quinta-feira, 10 de maio de 2018

UM POVO SIMPLES-alguns- QUE SABE SE UNIR - ACAMPAMENTO MARISA LETÍCIA CAPTURA DO FACE




LUCIANA HIDALGO -sempre lúcida, clara ,direta e boa de tiro ao alvo, leiam:












Luciana Hidalgo
Hoje faz um mês da prisão de Lula e só ouço belas histórias do acampamento de brasileiros que o apoiam diariamente numa área próxima à PF em Curitiba. São camponeses, sem-terra, sem-teto, estudantes, professores, trabalhadores em geral, famílias inteiras, gente de todo o Brasil reunida em torno de um ideal: a defesa de um projeto de país mais igualitário socialmente e menos racista, implementado-simbolizado por Lula. Eles dividem comida, trocam livros, organizam shows e saraus de poesia. De manhã dão bom-dia coletivo, ao entardecer dão boa-noite. Para que Lula os saiba ali, atentos e fortes. 
O movimento de resistência é tão pacífico e encantatório que atrai moradores da cidade: uns doam alimentos e cobertores, uns abrem suas casas para que acampados lá cozinhem, uns oferecem água, uns cedem suas senhas wi-fi. Além da vigília, criaram ali perto a Casa da Democracia, que organiza debates com sociólogos, cientistas políticos e professores de Direito, projeta filmes e acolhe jornalistas e ativistas de direitos humanos vindos de países como França e Alemanha. Há também fascistas que passam, xingam e atiram (um desses acertou duas pessoas). Houve até um policial (da PF!) que surtou e entrou quebrando tudo. Mas são episódios isolados, logo ignorados por pessoas concentradas na defesa de seus direitos, que agora entendem o que têm a perder quando um governo ilegítimo assume um país na marra e vive de conluio em conluio com elites ruralistas, empresariais, legislativas e judiciárias. 
Sem o Facebook, eu não saberia de nada do que está acontecendo. Não saberia que nesse momento histórico um movimento social dessa magnitude se organiza e dá uma aula de cidadania. Diariamente leio posts das pessoas que lá estão, ouço suas histórias divulgadas em vídeos pelos honrosos repórteres da Mídia Ninja e dos Jornalistas Livres. Pela primeira vez na vida, vejo tantos camponeses, trabalhadores em geral, com tanta consciência política
Nada melhor poderia ter acontecido no Brasil do que o golpe de 2016, que expôs da forma mais escabrosa toda a ignorância e ganância de uma ideia caquética, escravocrata, de Brasil, em total desalinho com a ideia de democracia das grandes potências mundo afora. 
Essas pessoas acampadas em Curitiba não saem nos grandes jornais, tampouco seus pequenos grandes feitos, e até parecem invisíveis, mas nas pesquisas de intenções de votos são mais do que visíveis: palpáveis. Nas estatísticas dos institutos de pesquisa, são mais: gigantes. Elas não vão a Curitiba por mortadela nem por uma idolatria tola. Vão porque sabem dos seus direitos. Vão porque entenderam tudo. Tudo. E isso tem aterrorizado os machões fascistinhas que saem por aí xingando e atirando. Esse povo, que era dos interiores, dos sertões, das periferias urbanas, entendeu que não é minoria e sim maioria. Agora dá até para entender os tiros, o ódio, esse filho bastardinho do medo. A cada nova pesquisa de intenções de votos, fascistinhas tremem. Porque, sabemos todos, a melhor vitória é a das urnas.

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