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domingo, 23 de julho de 2017

A Canção como vibração de um fruto maduro: Fruta Gogoia

                                            fonte :http://bit.ly/2eIvzj5

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A canção como vibração de um fruto maduro: Fruta Gogoia,

Cantar é saber dizer linguagens, é legitimar a música, a letra, é aumentar o ganho sonoro com a interpretação que se faz. Isso ocorreu com o CD (com 18 faixas) e show “Fruta Gogoia”, com Jussara Silveira e Renato Braz.
Para aumentar a dimensão do fato, o show no Sesc Vila Mariana, na última sexta feira 08.07, estrondou a cena e o público aplaudiu de pé inúmeras vezes.

O álibi foi a homenagem a Gal Costa, 50 anos de carreira, em seu repertório ao longo de décadas. Mas a escolha é que foi esculpir em ferro: difícil, mas acertadíssima. Fizeram  parte  assim  compositores que vão de Tom Jobim a Caetano Veloso, passando por Dorival Caymmi, Jards Macalé, Chico Buarque, Luiz Melodia. 


O SESC  teve a honra de agasalhar este projeto que marcará sua carreira, já longa de grandes produtos culturais. Danilo Miranda estava presente na estreia, no auditório, e não media fogo nos aplausos, junto com outros convidados.

Luiz Nogueira, produtor cultural e musical, teve a audácia de qualidade de se inspirar com perfume da flor de Gal Costa e cometeu seguidas audácias: ao juntar Renato Braz , Jussara Silveira e músicos estonteantes, afora o inesquecível arranjo de Dori Caymmi.

Apresentam-se entre outras músicas “Estrada do Sol”, de Tom Jobim e Dolores Duran; “Vapor Barato”, de Jards Macalé e Waly Salomão; “Folhetim”, de Chico Buarque; “Volta”, de Lupicínio Rodrigues; “Pérola Negra”, de Luiz Melodia; “Sorte”, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos; “Só Louco”, de Dorival Caymmi. Também não ficaram de fora da homenagem “Modinha para Gabriela” e, claro, “Fruta gogoia”.

Renato faz um dupla perfeita incorrigível com Jussara, que, por sua vez, canta com o corpo todo e rearranja o corpo e o vestido com suas mãos que regem por inteiro as canções de modo a dar um outro tom à música. Ela rege muito bem com seus dedos como se violasse a melodia com e no corpo, que também vibra.

Ela é uma cantora de extremo bom gosto e sem audácia de querer ser  insuperável e, assim, torna-se. E, mais, faz brilhar estalos da sua loucura de intérprete. Sua simplicidade é o segredo de seu tônus, que ultrapassa ditames do é que ser uma a cantora: ela é a própria fruta gogoia, é uma moça, é uma joia!

Ele, Renato, na sua forma de estar em cena, passa a tranquilidade dos que tem sede de cantar se encontrado consigo ao vozeirar as canções qual uma viola do mato afinada junto às frutas, as canções. Assim seu violão e sua voz assaltam-nos de emoção e poesia soberba.

O repertório não tem falha, é um repaginação da música brasileira, feito com um cuidado de quem sabe ouvir e redizer.

Os  arranjos tiveram a batuta doce e clássica de Dori Caymmi que tanto já arranjou  para Gal Costa, mas todos os arranjos pensados para as canções do disco traduzem a elegância das composições, chamando um time de músicos conceituados para executar suas faixas. Além de  Dori, que toca violão – no disco – em algumas das faixas; Itamar Assiere, no piano; Celso de Almeida, na bateria; Teco Cardoso, nos sopros; Swami Júnior, no violão 7 cordas; Sizão Machado, no baixo; Bré Rosário, na percussão; e Toninho Ferragutti irrepreensível e deslumbrante no acordeom. Toninho é responsável também pelo arranjo da canção que dá título ao disco. Além disso, Mário Gil faz a produção musical e o violão na faixa “Meu bem, meu mal”.

Algumas canções são acompanhadas por um octeto de sopros, com a nata dos músicos de sua vertente. Outras por um quarteto de cellos ou um conjuntos de cordas. Neste caso, a arregimentação ficou nas mãos do maestro Claudio Cruz, fantástico.

Na estrutura visual, caso do show, disco e no design de imagens de Regina Silveira, que veio de modo mais público mostrar sua raça, seu verniz de extrema beleza estética e que canta com o som. (Cenário: E programação visual do Cd(Fauna Brasiliensis, 2017. Regina Silveira.Criação: Estúdio Regina SilveiraAnimação: StudioIntro. )

"Eu vi o tempo brincando ao redor da voz latejando música. Por isso essa força estranha..."

Isso é que resumiria o disco e o show.


* Disponível Lojas SESC e breve Livraria Cultura



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Hoje não vou escrever sobre literatura.....e sim a escalada da violência ( Capturas do Facebook)

Quando o escritor e intelectual tem compromisso público com a verdade e com a denúncia ;a isto dou o nome de responsabilidade de cidadania.. Paulo Vasconcelos





Hoje não vou escrever sobre literatura, minha paixão, que ocupa meu espaço por aqui. Vou escrever sobre a escalada da violência contra trabalhadores rurais, especialmente sobre a morte de dois quilombolas que foram assassinados neste fim de semana na Bahia. Este ano, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, 48 trabalhadores rurais foram mortos em conflitos fundiários pelo país, quase o total de mortos no campo no ano de 2015 (o último ano de um governo eleito pelo voto popular). 




Após a ruptura institucional que vivemos no ano passado, as bancadas do boi e da bala ganharam protagonismo. Vive-se no serviço público, ao mesmo tempo, uma profunda precarização que culmina na inércia na demarcação de terras indígenas e quilombolas, além da paralisação de políticas públicas diversas para outras populações tradicionais. Essa não é uma preocupação do grupo usurpador que ocupou o Palácio do Planalto para se proteger, em primeiro lugar, das investigações por corrupção, e vem realizando o desmonte das políticas sociais que entraram em pauta na última década. Não haverá solução para os graves problemas fundiários que enfrentamos se não houver manifestação, grito e luta. E nós, que trabalhamos com a palavra, temos um compromisso com o nosso tempo: fazer ecoar em nossa arte a voz dos que lutam por justiça social,



Que o sangue de Junior Mota (foto), liderança da comunidade quilombola de Jiboia, Antônio Gonçalves-BA, o sangue de Lindomar, comunidade de Iuna, Lençóis-BA, e de tantos outros que têm perecido nos últimos meses pelo país, não sejam derramados em vão. Que nossas ações reflitam que essas lutas não são apenas deles, mas de todos que querem um país que faça uma revisão do seu passado de genocídio e escravidão.


@ Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador, Bahia, em 1979. É doutorando em Estudos Étnicos e Africanos (UFBA), etnógrafo com pesquisa sobre a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste Brasileiro. É escritor, autor dos contos reunidos no volume “Dias” (Caramurê, 2012), vencedor do XI Prêmio Arte e Cultura (Literatura – 2012) julgado por comissão composta por membros da Academia de Letras da Bahia. Escreveu também um ensaio sobre canções de Caetano Veloso “Do canto ao "canto": cidade e poesia em Caetano Veloso” publicado em “Imagens da Cidade da Bahia: um diálogo entre a geografia e a arte” (EDUFBA, 2006). Dois de seus contos foram traduzidos para o francês e publicados em revista especializada na França. É autor do livro de contos “A Aração do Carrasco” (Mondrongo, 2017), obra selecionada pelo Edital Setorial de Literatura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e que recebeu menção honrosa no edital de criação literária de São Bernardo do Campo - São Paulo - 2016.

sábado, 15 de julho de 2017

O troco

 Maria Lucia Dahl por facebook
O troco

Engraxate, flanelinha, menino de rua, pivete.
Versão moderna do Negrinho do Pastoreio
Zumbi dos Palmares do asfalto,
Rebento do ventre livre
O saldo da escravidão.
Mas que bandeira é esta que imprudente
Na gávea tripudia
Na porta do Hotel Othon
Negociando comida por comportamento bom?
Pivete
Tripulante, vingativo do antigo Navio Negreiro.
Mas que bandeira é esta de colorido berrante,
Vestidos de cobertores, descalços no calçadão?
Vendedores de limão, pivetes.
Sem código, sem lei, sem diálogo
Passa a bolsa aí, tia
Copacabana, de dia.
Frutos de fraudes, licitações, falcatruas,
Bandos de meninos de rua
Aprendendo um beabá:
Dá um trocado dá, dá.
Produto da História do Brasil
Eterna guerra civil.
Pivete: a inversão de papéis.
O troco. Me dá um trocado?
Trocando o roubo do seu futuro
Pela morte de presente
Crianças armadas de verdade por falta de
Revólver de brinquedo
Tentando vencer o medo.
O troco. Me dá um trocado?
Escadinhas de bandidos neste país sem mocinhos
Onde todos são maninhos em progressivo arrastão,
Vendedores de limão, pivetes.
Sem cara nem coração.
Meninos de vida curta, opostos de Peter Pan
Colados aos companheiros
Na porta da catedral
Vergonha e dor nacional.
Crônica de Maria Lucia Dahl.

domingo, 9 de julho de 2017

Hermilo 100 anos: estudioso da obra de Hermilo Borba filho aponta importância do artista por D.PE>

Conheci Hermilo Borba Filho, sua obra é extensa e vai 
do Romance, conto, teatro  à ensaios.Um homem sério 
que deixou marcas na cultura pernambucana e brasileira.
Sua obra extensa é seu grande testemunho que ainda 
muitos brasileiros não a conhecem.
Transcrevo a baixo matéria do Caderno VIVER 
Diário de Pernambuco, Recife, Pe 09.07.2016 ,com o estudioso seus Luis Reis 
Paulo Vasconcelos


 O professor do Departamento de Teatro da UFPE Luís Reis foi responsável por escrever a tese de doutorado Fora de Cena, no palco da modernidade: um estudo do pensamento teatral de Hermilo Borba Filho. O trabalho, que aprofundou o debate sobre o legado do artista cênico pernambucano, passa em revista as diversas atividades nas quais Hermilo se envolveu, desde a atuação, no início da carreira, até seu pensamento crítico e ficcional. Em entrevista ao Diario, o estudioso detalha a importância do pernambucano para as artes cênicas.


No começo da carreira, Hermilo Borba Filho pertenceu ao Gente Nossa e ao TAP, que, na época, já eram grupos importantes do teatro pernambucano. De que forma essa experiência impactou o jovem Hermilo?
Foi o contato de Hermilo com o teatro propriamente dito. Antes, em Palmares, a participação dele no grupo dramático do professor Miguel Jasseli propiciou a descoberta de seu interesse por essa arte; mas é no Gente Nossa, e logo em seguida no Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), que ele vai ter acesso a pessoas, artistas e intelectuais, com os quais vai dialogar por muito tempo, concordando e discordando, mas contribuindo coletivamente para a consolidação da modernidade teatral em Pernambuco. Entre essas presenças marcantes no Gente Nossa e no TAP, destacaria, naturalmente, a de Valdemar de Oliveira.  



O Teatro de Estudantes do Pernambuco foi o primeiro grupo no qual Hermilo pôde colocar sua visão sobre o teatro de forma plena. Qual o alcance e a importância desse coletivo?
Sua ida para o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP), em 1946, significou uma tomada de posição, uma ruptura, em relação ao teatro feito por Valdemar de Oliveira no TAP. Era um gesto político e poético: tentar levar teatro moderno, de alto nível, a camadas economicamente menos favorecidas da sociedade. O TEP queria sair um pouco do requinte do Teatro de Santa Isabel, ir para as praças; queria seguir o exemplo de Lorca, que levara bom teatro, de graça, para o povo da Andaluzia. Artisticamente falando, era uma fase de descoberta, de experimentação, muito focada no fomento a uma dramaturgia moderna e nordestina. Foi um rico convívio criativo de talentosos jovens liderados por Hermilo.



O início dos anos 60, no qual o TPN floresceu, também via a atuação cada vez maior do Movimento de Cultura Popular (MCP). Como a atuação de Hermilo se relacionou com outros grupos e propostas estéticas de seu tempo?
O Teatro Popular do Nordeste (TPN), sim, é o momento de maturidade artística de Hermilo, sobretudo o TPN da segunda fase, a partir de 1966. Ali, ele desenvolve encenações que estavam, de fato, na vanguarda da investigação teatral do país. O contexto político era muito tenso e complexo, propício a disputas, patrulhas e perseguições. Nos primeiros anos da década de 1960, em grande medida motivada por um desentendimento entre Hermilo e Germano Coelho, houve uma ríspida oposição entre o TPN e o teatro feito pelo MCP. Hermilo e Ariano, co-fundadores do MCP, logo rompem com esse movimento, afirmando não aceitar a instrumentalização política da arte. Após 1964, com a tomada de poder pelos militares, o TPN recebe ex-integrantes do MCP em seu elenco, e assume certo protagonismo na luta contra o autoritarismo e a repressão, encenando peças que claramente expressavam o posicionamento ideológico do grupo: Um inimigo do povo, de Ibsen; Andorra, de Max Frisch; Antígona, de Sófocles, O santo inquérito, de Dias Gomes, por exemplo. 



Hermilo Borba também foi crítico de teatro. De que forma essa sua produção escrita ajudou a analisar os espetáculos em cartaz na época e, ao mesmo tempo, mostrar um pouco do pensamento do autor?
Na década de 1940, o trabalho de Hermilo como crítico teatral foi muito importante, sobretudo por trazer ao Recife as grandes questões da modernidade teatral. Ali, também, podemos ver a formação e o fortalecimento de seus valores estéticos e éticos. Seu trabalho como crítico teatral em São Paulo, nos anos de 1950, é também decisivo para o aprimoramento e para a confirmação de suas ideias em busca de uma expressão teatral brasileira, nordestina.

Quais foram as contribuições estéticas que o teatro de Hermilo Borba Filho trouxe ao teatro brasileiro?
Desde jovem, ainda na década de 1940, Hermilo evidenciava alguns dos principais traços de sua personalidade como criador: intensidade e inquietação. Nos palcos, foi um pioneiro na discussão sobre a possibilidade de um teatro mais sintonizado com os valores e as questões próprias do Brasil, do Nordeste. Ávido por saber, importava livros que o mantinham atualizado com o que acontecia de mais importante na cena internacional. Foi um dos primeiros brasileiros a ler atentamente Brecht e Artaud, por exemplo. Colocava-se como seguidor de Copeau e como aliado de Vilar. Amava Lorca e O’Neill. Mas o seu interesse pelo teatro estrangeiro não era maior do que a sua admiração pelos artistas populares da terra. Viu poesia e beleza onde a maioria, quando muito, só enxergava “folclore”. Tinha como mestre o Capitão Antônio Pereira, do bumba-meu-boi da Mustardinha. Sem ser propriamente um discípulo de Gilberto Freyre, levou aos palcos a provocadora equação do Regionalismo de 1926: região, tradição e modernidade; abrindo, assim, caminho para algumas das melhores expressões do moderno teatro brasileiro.



Hermilo era um pensador arguto do teatro e escreveu vários livros, além de ter traduzido vários outros. Quais trabalhos nesse sentido você classifica como os mais relevantes?
Como pensador do teatro, Hermilo deixou muito material, refletindo sobre uma rica diversidade de temas, como: literatura dramática, encenação, interpretação e história do espetáculo. Em particular, de modo original, produziu estudos sobre as manifestações dramáticas do povo nordestino. Tenho o projeto de organizar uma publicação reunindo o melhor de seus ensaios, de suas palestras e de suas críticas teatrais. Nesse âmbito, considero  Diálogo do encenador, de 1964, como o título de maior relevo, pois se trata, no Brasil, de uma das primeiras investigações mais aprofundadas sobre a arte da encenação.



Você acha que a obra de Hermilo Borba Filho tem a importância devida a ela não apenas no Recife, mas fora daqui?
À medida que os estudos teatrais no país vão se desenvolvendo, nomes como o de Hermilo Borba Filho serão cada vez mais reconhecidos, por terem contribuído, entre outro aspectos, para que o teatro brasileiro, ao longo do século 20, ganhasse maior autonomia criativa, superando em grande medida um antigo sentimento de subalternidade (colonial), sobretudo em relação à cena europeia.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

SOBRE O RETORNO DE AÉCIO: uma casta formada pelos altos escalões dos três poderes

Trago um relato de um intelectual que demonstra  a escravidão branca que vivemos e os desmandos de um golpe que se esparrama pelas torres dos poderes podres deste país.A indignação solapa a população, que aflita e depressiva,  estagnada pelo medo convive com : o desgoverno, a falta de um mínimo ético nos poderes que se dizem da república.Há um golpe a cada dia!

POR EMERSON LOPES.SP
JORNALISTA PUC .SP
por Facebook em 30.06.2017
Eu e minha família, que sempre moramos na periferia, não somos ninguém neste país. Talvez o diploma universitário que conquistei a duras penas tenha ampliado minha visão sobre várias aspectos da vida. 

Dito isto, gostaria de entender o que há de democrático e republicano em uma casta formada pelos altos escalões dos três poderes que governam basicamente para si e para a ponta da pirâmide, formada por banqueiros e alguns empresários. 

Mais uma coisa: temos nos perguntado por que tanta apatia do brasileiro diante deste terremoto pelo qual o país está passando? 

De repente comecei a pensar na maioria da população que, diante da crise, teme por seus empregos e seu futuro. Então, nação em desenvolvimento que somos, não sobra aos brasileiros comuns muito tempo e espaço para ir protestar na Câmara dos Vereadores, na Assembléia Legislativa Estadual, na sede da prefeitura ou do governo estadual. 

Pensar em viajar à distante Brasília é quase ficção para estes personagens que saem de casa de segunda à sexta 5h30 da manhã para entrar entre 7 e 9h em seus trabalhos alienantes, nos quais permanecerão por cerca de 8 horas, para depois enfrentar congestionamentos e transportes públicos superlotados na volta para a casa ou na ida para seus estudos noturnos, para chegar em casa por volta da meia-noite. 

Em qual momento estes indivíduos com esta rotina terão condições de se aprofundarem nas notícias e artigos sobre a política e a economia brasileiras? O que lhes resta são manchetes da internet e as notícias-pílulas dos telejornais e a comprovação de que algo não vai bem quando vão ao mercado, à padaria, ao açougue, à farmácia ou à feira livre, assim como quando chegam as contas mensais de água, luz, gás, telefone, etc.. 

Percepção comprovada, vem a raiva imediata direcionada à classe política e nada mais, já que o cansaço da semana extingue qualquer energia para pensar em uma saída democrática e republicana com o apoio dos vizinhos, amigos e familiares. 

Há a necessidade do descanso do corpo e da mente, seja no churrasco com cerveja e pagode ou simplesmente curtindo esposa/marido e filhos ou assistindo ao futebol. Pois, segunda-feira começa tudo de novo...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Inriba da palavra- Dicionário do Nordeste- Fred Navarro




Pois é, palavra é o que nos rodeia, a toda hora, todo instante e diz  feito trovão. Autores resgataram em nossa literatura a fala popular: J.L do Rego, G. Ramos e J.G Rosa, M. de Andrade,A. Suassuna, R.Carrero e Zé da Luz, entre outros, sem falar nos cordelistas, pioneiros de nossa língua. Fred  pesquisou esses  e outros autores, no uso inclusivo de sua obra.  
Todavia, o autor apura, para além do registrado na literatura, capturando-as em campo, sistematizando-as na área- lexicográfica, semântica, , cujo resultado é o retrato da boca sonora do Brasil, do Nordeste. 
A obra é o Dicionário do Nordeste, CEPE, PE, 2013 .Obra volumosa(796pgs), um estudo sistêmico de várias  regiões do Brasil/Nordeste, com prefácio do gramático da ALB, I. Bechara. 
O autor, diferentemente do seu livro anterior, Assim falava Lampião”,E.Liberdade,SP,1998, acresce detalhamento de variáveis sistêmicas aos verbetes, como convenções, dicionários, classificação gramatical, siglas dos estados etc.. 

Aluada.adj.PB.Menstruada,de boi,com as regras.DPPB- 

Depois deste verbete, colocamos alguns outros, soltos, tomadas de empréstimo de Navarro, as palavras com sentido que dou e me identifico na minha`` história de vida: 

Aviar, como forma de apressar..Avia Maria..vamos Maria 
Ancho.fulano ta todo ancho, cheio de si. 
Frocado- pessoa toda cheia de si, empertigado. 
Ingicar-engicarimplicar..oia tais ingicando,né. 
Ingresia, coisa não clara ininteligível,  que ingresia é essa que tai dizendo? 
Latomiabarulho , esses cachosrros estão numa latomia! 
Librinar..neblinareita começou a librina. 
Mandchuria antiga zona do meretrício de Joao Pessoa. 
Pei-buf...toma lá da cá, ai ele pei-buf falou. 
Peitica, implicação, repetição..Tai com uma petica, só fala nisso. 
Passo para Fred  estas, pra findar :pilacacete- pílula Alkazter e assustado, festa feita de improviso, C.Grande,PB. 







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