banheiros
à margem do canal

                                      CONTEMPORÂNEA 
                                      horas contemporâneas
                                     não discursamos a fome
                                      úlcera universal
                                      supurada em nordestes 
                                      Outra forma de escrever
                                      úlcera nordestina
                                      a fome contemporânea
                                      não silencia as bocas

POESIA SEMPRE. Ano 8 – Número 12 – Maio 2000.  Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura, Departamento Nacional do Livro, 2000.

        O barlavento
        Os pássaros também são feitos de tarde
         ou num poema
         podem voar
         como escolha seu pintor;
         do bicho à imagem
         utilizar a metáfora.
         mas
         se a nada servem
         ou ornamentam apenas
         o delírio da impossível liberdade,
         os pássaros voam na tarde
         e os avisto grafando esses versos.

         Depois do apito
        Operárias tomam o ônibus
         roupas iguais
         quase todas barrigudas
         saem da fábrica
         para o fogão e a mesa.
         depois na cama
         servem à sanha de seus homens.
         quando não
         levam uma surra.

         Arqueologia da dúvida
         Silêncio interior
         moscam pousam pelos braços
         um cachorro dorme
         embaixo do caminhão.
         o que é sentir
         o nada sentir?
         se ao mundo
         apenas se empresta
         o destino, a passagem, o delírio
         um boi manso na campina
         é mais bonito do que esse homem
         que habita em mim.

Página publicada em julho de 2010; página ampliada em maio de 2018